Em uma votação que gerou intensa negociação política, a Câmara dos Deputados decidiu suspender o mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) por seis meses, trocando a pena de cassação que era inicialmente pedida. O placar final foi de 318 votos a favor da suspensão e 141 contra, com três abstenções. A decisão encerra um longo processo que se arrastava desde o ano passado, quando Glauber Braga agrediu com chutes Gabriel Costenaro, então integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), dentro das dependências da Casa.
Glauber Braga justificou sua ação alegando que Costenaro fez insinuações sobre sua mãe, a ex-prefeita de Nova Friburgo, Saudade Braga, que na época estava doente. Saudade Braga faleceu 22 dias após o incidente. A articulação para reverter a cassação e optar pela suspensão foi liderada pelo governo, com o líder José Guimarães (PT-CE) atuando para convencer parlamentares a reconsiderarem a pena mais severa. Lideranças do PSOL relataram que as negociações se estenderam pela manhã, com o Centrão demonstrando certo desconforto em aprovar a cassação.
"Essa é a saída política, responsável, que fortalece o Parlamento", afirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP), vice-líder do governo, sobre a decisão. Por outro lado, o deputado Zé Trovão (PL-SC) acusou o secretário especial de assuntos parlamentares, André Ceciliano, de oferecer emendas em troca de votos contra a cassação, o que Ceciliano negou, admitindo apenas ter pedido votos pela suspensão.
O deputado Glauber Braga, que chegou a fazer uma greve de fome de nove dias em abril após o Conselho de Ética aprovar sua cassação, deu como certa sua queda política mais cedo, acusando Arthur Lira, Eduardo Cunha e Ciro Nogueira de articularem sua exclusão. O presidente da Câmara, Arthur Lira, demonstrou inconformismo com o resultado da votação, especialmente com a aprovação de um destaque que priorizou a votação da suspensão em detrimento da cassação.
Na véspera da decisão, Glauber Braga chegou a ocupar a cadeira da presidência da Câmara e foi retirado pela Polícia Legislativa. Em seu discurso de defesa, ele afirmou: "Para defender a minha família, eu sou capaz de muito mais. Para defender a minha família, um chute na bunda é nada." Kim Kataguiri (União-SP), inicialmente pedindo a cassação, mudou seu posicionamento para apoiar a suspensão de seis meses.
O Estadão destacou que o relator do processo, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), que pediu a cassação de Glauber, possui um histórico de agressão a um jornalista na Câmara há 24 anos. Em 2001, Magalhães agrediu o jornalista Maneca Muniz durante o lançamento de um livro que denunciava escândalos de corrupção ligados ao seu tio, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães. Na ocasião, Magalhães arrancou um varal com trechos da obra e deu um pontapé em Muniz, que revidou com um soco.
Durante o período de suspensão, Glauber Braga será substituído pela ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ). A decisão de suspensão, em vez de cassação, representa uma manobra política que permitiu ao governo e aliados de Braga amenizar as consequências do ato, mantendo-o, contudo, longe do plenário por um semestre.
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