A maior parte das exportações e importações brasileiras é comercializada em dólar. Embora ainda seja refém da hegemonia da moeda norte-americana, o Brasil negocia usando moedas locais com países do Mercosul. A prática antecede as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa de alternativas ao dólar no comércio global.
No início do mês, em 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto.
A notificação oficial aconteceu poucos dias após Lula voltar a citar a ideia de criar uma nova moeda do Brics e romper a dependência do dólar, atualmente a principal referência nas operações comerciais entre países.
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Brasil e EUA negociam uma possível redução da tarifa, que, até o momento, é a maior imposta pelo governo trumpista. Nos últimos dias, alguns parceiros comerciais fecharam acordos com os EUA, como Reino Unido, Indonésia e Japão. O governo brasileiro, no entanto, ainda aguarda resposta da Casa Branca, que ignorou duas cartas enviadas pelo Palácio do Planalto.
“Queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre e as coisas estão acontecendo de forma maravilhosa”, disse Lula em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Lula X Trump
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Trump, Bolsonaro e Lula
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Lula e Trump
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Lula lançou o Bolsa Família em 2003
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Lula lançou o Bolsa Família em 2003
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Lula lançou plataforma para cadastrar influenciadores; deputado quer CPI para investigar influenciadores
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Lula
Agência Brasil
Há apenas três convênios de pagamento de moedas locais firmados pelo Banco Central (BC). São eles com: o Banco Central da República da Argentina (BCRA), o Banco Central do Uruguai (BCU) e o Banco Central do Paraguai (BCP).
O principal destino das exportações feitas por meio do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) é a Argentina. Segundo dados consolidados referentes a 2024, o Brasil exportou R$ 3,38 bilhões aos hermanos.
Na sequência, estão as vendas endereçadas ao Paraguai e Uruguai, com R$ 829 milhões e R$ 376 milhões, respectivamente. Os valores fazem parte do Sistema de Pagamentos em Moeda Local.
No caso das importações*, o cenário muda e o Paraguai passa ser o país de compra favorito dos brasileiros. De acordo com o SML, o Brasil importou R$ 161,6 milhões de bens, serviços e transferências unilaterais.
Logo depois vem o Uruguai, com R$ 54,31 milhões, e a Argentina, com só R$ 1,75 milhões de compras.
*O valor das importações consiste no somatório das operações realizadas entre os países, fixadas na moeda usada (guarani, pesos uruguaios ou pesos argentinos), convertidas para reais pela Taxa SML do dia de registro.
Até abril, as exportações à Argentina somam R$ 1,45 bilhão no sistema, um pouco mais de 1/3 do montante total computado em 2024. As vendas para Paraguai e Uruguai totalizam, na ordem, R$ 298 milhões e R$ 196,3 milhões no mesmo período.
Enquanto nos primeiros quatro meses de 2025, o Brasil comprou R$ 68,4 milhões dos paraguaios e R$ 21,8 milhões dos uruguaios. Por outro lado, ainda não há registros de importações de origem argentina via SML.
Desde 1944, com a assinatura do Acordo de Bretton Woods, o dólar é usado como referência no comércio exterior, mesmo em operações que não envolvem os norte-americanos.
De lá para cá, a moeda se consolidou como o principal meio de precificação e reserva do mundo.
O tratado foi firmado em um cenário pós Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de criar um sistema financeiro e monetário internacional estável e, assim, superar o cenário de instabilidade provocado pelo conflito.
Para garantir a estabilidade da economia global, foram criados o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Além disso, o acordo definiu o dólar como moeda de referência e estabeleceu taxas de câmbio fixas entre as moedas.
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