Derrota na MP do IOF deve apertar as contas públicas em 2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi derrotado no Congresso Nacional, na última quarta-feira (8/10), com a retirada da Medida Provisória (MP) do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) da pauta de votação da Câmara dos Deputados, o que deve apertar o orçamento em 2026.

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Com a retirada, a MP perdeu a validade e as medidas apresentadas no texto deixam de existir, e o governo, que esperava uma tramitação tranquila da medida no poder legislativo, perde uma parte importante da arrecadação prevista para o próximo ano.

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O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 já incorporava a aprovação das medidas, ou seja, já dava como certo que os valores contidos no texto seriam arrecadados e utilizados para fechar o orçamento.

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A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, no entanto, já havia alertado que o governo poderia não cumprir o centro da meta fiscal para 2026, estabelecida em superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 34,3 bilhões, por contar com receitas que ainda careciam de aprovação no congresso.

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Medidas presentes na MP do IOF

  • Tributação de títulos: a MP queria acabar com a isenção do Imposto de Renda (IR) de títulos incentivados, como é o caso da Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). A MP também estabelecia uma alíquota uniforme de 17,5% para os demais investimentos no mercado financeiro, incluindo criptomoedas.
  • JCP e CSLL: a medida tratou também sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL), estabelecendo aumento de IR passando de 15% para 20% no caso do JCP e de 9% para 15% para CSLL.
  • Bets: caminhando no mesmo sentido da tributação de investimentos, a MP tinha o objetivo de ampliar as taxas de 12% para 18% sobre o Gross Gaming Revenue (GGR). Na prática, a diferença seria aplicada entre o valor que as empresas de apostas arrecadam e aquilo que elas pagam aos clientes.
  • Inclusão do Pé-de-Meia no piso da educação: o texto previa a inclusão do programa Pé-de-meia no piso nacional da educação, ou seja, os recursos seriam incluídos no percentual mínimo que a União investirá na educação com base na receita vinda de impostos.
  • Seguro-defeso: a medida dispunha, ainda, sobre o seguro-defeso, que acontece quando a pesca é proibida para preservação ambiental. A concessão do benefício passaria a depender de homologação do registro do pescador pela prefeitura.
  • Auxilio doença: a mudança prevista na MP tinha relação ao prazo de concessão do benefício, que seria limitado a 30 dias ante aos 180 dias na vigência atual. Caso fosse aprovada, o pagamento dos benefícios estariam sujeitos à realização de perícia médica.
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Para o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, o orçamento de 2026 contém um volume elevado de receitas incertas. Para ele, o cumprimento do centro da meta fiscal demandará corte de R$ 65 bilhões no próximo ano.

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“É impossível. Mesmo usando a banda inferior, ainda seria preciso limar despesas em mais de R$ 30 bilhões. Dificilmente, o governo conseguirá resolver o problema. Assim, o cenário mais provável é a alteração da meta de resultado primário”, diz. A banda inferior a que Salto se refere seria o déficit zero, ou seja, receitas e despesas equilibradas.

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O economista sênior da 4intelligence, Renan Martins, avalia que, para o ano que vem, será necessário um esforço adicional do governo e o cumprimento da meta fiscal ficará mais difícil, mas não impossível. Ele aponta que a equipe econômica precisará se debruçar em manejar os recursos do orçamento e que poderá optar por seguir caminhos já adotados em outros momentos, como ampliar as receitas extraordinárias com dividendos de estatais, por exemplo.

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Martins diz, ainda, que o governo pode contingenciar gastos no começo de 2026, mas que essa é uma alternativa pouco provável considerando que se trata de um ano eleitoral.

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4 imagensVotação de derrubada do decreto presidencial que reajustava o IOF, na Câmara dos DeputadosO presidente da Câmara, Hugo MottaHugo Motta e o líder do PL, Sóstenes CavalcanteFechar modal.1 de 4

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Hugo Motta e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante

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Já o professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy, afirma que o Ministério da Fazenda pode ser obrigado a cortar gastos discricionários, ou seja, despesas que o governo pode escolher fazer ou não, como investimentos e, até mesmo, emendas parlamentares.

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Ele avalia que eventuais cortes têm impacto político direto e que, em um ano eleitoral, a situação fica mais difícil. “Essa queda da MP do IOF, de fato, deixou um gap relevante, expôs o orçamento de 2026 a um risco considerável de descumprimento da meta. Contudo, há espaço técnico para compensação, mas as limitações políticas, bem sabemos, no ano eleitoral, e os próprios limites legais tornam a solução difícil”, explica.

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O que especialistas consideram possível para ajustar as contas

  • Corte de gastos discricionários;
  • Corte de emendas parlamentares e programação de obras;
  • Mudança de indexadores para benefícios como previdência social e piso da saúde e educação;
  • Compensação com receitas extraordinárias, como dividendos ou leilões de petróleo;
  • Aumento de alíquotas ou renúncia de benefícios fiscais.
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“É possível trazer que existe um rol de instrumentos tecnicamente que podem ser adotados desde ajustes em alíquotas, onde couber por decreto regulação, até mesmo o envio de projetos de lei com medidas tributárias compensatórias, que poderiam somar parte ou a totalidade dessa perda. Porém, cada alternativa estimada possui limites legais e teto prático”, diz Thaunahy.

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  • Despesas discricionárias são aquelas que custeiam ações em ministérios, investimentos e obras, por exemplo.
  • Despesas obrigatórias são aquelas fundamentais para o funcionamento da máquina pública, como folha de pagamento dos servidores.
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Diferença entre bloqueio e contingenciamento

  • Bloqueio e contingenciamento são duas coisas diferentes, embora sejam usadas como sinônimos. Enquanto o contingenciamento guarda relação com as receitas, o bloqueio é impactado pelas despesas.
  • O contingenciamento é necessário quando a receita não consegue comportar o cumprimento da meta de resultado primário estabelecida, ou seja, a arrecadação com impostos federais é menor do que a projetada pela equipe econômica para o período.
  • bloqueio se faz necessário quando as despesas obrigatórias crescem e o governo precisa cortar esses gastos.
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[Metrópoles]Source link

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