[Editado por: Marcelo Negreiros]
De Toni analisou que a operação pode ter sido uma “manobra para evitar a falência” do Banco Master e, dessa forma, “impedir” que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — que protege o dinheiro de correntistas em caso de quebra bancária — fosse acionado.
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Em 28 de março, o BRB, a estatal do Distrito Federal, pagou R$ 2 bilhões na compra de boa parte da instituição financeira privada. É a primeira vez em 40 anos que um banco público adquire um particular.
O FGC, cujo orçamento total chega a pouco mais de R$ 100 bilhões, cobre depósitos de até R$ 250 mil por conta ou R$ 1 milhão por CPF.
Depois de cinco anos de atividades, as operações do Banco Master passaram a representar quase metade do FGC inteiro. Com isso, caso houvesse a falência, grande parte do fundo deveria ser utilizada para honrar os depósitos.
Conforme apontado por De Toni, a instituição financeira “acumulava cerca de R$ 49 bilhões em CDBs”, o equivalente a 96% da capacidade total do FGC para cobrir esse tipo de título.
“Para atrair investidores, o banco oferecia rendimentos muito acima da média de mercado, o que pode ter camuflado uma grave crise de liquidez e solvência”, analisou a líder.
A deputada também alertou para os perigos ao sistema financeiro. Se o FGC fosse acionado de maneira excepcional, instituições públicas como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil — que fazem parte do fundo — poderiam ser obrigadas a realizar aportes bilionários, o que provocaria um impacto fiscal direto para o país.
Na representação, a líder da minoria pediu ao TCU:
“Não vamos permitir que operações arriscadas sejam varridas para debaixo do tapete com dinheiro público”, destacou. “O governo Lula pode até tentar esconder, mas nós vamos expor e cobrar. O povo brasileiro tem o direito de saber e ser protegido dessas jogadas perigosas.”
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Para De Toni, a atuação do Banco Master ao longo dos anos representa “uma bomba-relógio montada com o dinheiro de milhares de brasileiros”, a qual foi resolvida “nos bastidores com uma compra apressada feita por um banco controlado pelo governo do Distrito Federal”.
Em relação à atuação do Banco Central, a líder da minoria denuncia um caso de “omissão”, uma vez que a instituição “teria permitido que o Banco Master alcançasse um nível de captação desproporcional à sua estrutura, com ativos concentrados em recebíveis de alto risco”.
“O BC falhou”, afirmou De Toni. “Essa negligência compromete a credibilidade do sistema, pode provocar crise de confiança, encarecimento do crédito e instabilidade econômica.”
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