Gripe aviária pode baratear frango, mas impacto na inflação é limitado

A identificação de um foco de gripe aviária no município de Montenegro (RS) e a suspensão da exportação de frango brasileiro a alguns países (veja abaixo) pode causar efeitos positivos no mercado doméstico, mas o impacto sobre a inflação é limitado.

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A Warren Consultoria vê efeito moderado de preços mais baixos no curto prazo, algo entre -5 e -10 bps (pontos-base) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — a inflação oficial do país —, se tudo se resolver entre 30 e 60 dias.

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A maioria dos analistas cita a possibilidade de haver um aumento temporário da oferta interna, o que só deverá ser significativo se os embargos se prolongarem demais. Ou seja, no período de normalização das exportações, os preços devem recuar moderadamente.

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“Essa carne que deixaria de ser exportada tende a ser direcionada ao mercado interno, o que pode baratear o preço da proteína no curto prazo e ajudar a aliviar a inflação de alimentos de forma pontual. É uma boa notícia para o consumidor, mas preocupante para a cadeia produtiva e para as contas externas”, avalia Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike.

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Granja de frangos

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Uso político do tema

O executivo observa que, em cenários como esse, não dá para descartar o uso político do tema por outros países, especialmente os Estados Unidos, dentro de uma lógica de guerra comercial. “Se a crise se prolongar, também pode afetar o crédito, principalmente nas regiões mais dependentes do agronegócio avícola, que já enfrentam juros altos e custo elevado”, sustenta.

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Já Sidney Lima, Analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, avalia que essa interrupção das exportações pode gerar uma sobreoferta no mercado interno, mas não necessariamente levará a uma queda significativa de preços, já que os custos de produção seguem elevados.

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“Do ponto de vista macroeconômico, isso pressiona o agronegócio e afeta a confiança em um setor que é relevante para o PIB e para o mercado de crédito rural. Além disso, em um cenário de guerra comercial, países como os EUA podem explorar o episódio como argumento geopolítico e comercial, o que amplia a incerteza e exige cautela dos investidores”, completa Lima.

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Líder da bancada do agro

Nessa quarta (21/5), o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), disse ao Metrópoles que não é possível cravar uma redução nos preços da carne de frango nas gôndolas dos mercados brasileiros.

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“Pode ser que a gente não tenha impacto direto na gôndola de redução de preço, até por uma autorregulação do mercado dos produtos que estarão disponíveis”, disse Lupion.

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Ele explicou que boa parte das exportações para a China são de pé de frango, cujo consumo é baixo no Brasil, e lembrou que os ovos destruídos na granja de Montenegro não eram para consumo humano, mas sim férteis, para a reprodução de frango.

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Suspensão

Segundo a atualização mais recente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), suspenderam totalmente as exportações do Brasil os seguintes países: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, África do Sul, União Euroasiática, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Filipinas e Jordânia.

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Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia suspenderam apenas as importações do estado do Rio Grande do Sul.

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Já Japão e Arábia Saudita, só suspenderam as compras do município de Montenegro.

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Equipe econômica ainda avalia cenário

Nessa segunda-feira (19/5), o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que “ainda é muito cedo” para avaliar os eventuais impactos causados pelo primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no país.

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Questionado sobre como a doença poderia impactar a atividade econômica, ele se limitou a dizer que “estamos num momento muito inicial”, além de estar “muito cedo para dizer qualquer coisa do ponto de vista econômico”.

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Mello explicou que a equipe econômica precisa de mais informações para analisar o caso. O secretário ainda ressaltou que o episódio é isolado e destacou que o Brasil é um país “extremamente moderno” na questão de política sanitária.

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“Gostaria de ter mais informações antes de trazer isso para o cenário macro”, completou o secretário.

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Brasil “isento”

Especialistas e também políticos e representantes do governo federal têm ressaltado que o Brasil ficou dois anos “isento” de problemas em granjas comerciais. Eles ainda frisam que o país é referência em termos de defesa sanitária.

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“Nossos principais concorrentes convivem com a gripe aviária, com a influenza aviária há mais de 20 anos”, ressaltou o líder da bancada do agro, Pedro Lupion. Ele atribuiu o caso, recentemente identificado, às aves migratórias.

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“Nossa reputação continua em alta, continua boa”, avaliou Lupion, completando que há expectativa de que nos próximos 28 a 30 dias haja liberações de mercados importantes.

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Segundo o deputado, 40% do total da proteína de frango consumida no mundo sai do Brasil. “O que está afetado agora não chega a 17% disso”.

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[Metrópoles]Source link

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