A música ao vivo consolidou, nos últimos anos, sua posição como um dos segmentos mais fortes da indústria global do entretenimento. Em 2024, o mercado mundial de shows, turnês e festivais ultrapassou a marca dos US$ 34 bilhões, impulsionado por eventos de grande escala, circuitos internacionais e uma demanda crescente por experiências presenciais de alto valor simbólico e cultural. Nesse cenário, os festivais de música se afirmam como protagonistas absolutos, concentrando público, artistas, marcas e mídia em poucos dias — com impactos que se estendem muito além dos palcos.
Hoje, esses eventos operam como verdadeiras plataformas da economia da experiência. Mais do que espetáculos, eles vendem memória, pertencimento e identidade, ao mesmo tempo em que reforçam o posicionamento global de cidades e destinos turísticos. O Rock in Rio, no Rio de Janeiro, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos desse modelo ao movimentar bilhões de reais por edição e projetar a cidade como capital internacional da música. No Reino Unido, o Glastonbury Festival se consolidou como um ativo cultural estratégico, enquanto nos Estados Unidos eventos como Coachella e Lollapalooza Chicago transformaram regiões inteiras em polos temporários de consumo, turismo e ativação de marcas.
Esse movimento não se restringe aos gigantes do calendário. Festivais independentes e de médio porte desempenham um papel fundamental na formação de público, na valorização da diversidade artística e no fortalecimento de ecossistemas culturais locais, criando uma base sustentável que alimenta toda a cadeia da música ao vivo.
Diante desse panorama, as expectativas para 2026 são naturalmente elevadas. Com diversos dos maiores festivais do mundo já anunciando datas, locais e os primeiros headliners, o ano começa a se desenhar como mais um capítulo de forte expansão, reafirmando a música ao vivo como um dos principais motores culturais e econômicos da indústria global.
Quando se observa o calendário internacional, fica claro que os grandes festivais funcionam como faróis da indústria, orientando turnês, lançamentos e tendências estéticas. Eventos como Coachella e Lollapalooza, nos Estados Unidos, ou Glastonbury, Primavera Sound e Rock Werchter, na Europa, seguem como referências centrais do circuito global ao reunir alguns dos maiores nomes da música contemporânea e clássica em edições cada vez mais disputadas — com impactos econômicos que ultrapassam centenas de milhões de dólares por edição.
Mas o verdadeiro retrato do cenário mundial vai além dos cartazes gigantes. Nos Estados Unidos, festivais de médio porte exercem um papel econômico relevante ao movimentar cadeias locais de turismo, hotelaria e serviços. O Bonnaroo, no Tennessee, gera estimativas anuais acima de US$ 300 milhões para a economia regional, enquanto eventos como Outside Lands, em São Francisco, e Governors Ball, em Nova York, somam impactos que variam entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões por edição, segundo levantamentos de órgãos locais e estudos econômicos regionais.
No Reino Unido, essa lógica é ainda mais estruturada. Além de Glastonbury, o país abriga um ecossistema sólido de festivais alternativos e regionais que sustentam a música ao vivo como ativo econômico e cultural. Eventos como Reading & Leeds, Isle of Wight Festival, Latitude e Green Man apresentam impactos combinados que chegam a dezenas de milhões de libras por edição, além de manter milhares de empregos temporários e contratos recorrentes com fornecedores locais, reforçando a importância desses festivais fora dos grandes centros urbanos.
Esses eventos, muitas vezes realizados em áreas rurais ou cidades médias, cumprem um papel essencial ao descentralizar a indústria, estimular o turismo regional e redistribuir renda dentro do setor cultural. Ao mesmo tempo, funcionam como espaços de experimentação artística e de formação de público, equilibrando sustentabilidade econômica com curadoria musical.
É nesse diálogo entre gigantes globais e festivais de médio e pequeno porte que o cenário mundial se renova. Para 2026, com vários eventos já confirmando datas e primeiras atrações, esse ecossistema integrado reforça a percepção de que o calendário internacional seguirá diverso, financeiramente robusto e estrategicamente vital para o futuro da música ao vivo.
O Brasil deixou de ser apenas uma parada eventual de grandes turnês internacionais para se consolidar como um dos mercados mais estratégicos da música ao vivo no mundo. Nos últimos anos, o país passou a integrar, de forma definitiva, o calendário global dos festivais — movimento impulsionado por público fiel, escala urbana, diversidade cultural e uma indústria cada vez mais profissionalizada. Esse protagonismo ficou ainda mais evidente com o sucesso da edição brasileira do Tomorrowland em 2025, que abriu caminho para a confirmação do retorno do festival ao país em 2027, já com datas anunciadas entre 30 de abril e 2 de maio, reforçando o Brasil como polo relevante também no circuito global da música eletrônica.
