Lula sinaliza alinhamento à China sem temer EUA e pede respeito

A viagem da comitiva brasileira à China, iniciada no sábado (10/5) e encerrada na madrugada desta quarta-feira (14/5), marcou uma sinalização clara por parte do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que a China é um parceiro comercial preferencial.

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Na entrevista coletiva concedida a jornalistas nesta madrugada, Lula disse que está alinhado com a China na defesa do multilateralismo. “Outra coisa que me deixa bastante satisfeito é a combinação de interesses nossos na defesa do multilateralismo.”

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A fala é feita no contexto da imposição, por parte dos Estados Unidos, de taxas a produtos de vários países.

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“Tentar estabelecer o unilateralismo agora, acabar com uma coesão que o multilateralismo permitiu na questão comercial é, no mínimo, um equívoco que se está cometendo”, disse Lula, sem citar nominalmente o presidente norte-americano, Donald Trump.

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O governo federal divulgou a intenção de empresas chinesas de investirem R$ 27 bilhões no Brasil. Além disto, houve a assinatura de vários acordos para viabilizar negócios futuros e o intercâmbio de tecnologias.

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No campo da saúde, por exemplo, houve a assinatura de três acordos bilaterais com os chineses. Os tratados incluem a transferência de tecnologia na área de equipamentos de imagem e a construção de uma plataforma industrial de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil. A estrutura pode servir, por exemplo, à produção de vacinas.

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“China e Brasil são parceiros estratégicos e atores fundamentais nos temas globais. Apostamos na redução das barreiras comerciais e queremos mais integração”, afirmou Lula na segunda-feira (12/5).

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Ao mesmo tempo que mostrou alinhamento em relação a vários pontos com os chineses, Lula demonstrou nas falas uma postura de que não tem receio de possíveis retaliações por parte dos Estados Unidos. Ao tratar de comércio exterior, por exemplo, Lula chegou a dizer que o Brasil não tem “medo de competir” com os produtos dos EUA.

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Taxações

Em relação às taxações impostas por Trump aos produtos brasileiros, Lula foi além. Disse estar disposto a implementar uma reciprocidade ou até mesmo a partir para uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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“Se não tiver o acordo, vamos colocar em prática a reciprocidade ou vamos para a OMC brigar pelos nossos direitos”, frisou o presidente brasileiro.

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Embora tenha mostrado independência dos EUA, Lula chegou a fazer um reconhecimento a Trump na atuação dele para tentar encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Por outro lado, o alinhamento à China, deixou claro Lula, não é a aceitação de uma relação de subserviência.

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“Não queremos chefe, não queremos xerife, queremos ser respeitados”, disparou Lula.

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[Metrópoles]

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