John Lennon é proibido de cantar hino feminista 45 anos depois de morto

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Em português, você pode usar negro e negra, e não é pejorativo. Em português, você pode usar preto e preta, e também não é pejorativo.

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Em inglês, você pode usar black, e não é pejorativo. Em inglês, você não deve usar nigger porque é pejorativo.

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Ainda lembro do grande Moacir Santos me dizendo isso, didaticamente, numa conversa de uns 30 e tantos anos atrás. Moacir era preto e morava nos Estados Unidos.

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Em Pasadena, na Califórnia, onde Moacir Santos morava, esse extraordinário músico brasileiro era "a black man". Nigger, jamais. A não ser que quisessem ofendê-lo.

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Em 1972, nos seus primeiros tempos em Nova York, John Lennon e Yoko Ono gravaram Some Time in New York City. Na história do rock, há poucos discos de conteúdo político tão forte e explícito quanto este do casal John e Yoko.

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A capa é como a capa de um jornal. As "notícias" são as letras das músicas. Há uma foto - uma montagem, por óbvio - de Richard Nixon e Mao Tse-Tung nus, dançando rock.

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O disco abre com um baladaço chamado Woman is the Nigger of the World, composto por John Lennon e Yoko Ono e cantado visceralmente por John.

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Some Time in New York City foi lançado em junho de 1972, mas só saiu no Brasil em janeiro de 1973. Diziam, na época, que houve problemas com a Censura.

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Eu tinha 13 anos, e muito do feminismo me chegou através desse disco. Foi numa de suas canções - Angela - que soube da existência da ativista Angela Davis.

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Woman is the Nigger of the World era uma canção de conteúdo feminista. Ninguém tinha qualquer dúvida a respeito da letra da balada de John e Yoko.

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A letra de Woman is the Nigger of the World - recorrendo a uma dessas traduções que a gente encontra na Internet - diz o seguinte:

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"A mulher é a escrava [a tradução literal seria 'o negro'] do mundo/Sim, ela é/Pense a respeito/A mulher é a escrava do mundo/Pense a respeito/Faça algo a respeito".

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E segue: "Nós fazemos ela pintar o rosto e dançar/Se ela não quer ser nossa escrava, dizemos que não nos ama/Se ela é sincera, nós dizemos que ela está tentando ser um homem/Enquanto botamos ela para baixo, fingimos que ela está acima de nós".

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John Lennon e Yoko Ono não usaram a palavra "nigger" para ofender a mulher. John e Yoko usaram a palavra "nigger" como constatação de uma triste realidade.

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Em 1972, quando o disco foi lançado, isso era claríssimo. Woman is the Nigger of the World - depois gravada por Cássia Eller - era um verdadeiro hino feminista.

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Na coleção dos discos de John Lennon - remasterizados e remixados - lançada em 2010, a canção está lá, abrindo o disco duplo Some Time in New York City.

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Também está no box quádruplo Give Me Some Truth (2010), compondo o repertório do disco chamado Working Class Hero, que reúne repertório engajado do artista.

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Nos seus primeiros tempos em Nova York, John Lennon e Yoko Ono, acompanhados pelo grupo Elephant's Memory Band, fizeram dois shows no Madison Square Garden.

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Em meados dos anos 1980, parte do conteúdo dos shows se transformou em disco e vídeo. Woman is the Nigger of the World, naturalmente, está no set list.

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Chegamos, então, a 2025. Primeiro, áudio e vídeo das duas performances passaram por rigorosa restauração e estão no documentário One to One, já lançado.

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E logo mais, por enquanto em pré-venda, chegará ao mercado um box com nove CDs e três Blu-rays de áudio, certamente com estupenda restauração dos originais.

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O box se chamará Power to the People, que é o nome de uma das canções que John Lennon escreveu chamando as pessoas para as manifestações de rua.

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O box traz, entre outras coisas, a íntegra dos dois shows que John e Yoko fizeram em Nova York e uma nova versão remixada do álbum Some Time in New York City.

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O repertório do box já foi divulgado e há algo que chama nossa atenção: Woman is the Nigger of the World não está lá. Nem nos shows do Madison Square Garden, muito menos como faixa de abertura do álbum Some Time in New York City.

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A retirada da canção me trouxe duas lembranças recentes: os Rolling Stones, guiados pelo politicamente correto, deixaram de incluir o mega hit Brown Sugar em seus shows, enquanto Paul McCartney deixou de cantar ao vivo Back in th USSR depois que a Rússia de Vladimir Putin invadiu a Ucrânia de Volodymyr Zelensky.

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No box Power to the People, Some Time in New York City não começa mais com a balada Woman is the Nigger of The World, mas com o rock New York City, que fechava o lado A no álbum original de 1972.

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Oficialmente, não sei o motivo. Posso, mas não vou especular. O que sei é que, morto há 45 anos, John Lennon agora está proibido de cantar esse belo e contundente hino feminista. O mundo ficou chato e careta.

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[Jornal da Paraiba]Jornal da Paraíba

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