A volta do Primavera Sound ao Brasil, com edições confirmadas nos dias 5 e 6 de dezembro, em São Paulo, amplia esse cenário. Reconhecido internacionalmente por sua curadoria sofisticada e transversal, o festival escolheu o país como parte fixa de sua expansão global, dialogando diretamente com um público urbano, conectado e disposto a consumir experiências musicais de alto nível.
Outro pilar incontornável é o Lollapalooza Brasil, que há mais de uma década ocupa um lugar central no calendário nacional. Em 2026, o festival acontece entre os dias 20 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, mantendo sua tradição de reunir centenas de milhares de pessoas e funcionar como eixo de circulação para grandes turnês internacionais na América do Sul, com impacto que extrapola o entretenimento e movimenta fortemente setores como turismo, hotelaria, transporte e serviços.
Mas poucos casos são tão emblemáticos quanto o Rock in Rio. Nascido no Rio de Janeiro, o festival se transformou em uma das marcas culturais mais reconhecidas do país e um raro exemplo de exportação bem-sucedida do modelo brasileiro de megaevento. A edição carioca de 2026 está marcada para os dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, reafirmando sua força como um dos maiores eventos musicais do mundo. A expansão para Lisboa, onde o Rock in Rio Lisboa acontece nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho, consolida a dimensão internacional do projeto e sua capacidade de atravessar fronteiras mantendo relevância, escala e impacto econômico bilionário.
Esse protagonismo não se limita aos festivais internacionais. O Brasil abriga uma constelação de grandes eventos dedicados à música brasileira, como o Festival de Verão Salvador, confirmado para 24 e 25 de janeiro, o Planeta Atlântida, que acontece nos dias 30 e 31 de janeiro, e o João Rock, marcado para 13 de junho. Ao longo do ano, festivais como o Rock the Mountain, tradicionalmente realizado em novembro, o Coala Festival, previsto para setembro, e o MITA, que costuma ocupar o calendário entre maio e junho, ajudam a sustentar a dinâmica do mercado e ampliam o alcance da música ao vivo para além dos grandes centros urbanos.
Os números ajudam a dimensionar com ainda mais precisão o peso da música ao vivo na economia criativa brasileira. De acordo com a ANAFIMA (Associação Nacional da Indústria da Música), o PIB da música no Brasil atingiu R$ 116 bilhões em 2024, consolidando o setor como um dos mais relevantes dentro da indústria cultural do país. Desse total, a principal força de tração segue sendo o ao vivo: segundo levantamento divulgado pelo portal Mundo da Música, shows e festivais responderam por uma movimentação estimada em R$ 94 bilhões, evidenciando o protagonismo das experiências presenciais no consumo musical.
Esse cenário ganha ainda mais consistência quando observado sob uma perspectiva ampliada da economia de eventos. Indicadores do Radar Econômico da ABRAPE, entidade que utiliza bases oficiais como IBGE, Ministério do Trabalho e Receita Federal, apontam que o consumo no setor de eventos de cultura e entretenimento alcançou R$ 131,8 bilhões ao longo de 2024, crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. Apenas no mês de dezembro — período fortemente impulsionado por grandes shows, festivais e espetáculos — o volume chegou a R$ 11,3 bilhões, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 2019. Para 2025, a projeção indica novo avanço, com o setor podendo atingir R$ 141,1 bilhões.
Mais do que números isolados, esses indicadores revelam a amplitude da engrenagem econômica que gira em torno da música ao vivo, conectando bilheteria, turismo, hotelaria, transporte, alimentação e serviços associados. Trata-se de um ecossistema que extrapola o palco e se espalha por cidades inteiras, gerando empregos, atraindo investimentos e consolidando eventos musicais como ativos estratégicos de desenvolvimento cultural e econômico.
É nesse contexto de crescimento contínuo, profissionalização e impacto territorial que os grandes festivais deixam de ser apenas eventos pontuais e passam a atuar como infraestrutura cultural e econômica. Com o calendário de 2026 já ganhando forma e os primeiros grandes anúncios confirmados, o Brasil se consolida não apenas como destino recorrente de turnês internacionais, mas como um dos mercados mais estratégicos da música ao vivo no cenário global.
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