[Editado por: Marcelo Negreiros]
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo, 27, que o país continuará seus esforços militares na Faixa de Gaza até alcançar todos os objetivos de guerra, inclusive a eliminação do grupo Hamas.
“Continuaremos a lutar, continuaremos a agir até alcançarmos todos os nossos objetivos de guerra — até a vitória completa”, declarou durante visita à Base Aérea de Ramon, no deserto de Negev.
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Netanyahu reiterou que o governo israelense permite a entrada de ajuda humanitária mínima no território, apesar das críticas internacionais. “Seja qual for o caminho que escolhermos, teremos de continuar permitindo a entrada de suprimentos humanitários mínimos”, disse. “Fizemos isso até agora.”
O premiê acusou a Organização das Nações Unidas de mentir sobre a atuação de Israel. “A ONU está criando uma desculpa e uma mentira sobre o Estado de Israel”, disse. “Dizem que não estamos permitindo a entrada de ajuda humanitária. Isso é falso. Existem comboios seguros. Sempre existiram. Mas agora é oficial. Não haverá mais desculpas.”
Também neste domingo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram a adoção de “pausas táticas locais” diárias de 10 horas em áreas densamente povoadas da Faixa de Gaza onde não há operação terrestre, como al-Mawasi, Deir al-Balah e Gaza City.
Segundo o exército, as pausas ocorrerão das 10h às 20h “todos os dias até novo aviso”. A decisão foi coordenada com a ONU e outras entidades internacionais, conforme o anúncio do governo israelense.
O objetivo declarado é “aumentar o escopo da ajuda humanitária que entra na Faixa de Gaza”, com rotas seguras designadas das 6h às 23h para permitir a passagem de comboios das Nações Unidas e outras organizações de assistência com alimentos e medicamentos.
Durante a madrugada, pela primeira vez desde o começo do conflito, o próprio exército israelense realizou um lançamento aéreo de alimentos sobre Gaza, com sete paletes de suprimentos. Até então, apenas países estrangeiros haviam feito esse tipo de operação.
A retomada de ajuda internacional coincidiu com o anúncio israelense. O Egito enviou mais de 100 caminhões com 1,2 mil toneladas de alimentos para Gaza por meio da passagem de Kerem Shalom, que liga Israel à Faixa. Foi a primeira vez que os egípcios enviaram ajuda durante combates ativos desde que Israel assumiu o controle da passagem de Rafah em maio de 2024.
Jordânia e Emirados Árabes Unidos também retomaram o lançamento aéreo de suprimentos. Três aviões lançaram cerca de 25 toneladas de alimentos, de acordo com a agência oficial jordaniana. O chanceler dos Emirados, Abdullah bin Zayed, afirmou no sábado que a situação humanitária em Gaza chegou a “um estágio crítico e sem precedentes”.
Além disso, os Emirados começaram a construção de um oleoduto para abastecimento de água potável entre uma usina de dessalinização no Egito e a região de al-Mawasi, no sul de Gaza, onde cerca de 600 mil pessoas estão concentradas.
Segundo a Coordenação de Atividades Governamentais nos Territórios (Cogat), a obra funcionará de forma independente da infraestrutura hídrica israelense e deve levar semanas para ser concluída.
Mesmo depois do começo das pausas humanitárias, ataques aéreos continuaram a ocorrer. Segundo autoridades locais, uma mulher e quatro crianças morreram em um bombardeio em Gaza City. No total, pelo menos 37 palestinos foram mortos entre a noite de sábado e o domingo, inclusive 22 pessoas que buscavam ajuda.
Quatro soldados israelenses ficaram feridos por um explosivo em Rafah, no sul de Gaza. Entre eles está o comandante da Unidade de Reconhecimento do Deserto, que teve ferimentos graves. Dois outros militares estão em estado moderado e leve, e um rastreador da reserva também foi gravemente ferido. Todos foram levados para hospitais.
O exército também anunciou a destruição de um túnel de 500 metros do Hamas em Beit Hanoun, no norte de Gaza. A operação foi conduzida por reservistas da Brigada de Paraquedistas 646 com apoio da unidade de engenharia Yahalom.
No sábado, dois soldados israelenses morreram e um oficial ficou ferido por um artefato explosivo em Khan Younis, também no sul da Faixa. As vítimas foram identificadas como o capitão Amir Saad, de 22 anos, e o sargento Inon Nuriel Vana, de 20, ambos da unidade de reconhecimento da Brigada Golani.
O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, afirmou que as equipes da organização “farão todo o possível para alcançar o maior número de pessoas famintas durante essa janela”. A diretora regional da Oxfam, Bushra Khalidi, considerou a medida um “primeiro passo bem-vindo”.
O Programa Mundial de Alimentos declarou que há comida suficiente na região para alimentar toda a população de Gaza por quase três meses. Contudo, o principal obstáculo seria a distribuição interna, não a entrada dos suprimentos.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu que as agências da ONU colaborem mais. “Israel está fazendo o máximo para melhorar o fluxo de suprimentos vitais”, afirmou. “Exorto os órgãos da ONU e organizações internacionais a fazerem sua parte e garantirem que a ajuda chegue a quem precisa, sem atrasos.”
Netanyahu encerrou: “Temos uma missão, e estamos determinados a cumpri-la — a vitória completa — incluindo a libertação de todos os nossos reféns, a derrota do Hamas e a garantia de que Gaza não voltará a ameaçar Israel.”
Leia também: “O Brasil não está longe da fronteira da Faixa de Gaza”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 186 da Revista Oeste
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