O que disseram os réus dos núcleos 2 e 4 da trama golpista em depoimento ao STF

[Editada por: Marcelo Negreiros]

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Filipe Martins nega confecção da minuta do golpe: 'Tomei conhecimento pela imprensa'

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Filipe Martins nega confecção da minuta do golpe: 'Tomei conhecimento pela imprensa'. Crédito: Youtube STF

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O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta quinta-feira, 24, os interrogatórios dos réus dos núcleos 2 e 4 da trama golpista. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022 foi fatiada em núcleos. Ao todo, 13 réus foram interrogados. As sessões permitem questionamentos do juiz, da acusação e das defesas.

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Enquanto o núcleo 1, chamado de “crucial”, é integrado pelos ocupantes de posições de comando, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o núcleo 2 refere-se aos acusados de operacionalizar a tentativa de permanência no poder. Já o núcleo 4 é formado por acusados de disseminarem desinformação.

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  • Fernando Oliveira: ‘Pedi a Torres adiamento de viagem’

  • Filipe Martins nega minuta do golpe e discute com juiz

  • Marcelo Câmara se sentia ‘usado’ por Cid

  • Mário Fernandes: Plano para matar Lula foi ‘pensamento digitalizado’

  • Marília Alencar nega propósito eleitoral em projeto de BI

  • Silvinei Vasques nega ordem de blitzes em regiões pró-Lula

  • Reginaldo de Abreu confirma sugestão de reunião com ‘rataria’

  • Giancarlo Gomes confirma buscas sobre parente de Barroso

  • Bormevet diz que nunca teve acesso ao First Mile

  • Presidente do IVL negou vazamento sobre ‘fraude nas urnas’

  • Ailton Barros: ‘Choradeira de perdedor’

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Os interrogatórios foram realizados de forma concomitante nas Turmas do STF, em modalidade virtual, e conduzidos por juízes auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais por tentativa de golpe.

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Núcleo 2

Fernando Oliveira: ‘Pedi a Torres adiamento de viagem’

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“Esbocei (preocupação) e até pedi a reconsideração da viagem”, disse Oliveira. “Ministro, será que não seria (o caso de) adiar dois, três dias ali?“, contou nesta quinta sobre o que disse quando era secretário-executivo ao seu superior. Apesar do alerta de seu subordinado, Torres manteve a viagem.

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Filipe Martins nega minuta do golpe e discute com juiz

O ex-assessor Bolsonaro para assuntos internacionais Filipe Martins negou ter confeccionado uma das versões da “minuta do golpe” e voltou a alegar que não deixou o País ao final de 2022. A saída do ex-assessor foi apontada pela Polícia Federal e motivou a prisão preventiva de Martins em fevereiro de 2024. Em depoimento, ele afirmou que se considera um preso político.

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Martins assumiu a autoria de um discurso em que o então presidente Jair Bolsonaro reconheceria a derrota nas urnas. O depoimento do ex-assessor foi marcado por bate-bocas entre réu, juiz, defesa e acusação.

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Marcelo Câmara se sentia ‘usado’ por Cid

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Marcelo Câmara é réu por supostas ações de monitoramento de Alexandre de Moraes. Em depoimento, o coronel atribuiu a Mauro Cid, seu colega na ajudância de ordens de Bolsonaro, a responsabilidade por vigiar o ministro do STF. Câmara disse que se sentia “usado” por Cid.

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Ainda segundo Câmara, as informações coletadas por ele não “tinham profundidade e nem são completas em termo de monitoramento”.

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Mário Fernandes: Plano para matar Lula foi ‘pensamento digitalizado’

O general Mário Fernandes assumiu a autoria do esboço que previa o assassinato de autoridades como Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Moraes. O membro do alto escalão do governo Bolsonaro alegou que se tratava de um “pensamento digitalizado”.

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“Não passa de um pensamento digitalizado. Hoje, eu me arrependo disso, era apenas um pensamento de um militar, que não foi compartilhado com ninguém”, declarou Mário Fernandes, que era secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência (SGP) na época dos fatos investigados. O general chegou a assumir a SGP interinamente durante o governo de Jair Bolsonaro.

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O general confirmou que imprimiu o plano, mas, logo depois, o “rasgou”. “Eu imprimi para não forçar a vista e logo depois eu rasguei. Não compartilhei com ninguém”, disse Fernandes.

