Netanyahu luta por seu futuro político

[Editado por: Marcelo Negreiros]

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sempre foi muito bom de discurso. Nem precisa de media training. Suas palavras diretas se assemelham a lanças que atingem seu objetivo. 

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Tal habilidade, porém, começa disputar espaço com um clamor que vem crescendo em boa parte da sociedade israelense, inclusive entre setores liberais. A desconfiança é de que, nas ações do atual governo, há algo além da garantia da autodefesa de Israel, considerada vital por todos os cidadãos.

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O primeiro-ministro tem recebido repetidas acusações de que prolonga a guerra movido a interesses pessoais. Inclusive para evitar a prisão em caso de condenação em processos que está sendo julgado.

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Desta forma, a luta contra o grupo terrorista Hamas, e mais seis frentes, conforme o próprio Netanyahu costuma frisar, ganhou para ele mais um front. Não tão sangrento, mas que pode causar até sua morte política: o front interno. 

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Além da pressão encabeçada por familiares dos reféns, pelo fim da guerra na Faixa de Gaza, tem pesado contra ele o depoimento do ex-chefe do Shin Beit (Serviço de Segurança), Ronen Bar, demitido em março por Netanyahu. A situação colocou o primeiro-ministro em uma posição fragilizada. 

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Em depoimento juramentado para a Suprema Corte de Israel, na terça-feira 22, Bar acusou Netanyahu de tê-lo tentado induzir a realizar tarefas de “lealdade pessoal.”

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Para a especialista em política israelense, Revital Poleg, em meio a esta pressão, não é possível destituir apenas o primeiro-ministro sem derrubar o governo como um todo.

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Ex-diplomata, Revital trabalhou com o ex-primeiro-ministro Shimon Peres (1923-2016) — quando ele era Ministro das Relações Exteriores — durante os Acordos de Oslo, em 1993 e 1995.

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Ela considera que, para Netanyahu deixar o cargo, seria necessário aprovar uma moção de desconfiança com maioria absoluta (61 votos mínimo) — algo que a oposição, no cenário atual, não tem, segundo ela, capacidade de alcançar. 

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“Mesmo que a opinião pública esteja em desacordo com Netanyahu em diversas questões, não há uma via parlamentar viável para retirá-lo do poder”, afirma Revital a Oeste. Ela, também atuou como chefe de gabinete e assessora de Assuntos Internacionais do presidente do Knesset (Parlamento), Avraham Burg, entre 1999 e 2003.

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Netanyahu atribui todas as acusações à perseguição de opositores. E resiste. Na demissão de Bar, ele contrariou decisão da Suprema Corte, o que provocou uma enxurrada de críticas em relação a uma suposta intenção de acabar com a democracia israelense.

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Pesquisa do Canal 12 indicou que 60% da população quer a renúncia do primeiro-ministro, aquele que por mais tempo permaneceu no cargo em Israel, no total de 16 anos e três meses. 

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Desde 2019, o país vive uma instabilidade, com cinco eleições ocorrendo para confirmar o bloco de Netanyahu no poder. Ele só deixou o cargo, neste período, por cerca de um ano, entre 2021 e 2022, quando retornou com força, com base no apoio de grupos ortodoxos.

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Esta fase de Netanyahu coincide com uma série de acusações contra ele. Ele está sendo julgado pelo Tribunal Distrital de Jerusalém, por suspeitas de suborno, fraude e quebra de confiança, em três casos separados. 

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Caso seja condenado, poderá recorrer à Suprema Corte e tem resistido, inclusive eleitoralmente, nos últimos anos.

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A questão da guerra, que suscitará um comitê investigativo especial, e a polêmica com o ex-chefe do Shin Beit, no entanto, obrigaram ele a fazer um esforço dobrado para se manter no poder.

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Nas últimas eleições, realizadas em 1º de novembro de 2022, o partido Likud, liderado por Netanyahu, obteve o maior número de votos e conseguiu formar uma coalizão governista com 64 dos 120 assentos do Knesset.

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Esse número aumentou para 67 depois da entrada do partido de Gideon Sa’ar (ministro das Relações Exteriores) na coalizão. Isso, no entanto, não é o único fator que o mantém no cargo.

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“Benjamin Netanyahu é, sem dúvida, uma pessoa extremamente inteligente — um dos líderes mais brilhantes do mundo atualmente”, afirma Revital. “Ele possui uma compreensão profunda das dinâmicas internacionais e uma notável capacidade de análise. Além disso, sua visão macroeconômica é sólida, algo essencial para quem lidera um país. Essas são qualidades importantes e reconhecidas inclusive por muitos de seus opositores.”

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Ela considera, no entanto, que Netanyahu se desgastou com sua permanência excessiva no poder. A legislação israelense não limita o número de mandatos.

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“A permanência prolongada no cargo, infelizmente, costuma corroer valores éticos — o que parece ter ocorrido também neste caso”, ressalta a ex-diplomata. “Com o passar dos anos, a perspectiva moral pode se distorcer, e o vínculo direto com o público tende a se enfraquecer.”

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Defesa de Netanyahu

O poder, para Netanyahu, parece ser uma obsessão. A cadeira confortável na sede do governo é o objeto que mais lhe traz segurança. Mesmo em meio à guerra, às sirenes que alertam para bombardeios e à sensação de vulnerabilidade da população.

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“Não sou psicóloga, mas a impressão é de que Netanyahu tem dificuldade em imaginar a si mesmo fora do cargo”, resume a especialista. “Além disso, ele parece fortemente influenciado por pessoas próximas, especialmente membros de sua família, que demonstram grande interesse na manutenção do poder — nem sempre por razões alinhadas ao bem público.”

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Revital acrescenta que, com o tempo — e desde que foi formalmente acusado de corrupção, fraude e quebra de confiança em 2018 — a conduta política dele se deteriorou. 

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“Depois dos eventos traumáticos de 7 de outubro de 2023, esse processo se intensificou ainda mais.”

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Netanyahu não titubeia em defesa de sua política. Ele rebate as acusações, chamando opositores de hipócritas que querem a rendição do país. Como arma, utiliza a força de seu discurso, para muitos com a eloquência que lembra a do Rei Davi nos tempos em que unificou as tribos de Israel. Ou de um texto da Hagadá, livro que relata a saída dos judeus do Egito.

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“Se eu tivesse cedido a esses apelos: não teríamos entrado em Rafah, não teríamos tomado o corredor Filadélfia, não teríamos realizado a Operação Pagers, não teríamos eliminado Sinwar, Deif, Haniyeh ou Nasrallah, não teríamos criado as condições para a queda do regime de Assad e um golpe duro contra o eixo iraniano, não teríamos mudado a face do Oriente Médio”, declarou.

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O tom dele era quase bíblico, capaz de seduzir qualquer população ávida por recuperar a autoestima e com medo de voltar a ser atacada. “Simplesmente teríamos continuado a viver sob um perigo existencial”, completou o primeiro-ministro.

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A guerra contra o Hamas pode ter deixado Netanyahu acuado. Mas, nesta política israelense cheia de contradições, também o elevou ao patamar de um líder que, depois dos ataques terroristas, conseguiu, bem ou mal, proteger as fronteiras de Israel.

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É nesta crença que ele quer que a população continue se apegando. Para que não o abandone de vez. Até quando, é uma resposta que só os profetas saberiam dar.

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