Bombas nazistas não detonadas no Mar Báltico viram abrigo para a vida marinha

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As águas do Mar Báltico escondem um segredo: há um depósito submarino de bombas nazistas que nunca foram detonadas. Sobre elas um novo estudo encontrou um cenário inesperado: uma surpreendente abundância de vida marinha se desenvolvendo sobre estruturas construídas para a guerra. A descoberta foi feita por cientistas alemães na Baía de Lübeck, no norte da Alemanha, e publicada no periódico Communications Earth & Environment.

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As imagens de um submersível não tripulado mostraram estrelas-do-mar, caranguejos, anêmonas e até cardumes de peixes vivendo sobre ogivas da bomba voadora V-1, conhecida como Fi 103, usada pela Alemanha nazista.

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A concentração de organismos nesses explosivos chegou a cerca de 40 mil indivíduos por metro quadrado, sendo que a maioria são vermes marinhos. Esse número é muito maior do que o encontrado no sedimento que compõe o fundo da região.

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“Estávamos preparados para ver números significativamente menores de todos os tipos de animais”, disse Andrey Vedenin, do Instituto Senckenberg de Pesquisa Marinha, à Associated Press. “Mas aconteceu o oposto”. 

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Por que em bombas?

A explicação está no tipo de ambiente. O fundo do Mar Báltico, especialmente nessa baía, é plano e coberto de lama e areia. Rochas e pedregulhos que antes serviam de abrigo para a fauna foram removidos nos séculos 19 e 20 para obras de infraestrutura. Isso tornou superfícies rígidas – como o metal das bombas – um recurso escasso e valioso para a fixação de organismos.

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Além disso, como os locais com munição submersa contêm produtos químicos perigosos, são relativamente isolados da atividade humana. Isso cria, paradoxalmente, uma “bolha de proteção” para que espécies se instalem e prosperem, mesmo sob risco de exposição a compostos tóxicos como o TNT (trinitrotolueno).

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Os pesquisadores registraram concentrações de TNT na água próximas às ogivas de até 2,7 mg por litro, níveis que em laboratório podem ser letais para alguns peixes e invertebrados. Apesar disso, a fauna não apenas se instalou como atingiu densidades semelhantes às de ambientes naturais com substratos rochosos.

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Um dos achados mais curiosos foi o de dezenas de estrelas-do-mar amontoadas sobre pedaços expostos de TNT corroído. “Parecia muito estranho”, disse Vedenin à AFP. Ele levantou a hipótese de que os animais estivessem se alimentando de biofilmes – camadas de bactérias – que se formaram sobre o explosivo em decomposição.

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Embora o material seja tóxico, não houve sinais de comportamento anormal. “Os caranguejos estavam só sentados, e pegando coisas com suas garras”, acrescentou o pesquisador.

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O caso é apenas um exemplo da marca deixada pelos conflitos do século 20 nos oceanos. Estima-se que apenas em águas alemãs existam cerca de 1,6 milhão de toneladas de munições descartadas, em grande parte provenientes das duas guerras mundiais. Algumas dessas relíquias contêm não só explosivos convencionais como TNT e RDX, mas também resíduos químicos ou até nucleares.

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Esses materiais representam um risco ambiental e de segurança, pois sua corrosão progressiva pode liberar substâncias tóxicas e instáveis no ecossistema. Ao mesmo tempo, a fauna que se instalou sobre as bombas transformou o local em um ponto de biodiversidade dentro de uma área marcada pela homogeneidade de lama e areia.

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“Há alguma ironia em descobrir que essas coisas que deveriam matar tudo agora estão atraindo tanta vida”, comentou Vedenin à AFP.

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Por isso, os cientistas defendem que qualquer plano de remoção das munições leve em conta também a função ecológica que elas passaram a cumprir. A proposta é que, uma vez retirados os explosivos, sejam colocados no lugar blocos de pedra ou estruturas artificiais seguras, capazes de servir de abrigo para invertebrados e peixes. Essa medida ajudaria a evitar uma perda repentina de habitat e manteria um equilíbrio mínimo no ecossistema local.

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O estudo ressalta ainda que esse tipo de substituição poderia corrigir, de certa forma, o empobrecimento do fundo do Mar Báltico causado por práticas humanas anteriores. Assim, a retirada das bombas não seria apenas uma ação de remediação ambiental e segurança, mas também uma oportunidade de restaurar parte da complexidade perdida no ecossistema.

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