Os empresários, que estão foragidos, teriam manifestado por meio de emissários a disposição em colaborar com as investigações. O acordo seria uma tentativa de se livrar de possíveis condenações por fraudes, sonegação fiscal, crimes tributários e organização criminosa. No entanto, há uma apreensão de que as revelações não sejam bem recebidas em instâncias superiores, especialmente em Brasília.
Um interlocutor dos empresários afirmou: “Já foram oferecidos anexos com relatos detalhados, mas até agora sentaram em cima em Brasília”. Ele lamentou a falta de mudanças no cenário de corrupção no país, comparando a situação atual com os desdobramentos da Lava Jato, onde, segundo ele, os “players” mudaram, mas a corrupção persistiu.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado, é considerada a maior ofensiva do Ministério Público e da Polícia Federal contra o que chamam de “andar de cima” do PCC na Faria Lima. A operação desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado na economia formal, com foco no setor de combustíveis, fintechs e fundos de investimento.
Investigações apontam que braços do PCC teriam movimentado aproximadamente R$ 52 bilhões no período investigado, utilizando 40 fundos de investimento para blindar esses recursos. A BK Bank, por exemplo, registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas, com uma estimativa de 80% desse valor relacionado ao PCC. A empresa, na época, declarou ter sido surpreendida pela operação e que conduzia suas atividades com transparência.
Segundo as investigações, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como ‘Beto Louco’, e Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, teriam utilizado Renato Steinle de Camargo, o único cotista do fundo Location, como um “testa de ferro”. A Reag Investimentos administrava este fundo. A disposição de ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ em apresentar provas detalhadas pode ser um fator crucial para o sucesso da negociação da delação e para a revelação de um esquema de corrupção em larga escala.
O advogado que representa os dois empresários preferiu não comentar sobre a negociação com a Promotoria de São Paulo. A expectativa é que, caso o acordo seja firmado, as revelações dos empresários tragam à tona informações significativas sobre a infiltração do crime organizado nas esferas de poder no Brasil.
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