A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente a março, será conhecida nesta sexta-feira (11/4). A expectativa do mercado financeiro é de que o IPCA desacelere, após atingir marca recorde em fevereiro.
Embora registre uma desaceleração em março, o desempenho não será suficiente para convergir a inflação ao intervalo da meta deste ano, que é de 3% com variação de 1,5 ponto percentual — isto é, um espaço entre 1,5% e 4,5%.
Os dados serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A Warren Investimentos estima que o IPCA avance 0,50% em março, com variação de 5,41% no acumulado em 12 meses. Para a corretora, as maiores variações devem ser dos grupos de Alimentação e bebidas (0,98%) e de Despesas Pessoais (0,73%).
Segundo análise de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren, apenas Comunicação deve registrar queda (-0,17%) no mês.
“Se comparado com o IPCA de fevereiro, a desaceleração relevante seria a do item de energia elétrica, assim como a gasolina e o grupo de Educação, este último devido ao efeito do reajuste das mensalidades escolares captado na última inflação cheia”, avaliou.
Fechar modal.
Para os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC), no relatório Focus dessa segunda-feira (7/4), a projeção de inflação de 2025 é de 5,65%. Os economistas apostam em um aumento de 0,56% no IPCA de março.
A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, e não mais por ano-calendário. Ou seja, o índice é apurado mês a mês. Nesse novo modelo, se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
Em caso de descumprimento, o Banco Central precisa divulgar carta aberta ao ministro da Fazenda — neste caso, Fernando Haddad — explicando as razões para o estouro. Isso porque o BC tem o papel de controlar a inflação e o principal instrumento para conter o avanço dos preços é a taxa básica de juros (a Selic), definida pelo Copom a cada 45 dias. A próxima reunião será nos dias 6 e 7 de maio.
O próprio Banco Central segue dando declarações indicando o estouro do teto da meta inflacionária em 2025.
Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, o BC alertou que, se a inflação continuar avançando, o valor acumulado em 12 meses permanecerá “acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos”.
“Desse modo, com a inflação de junho deste ano, configurar-se-ia descumprimento da meta sob a nova sistemática do regime de metas”, destacou o colegiado em trecho da ata.
Além disso, o BC avaliou que a chance de a inflação estourar o teto da meta subiu de 50% (em dezembro) para 70%, conforme dados presentes no Relatório de Política Monetária (RPM), publicado no fim de março.
Em fala recente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizou que a curto prazo, o Brasil precisará lidar com uma inflação acima da meta. Ele ressaltou que a combinação entre inflação elevada e juros altos “costuma produzir essa posição mais incômoda”.
“O Banco Central sabe que, no curto prazo, a gente vai conviver com uma inflação acima da meta e que os mecanismos de transmissão desse processo vão se dar nessa ordem que a gente tem comunicado”, declarou Galípolo.
Além do mercado financeiro, as instituições bancárias projetam que a inflação deve estourar a meta. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que a maioria dos bancos (90%) estima que o IPCA feche 2025 acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Assim como no relatório Focus, as previsões de inflação para este ano seguem bastante elevadas no setor bancário. Segundo a Febraban, 71,4% dos bancos esperam que o IPCA fique em torno de 5,5%, enquanto 19% projetam o índice próximo ou acima de 6%.
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