Megaoperação no Rio: especialistas avaliam GLO no combate a facções

A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28/10), reacendeu o debate sobre a implementação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e o enquadramento das facções criminosas organizadas como grupos terroristas. Considerada a mais letal da história do Estado, a ação resultou em 113 presos e ao menos 121 mortos.

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A GLO é uma medida que só pode ser acionada por ordem do presidente da República (a pedidos ou por iniciativa própria), e permite que as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) atuem como polícia, para manter a seguridade pública em casos que as forças de segurança locais tenham esgotado seus esforços.

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Metrópoles ouviu especialistas em segurança pública para entender se as medidas teriam um efeito positivo no enfrentamento ao crime organizado.

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Implementação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO)

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Para o delegado da Polícia Federal (PF) e consultor em compliance e segurança pública, Jorge Pontes, as Forças Armadas são concebidas e treinadas para a defesa do Brasil contra ameaças externas, e não para a segurança pública.

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Para Pontes, a implementação de GLO já foi testada no Rio anteriormente e não apresentou resultados positivos “minimamente duradouros”.

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Roberto Uchoa, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, vai na mesma linha, e avalia que o emprego das Forças Armadas para a segurança pública é um “desvirtuamento das funções da estrutura militar”.

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Uchoa diz que as forças federais podem ajudar na situação do Rio agindo de forma complementar: “Principalmente com troca de informações, de experiências, com planejamento e trabalho conjunto”.

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Na visão de Uchoa, a atuação das Força Armadas, composta por militares que, muitas vezes, sequer conhecem o Rio de Janeiro, é problemática.

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“A gente tem vários casos ao longo do tempo de policiais que acabam sendo vítimas do seu desconhecimento sobre as localidades onde atuam”, disse.

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, questionado sobre a implementação da GLO no Rio, durante coletiva de imprensa na última quarta (29/10), afirmou que o governo “não exclui e nem recomenda a medida.”. Segundo ele, tudo depende do das circunstâncias e do próprio governador do estado.

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Facções do crime organizado como grupos terroristas

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Está em debate na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 1.283/2025, que enquadra facções criminosas como terroristas. A proposta, chamada de PL do Terrorismo, tramita em regime de urgência, mas ainda não tem relatoria.

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Jorge Pontes enxerga a tentativa de enquadrar facções criminosas organizadas como grupos terroristas um “erro conceitual crasso”.

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Para o delegado, as facções criminosas no Brasil, como o Comando Vermelho (CV), tem objetivos estritamente econômicos, e o terrorismo intrinsecamente tem fins políticos. Na avaliação de Pontes, este enquadramento não seria adequado para o enfrentamento ao crime organizado.

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Segundo ele, o termo “narcoterrorista” não cabe no caso das facções brasileiras.

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“O termo ‘narcoterrorismo’ nasceu de uma situação específica na Colômbia dos anos 80. Foi quando as FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) foram empurradas para a selva pelo exército daquele país, e, quando lá chegaram, encontraram, os narcotraficantes promovendo suas operações de produção, refino e transporte de cocaína. Desse encontro realmente ocorreu, a grosso modo, uma associação entre terroristas e traficantes, que se potencializaram entre si. Nesse momento de fato houve, literalmente – a figura do ‘narcoterrorista’, o que não ocorre em nosso país.”, explicou o delegado.

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Para Uchoa, o ideal no combate ao crime organizado seria rastrear e a origem dos armamentos dos grupos, principalmente os de maior letalidade, como fuzis, que, segundo ele, são o que torna possível o controle de territórios pelo crime.

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“Sobre tráfico de armas, sobre armamento, porque é através das armas que as comunidades são subjugadas, e através das armas que torna ainda mais difícil a retomada do controle desses territórios pelo governo.”, disse.

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