— Dependendo do momento da epidemia em que você está, a quantidade de casos em cada compartimento vai ser diferente. Num momento ascendente, estão se acumulando caso ativos, e tem pouca gente saindo lá da ponta como curado. Conforme a epidemia anda, esse perfil vai mudar: terá pouco caso ativo e um monte de gente que se curou.
Alguns médicos têm evitado usar a palavra cura, já que se sabe pouco sobre a dinâmica clínica de longo prazo da doença. A Coreia do Sul, que declara ter 71% de seus pacientes recuperados, aponta que uma parcela pequena testou positivo de novo, depois de ser considerada recuperada. A principal suspeita é que um reservatório latente do vírus no organismo consiga fazer a infecção reemergir ou, então, o teste apontou um falso positivo
Um dos países que estão sendo mais rigorosos com os critérios para contabilizar pacientes recuperados são os EUA — curiosamente, o lugar com um dos índices mais baixos de recuperados. O Centro de Controle de Doenças, autoridade de vigilância sanitária americana, elenca como primeiro critério para conceder alta o período de infecção. Sete dias precisam se passar a partir do início dos sintomas e, depois disso, ao menos três dias sem febre e sem sintomas respiratórios. Para receber um atestado de cura, além disso, uma pessoa precisa passar por dois testes adicionais de Covid-19, com 24h de intervalo entre um e outro, ambos dando resultado negativo.
Em meio à confusão no uso de termos como “alta”, “cura” ou “recuperação”, médicos estão se deparando com pacientes que não não têm um processo de recuperação claro e apresentam algumas sequelas.
Uma servidora pública de 28 anos que falou com o GLOBO e não quis se identificar é um exemplo. Sessenta dias após apresentar os primeiros sintomas, ainda não recuperou o olfato. Do preconceito, do qual foi vítima após ser a primeira vítima do coronavírus diagnosticada no estado, a mulher conseguiu ficar livre e está retornando, aos poucos, à rotina.
— Sou considerada imune à doença e não transmito mais — diz a servidora pública, que acredita não ter infetado ninguém, porque todos os familiares e colegas de trabalho com os quais teve contato testaram negativo.
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