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Marília Alencar nega propósito eleitoral em projeto de BI

Segundo a acusação, a delegada da PF Marília Alencar, que era diretora de inteligência do Ministério da Justiça, realizou um projeto em Business Intelligence (BI), uma linguagem de programação, para identificar as regiões com maior incidência de votos em Lula, adversário de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. De acordo com a PGR, o relatório seria utilizado para intensificar o policiamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em regiões mais favoráveis ao petista.

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Marília confirmou ter demandando o projeto de BI, negando que o relatório tivesse propósitos eleitorais. “Pedi (o painel de dados) de todos os municípios, não só do Nordeste, e para todos os candidatos”, disse. “Eu nunca pensei em usar esse BI (acrônimo de business inteligence, o painel) para a PRF ou para qualquer que fosse", afirmou a ex-diretora.

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Silvinei Vasques nega ordem de blitzes em regiões pró-Lula

Ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques negou ter ordenado blitzes em regiões mais favoráveis a Lula no dia do segundo turno das eleições de 2022.

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“Não participei de organização. Fui cuidar da minha vida. Não sei de documento, não participei de nada”, disse o ex-diretor da PRF sobre a acusação de tentativa de golpe.

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Núcleo 4

Reginaldo de Abreu confirma sugestão de reunião com ‘rataria’

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Reginaldo Vieira de Abreu, coronel da reserva do Exército, confirmou ter sugerido ao general Mário Fernandes uma reunião “com a rataria” para tratar de um plano de golpe.

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Segundo o militar, a mensagem tratou-se de “um desabafo”. Abreu era chefe de gabinete de Fernandes. Embora tenha proposto um encontro entre Bolsonaro e a “rataria”, Abreu negou ter contato com o ex-presidente.

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Giancarlo Gomes confirma buscas sobre parente de Barroso

Giancarlo Gomes, subtenente do Exército, confirmou que, enquanto atuava na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), buscou elos entre um parente de Luís Roberto Barroso, ministro do STF, e a empresa Positivo, que fabricou as urnas usadas em 2022.

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A PGR acusa Giancarlo de integrar um “núcleo de contrainteligência”, responsável por produzir desinformação contra opositores com o aparato da Abin.

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Bormevet diz que nunca teve acesso ao First Mile

O policial federal Marcelo Bormevet também é acusado de integrar o “núcleo de contrainteligência” da tentativa de golpe. Em depoimento, Bormevet negou conhecer Bolsonaro e alegou que nunca teve acesso ao programa First Mile.

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“Eu nunca tive acesso ao sistema e meus subordinados não tinham acesso. Mas o Giancarlo tinha acesso ao sistema antes de chegar na minha coordenação”, disse. O policial também negou ter produzido desinformação.

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Presidente do IVL negou vazamento sobre ‘fraude nas urnas’

O presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, alegou que o relatório produzido pela organização sobre as urnas eletrônicas era apenas uma “auditoria técnica” e não pretendia expor “fraudes” no equipamento.

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“No nosso relatório não existe desinformação, apenas fatos constatados e documentados sobre o que estava presente na urna”, disse Moretzsohn. “Não cabia ao Instituto Voto Legal tratar de fraude ou falhas de programação”.

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Ailton Barros: ‘Choradeira de perdedor’

Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército, negou ter pressionado comandantes a aderirem ao plano de golpe. Segundo a denúncia da PGR, o general Walter Braga Netto orientou Ailton Barros a atacar o tenente-brigadeiro Baptista Júnior, então comandante da Aeronáutica, que negou apoio à trama golpista, e elogiar o almirante de esquadra Almir Garnier, então comandante da Marinha que, supostamente, teria endossado o plano.

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“Senta o pau no Baptista Júnior. Povo sofrendo, arbitrariedades sendo feitas e ele fechado nas mordomias. Negociando favores. Traidor da pátria. Daí pra frente. Inferniza a vida dele e da família (…) Elogia o Garnier e fode o BJ”, teria dito Braga Netto, conforme mensagens interceptadas pela Polícia Federal.

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Para Barros, o pedido de Braga Netto era uma “choradeira de perdedor de campanha”. “Eu estava entendendo aqui como um desabafo e não tive conduta. Não ataquei general nenhum. Não respondo a essas mensagens”, disse o ex-major.

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[Por: Estadão Conteúdo]Source link

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