O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o reajuste salarial para servidores do Poder Legislativo, mas vetou os trechos que previam aumentos acima do teto constitucional, conhecidos como 'penduricalhos'. A decisão, que poderia gerar mais um embate entre Executivo e Legislativo, desta vez não encontrou resistência significativa. A principal razão para o recuo do Congresso é o **ano eleitoral**, que torna a pauta **altamente impopular** e arriscada para a imagem dos parlamentares.
A aprovação dos reajustes salariais e benefícios para o funcionalismo do Congresso contou com o apoio da maioria dos parlamentares, com apenas o Novo e o PSOL votando contra. Em outras circunstâncias, essa ampla base poderia facilmente derrubar um veto presidencial. No entanto, a proximidade das eleições municipais inibe qualquer movimento nesse sentido. A **repercussão negativa** de uma possível nova batalha em torno de aumentos salariais poderia prejudicar os congressistas em suas bases eleitorais.
“Custo a crer que o Congresso vá enfrentar por duas vezes um desgaste público dessa dimensão, ainda mais em ano de eleições. E mais: Lula não vetou os reajustes e outras gratificações, apenas o fura teto”, afirmou o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa na Câmara. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) corroborou, destacando que a derrubada de um veto exige que o parlamentar exponha seu voto publicamente, algo que muitos querem evitar agora.
Apesar de sair vitorioso no veto, Lula se encontra em uma posição delicada. Ao vetar os 'penduricalhos' que furam o teto constitucional, ele se beneficia da impopularidade da medida, mas o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados no Congresso não se opuseram aos aumentos e mecanismos que elevavam os salários acima do limite. Isso pode gerar um **desgaste para o PT** junto a eleitores que veem a medida como um privilégio. Em 2025, o governo pode ter que lidar com essa contradição.
A estratégia de polarizar o debate, como ocorreu em episódios anteriores com o discurso de “Congresso inimigo do povo”, não se mostra viável desta vez. A **pauta eleitoral se sobrepõe** a qualquer outra consideração, forçando um consenso tácito para evitar o desgaste público. A relação entre o Planalto e as cúpulas do Congresso, marcada por tensões e quebras de acordo, parece ter encontrado um ponto de trégua forçado pela necessidade mútua de evitar o **prejuízo eleitoral**.
A decisão de não derrubar o veto presidencial demonstra a força da conjuntura eleitoral sobre as articulações políticas. Deputados e senadores priorizam a manutenção de uma imagem positiva perante seus eleitores, evitando a associação com pautas que possam ser interpretadas como privilégios. A postura do Congresso, neste caso, reflete uma **estratégia de autopreservação** diante de um cenário eleitoral adverso para temas polêmicos. A contenção de gastos e a responsabilidade fiscal ganham força como discursos, pelo menos no período pré-eleitoral.
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