Consumo excessivo de álcool no Carnaval pode afetar humor e saúde mental mesmo após o final da folia, apontam estudos

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Estudos apontam que abuso de bebidas alcoólicas no Carnaval pode intensificar sintomas emocionais e dificultar a regulação do humor

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O Carnaval é sinônimo de alegria, bloquinhos, fantasia, curtição e diversão. Mas, junto com a música alta e os blocos de rua, também cresce o consumo de bebidas alcoólicas muitas vezes acima do habitual. O que nem todo mundo percebe, no entanto, é que esse exagero pode deixar marcas que vão além da ressaca física, afetando o humor e a saúde mental mesmo depois que a festa termina.

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Estudos clínicos mostram que o consumo excessivo de álcool está associado à piora de sintomas de depressão e ansiedade, inclusive após períodos curtos de consumo intenso. E, quando a bebida vem acompanhada de noites mal dormidas, alimentação irregular e desgaste físico — situações comuns no Carnaval — os impactos emocionais podem ser ainda mais evidentes.

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Por que o álcool afeta o humor?

O álcool atua diretamente no sistema nervoso central, interferindo na regulação de neurotransmissores ligados ao bem-estar e ao controle das emoções.

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“A ingestão de álcool altera a regulação normal dos neurotransmissores que modulam o humor, como a serotonina e o GABA, e influencia o eixo do estresse, o que pode resultar em piora do humor e maior vulnerabilidade emocional”, explica a psicóloga Dra. Andrea Beltran.

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Em um primeiro momento, a bebida pode provocar sensação de euforia e desinibição. No entanto, após esse efeito inicial, ocorre um desequilíbrio neuroquímico que pode favorecer irritabilidade, angústia e sensação de vazio emocional.

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O que é a “hangxiety”?

O termo em inglês “hangxiety” — combinação de “hangover” (ressaca) e “anxiety” (ansiedade) — descreve a sensação de ansiedade intensificada no dia seguinte ao consumo excessivo de álcool. Embora pareça apenas uma expressão popular, o fenômeno tem respaldo científico.

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Pesquisas indicam que a ressaca envolve alterações químicas no cérebro que impactam diretamente o estado emocional. Isso pode se manifestar como inquietação, preocupação excessiva, culpa por comportamentos da noite anterior ou tristeza sem causa aparente.

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O que dizem os estudos?

A revisão científica “Alcohol and Anxiety Disorders: A Systematic Review and Meta-Analysis”, publicada no Journal of Affective Disorders, aponta que pessoas que consomem uma alta quantidade de álcool apresentam probabilidade significativamente maior de relatar sintomas de ansiedade e depressão em comparação com consumidores leves ou moderados.

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O estudo também reforça que o impacto do álcool sobre a saúde mental não se restringe a quadros crônicos. Mesmo episódios pontuais de consumo intenso, como os que costumam ocorrer no Carnaval, podem desencadear alterações emocionais temporárias — ou agravar sintomas já existentes.

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Dados do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) mostram ainda que transtornos por uso de álcool frequentemente ocorrem junto com transtornos de ansiedade e depressão. Pessoas com esses diagnósticos tendem a apresentar maior dificuldade para regular emoções sob efeito do álcool, o que aumenta o risco de crises emocionais e comportamentos impulsivos.

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Segundo o estudo, mesmo quem não tem diagnóstico de transtorno psíquico pode sentir os efeitos emocionais do consumo excessivo. Muitas vezes, o álcool é utilizado como forma rápida de aliviar tensões, timidez ou sentimentos negativos. O problema é que esse alívio costuma ser temporário.

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“Durante o Carnaval, é comum que as pessoas bebam mais, durmam menos e se alimentem mal, sem perceber o impacto disso na saúde emocional. Quando o álcool passa a ser usado como principal forma de relaxar ou socializar, ele pode intensificar ansiedade, tristeza e instabilidade emocional nos dias seguintes. Por isso, observar limites e sinais do próprio corpo é fundamental”, orienta a psicóloga Dra. Andrea Beltran.

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Como proteger a saúde mental durante o Carnaval

A boa notícia é que é possível aproveitar a festa sem comprometer o equilíbrio emocional. Especialistas recomendam moderação no consumo de bebidas alcoólicas, alternar com água, manter uma alimentação adequada e priorizar momentos de descanso.

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Também é importante observar como você se sente nos dias seguintes. Ansiedade persistente, tristeza intensa, irritabilidade fora do habitual ou sensação de descontrole emocional merecem atenção. Se os sintomas continuarem após o período carnavalesco, buscar apoio profissional pode ser um passo importante para entender o que está acontecendo e receber orientação adequada. Afinal, celebrar é saudável, mas cuidar da saúde mental é essencial antes, durante e depois da folia!

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