O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu restringir a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A medida surge após o órgão ter exposto movimentações financeiras consideradas atípicas de ministros da Corte e seus familiares em relatórios de inteligência. Esses documentos foram enviados a Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), gerando repercussão e desgaste para os magistrados citados.
Os relatórios elaborados pelo Coaf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, têm a função de produzir inteligência financeira e identificar transações incomuns de pessoas e empresas. Recentemente, documentos enviados às CPIs do INSS e do Crime Organizado revelaram relações comerciais e financeiras envolvendo figuras como o ministro Dias Toffoli, o filho do ministro Nunes Marques, e a esposa do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça. O Coaf opera de duas maneiras principais: enviando informações espontaneamente a órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, e produzindo levantamentos específicos sob demanda para investigações em andamento. É justamente nesta última modalidade que se encaixam os pedidos das CPIs, que definem os alvos e os períodos a serem analisados.
A decisão de Alexandre de Moraes impõe novas regras para a solicitação de relatórios ao Coaf. Agora, é obrigatório que os pedidos contenham uma declaração expressa de que a pessoa ou empresa em questão figura formalmente como investigada. Além disso, é preciso apontar uma clara “pertinência temática” entre o conteúdo dos relatórios e o objeto da apuração. Essa medida visa garantir que as investigações sejam direcionadas e que os dados financeiros obtidos sejam estritamente relevantes para os casos em questão, evitando o uso indevido das informações.
Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf também estiveram no centro de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo contra corrupção policial. A Operação Bazaar identificou uma situação de “epidemia” de solicitação de RIFs para fins de extorsão. A suspeita é de que os relatórios, contendo dados financeiros sensíveis, estivessem sendo utilizados de forma indevida como instrumento de pressão e extorsão dentro de investigações policiais. A situação levanta preocupações sobre a segurança e o uso adequado das informações financeiras sigilosas coletadas pelo órgão.
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