[Editado por: Marcelo Negreiros]
O Congresso Nacional anulou nesta quarta-feira, 25, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que alterava as regras do Imposto sobre Operações Financeiras. A decisão representa uma derrota política significativa para o Planalto, que não via um decreto ser revogado desde os tempos de Fernando Collor, em 1992.
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) com ampla maioria: 383 votos a favor e apenas 98 contrários. Cerca de uma hora depois, o Senado confirmou a medida em votação simbólica. A articulação partiu da oposição, liderada pelo deputado Coronel Zucco (PL-RS), e pegou de surpresa os aliados do governo.
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A última vez que o Congresso anulou um decreto presidencial foi às vésperas do impeachment de Collor. Na ocasião, o Planalto tentava alterar as normas de pagamento de precatórios, mas enfrentou forte resistência parlamentar.
Agora, o governo Lula revive um cenário semelhante: ruídos com o Legislativo e dificuldades de articulação. Mesmo antes da votação desta quarta, o Planalto já havia recuado em outras medidas para evitar derrotas.
Em 2023, Lula revogou dois decretos que mexiam com o marco do saneamento básico depois de pressão da Câmara. Em 2024, fez concessões em relação à restrição de clubes de tiro nas proximidades de escolas, para evitar mais um revés no Senado.
Líderes governistas disseram ter descoberto pela internet que o PDL entraria em votação. A surpresa veio com a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de acelerar a tramitação e pautar o projeto diretamente no plenário, sem passar por comissões. A votação ocorreu em regime de urgência.
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Deputados da base acusam Motta de descumprir um acordo informal. Segundo os relatos, o presidente da Câmara havia prometido esperar o envio de uma proposta oficial do governo para tratar dos benefícios fiscais. A previsão era votar o tema apenas em 8 de julho. O gesto foi interpretado como sinal de enfraquecimento da coordenação política do governo.
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