O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi derrotado no Congresso Nacional, na última quarta-feira (8/10), com a retirada da Medida Provisória (MP) do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) da pauta de votação da Câmara dos Deputados, o que deve apertar o orçamento em 2026.
Com a retirada, a MP perdeu a validade e as medidas apresentadas no texto deixam de existir, e o governo, que esperava uma tramitação tranquila da medida no poder legislativo, perde uma parte importante da arrecadação prevista para o próximo ano.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 já incorporava a aprovação das medidas, ou seja, já dava como certo que os valores contidos no texto seriam arrecadados e utilizados para fechar o orçamento.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, no entanto, já havia alertado que o governo poderia não cumprir o centro da meta fiscal para 2026, estabelecida em superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 34,3 bilhões, por contar com receitas que ainda careciam de aprovação no congresso.
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Para o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, o orçamento de 2026 contém um volume elevado de receitas incertas. Para ele, o cumprimento do centro da meta fiscal demandará corte de R$ 65 bilhões no próximo ano.
“É impossível. Mesmo usando a banda inferior, ainda seria preciso limar despesas em mais de R$ 30 bilhões. Dificilmente, o governo conseguirá resolver o problema. Assim, o cenário mais provável é a alteração da meta de resultado primário”, diz. A banda inferior a que Salto se refere seria o déficit zero, ou seja, receitas e despesas equilibradas.
O economista sênior da 4intelligence, Renan Martins, avalia que, para o ano que vem, será necessário um esforço adicional do governo e o cumprimento da meta fiscal ficará mais difícil, mas não impossível. Ele aponta que a equipe econômica precisará se debruçar em manejar os recursos do orçamento e que poderá optar por seguir caminhos já adotados em outros momentos, como ampliar as receitas extraordinárias com dividendos de estatais, por exemplo.
Martins diz, ainda, que o governo pode contingenciar gastos no começo de 2026, mas que essa é uma alternativa pouco provável considerando que se trata de um ano eleitoral.
Hugo Motta, presidente da Câmara, durante votação da derrubada do decreto do IOF
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Votação de derrubada do decreto presidencial que reajustava o IOF, na Câmara dos Deputados
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O presidente da Câmara, Hugo Motta
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Hugo Motta e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante
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Já o professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, afirma que o Ministério da Fazenda pode ser obrigado a cortar gastos discricionários, ou seja, despesas que o governo pode escolher fazer ou não, como investimentos e, até mesmo, emendas parlamentares.
Ele avalia que eventuais cortes têm impacto político direto e que, em um ano eleitoral, a situação fica mais difícil. “Essa queda da MP do IOF, de fato, deixou um gap relevante, expôs o orçamento de 2026 a um risco considerável de descumprimento da meta. Contudo, há espaço técnico para compensação, mas as limitações políticas, bem sabemos, no ano eleitoral, e os próprios limites legais tornam a solução difícil”, explica.
“É possível trazer que existe um rol de instrumentos tecnicamente que podem ser adotados desde ajustes em alíquotas, onde couber por decreto regulação, até mesmo o envio de projetos de lei com medidas tributárias compensatórias, que poderiam somar parte ou a totalidade dessa perda. Porém, cada alternativa estimada possui limites legais e teto prático”, diz Thaunahy.
[Metrópoles]Source link
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