O interesse mundial é quase infinito: na Inglaterra, há sites que publicam notícias sobre os Beatles todos os dias do ano
A banda já estava um processo de desintegração e Paul havia assumido o controle. Segundo Lennon, em uma entrevista na época, isso tornou o filme “preparado por Paul e para Paul”. “Foi um dos motivos pelos quais os Beatles acabaram.” A nova versão de Jackson privilegia a parte criativa e musical das gravações, além da amizade e os momentos de descontração entre os músicos. Traz ainda as imagens restauradas dos 42 minutos do último show no teto da gravadora Apple, em 30 de janeiro de 1969.
Por que, então, os Beatles ainda nos fascinam? A resposta tem motivos musicais e culturais óbvios, mas permite também uma leitura psicológica mais subjetiva: os Beatles são uma metáfora da vida. John, Paul, George e Ringo tinham uma química inexplicável que acontece uma vez a cada eternidade. Além do talento e do carisma, cada um revelou-se profeticamente como arquétipo: John era a rebeldia; Paul, o amor; George, a espiritualidade; Ringo, a graça. Juntos, eram os Beatles. Nós os amamos porque somos uma mistura dessas quatro personas, com intensidades e porcentagens diferentes. Podemos ser ingênuos como Paul, rebeldes como John ou, às vezes, descompromissados e leves como Ringo. A trajetória dos Beatles se tornou um mito porque se confunde com o nosso próprio amadurecimento: acompanhamos a transformação dos garotos em homens, a descoberta do amor e os problemas do casamento, o desencanto da juventude, a substituição do coletivo pelo individual. Ao olhar para os quatro juntos, descobrimos que eles não são apenas os Beatles: são todos nós.
“Quando eu era criança, ouvia Led Zeppelin e Deep Purple e só conhecia a primeira fase da banda, achava meio careta. Só mais tarde fui entender a inteligência e riqueza harmônica da banda. Os Beatles tiveram grande impacto musical, mas também influenciaram a sociedade. Paul é um grande músico, John ainda é um símbolo do pacifismo, George trouxe a inspiração mística. Só quando aprendi a tocar “Blackbird” no violão é que compreendi a dimensão dos Beatles.”
“Os Beatles potencializaram a música pop e mudaram a cara do rock. Começaram com um estilo Elvis Presley, mas foram se sofisticando até chegar no “Revolver” e “Sgt. Pepper’s”. E daí incorporaram mil influências: John Cage, música contemporânea, erudita,renascentista inglesa. Assim como o século 18 teve Mozart, na Áustria, e o século 19 teve Beethoven, na Alemanha, os Beatles serão a grande marca da música do século 20. Do Black Sabbath ao Radiohead, do Yes ao Metallica, tudo passou e passa pelos Beatles. Se alguém me pergunta “como fazer música pop?”, mando aprender uma música dos Beatles. É a melhor escola para um compositor até hoje. Todas as experimentações que eles fizeram foram geniais, todas são pertinentes e ainda estão vivas. Os Beatles são eternos. Bach, Villa-Lobos, Beethoven, Chopin, Mozart… para mim eles estão nessa galeria. E sempre estarão.”
“Sou quem eu sou por causa dos Beatles. São relevantes até hoje porque são a maior, a melhor e mais importante banda de todos os tempos. A qualidade de suas músicas transcendeu o rock. Eles não seriam os Beatles se não fossem os quatro, John, Paul, George e Ringo. Foram grandes pioneiros, mudaram tudo. Não só musicalmente, mas na maneira de gravar, de tocar, de se vestir, de usar cabelos compridos. Todo músico que veio depois foi influenciado por eles.”
Você viveu o auge da Beatlemania. O que os Beatles tinham de tão especial?Eles exerciam muita influência sobre as pessoas. Colocaram orquestras e trouxeram a Índia para a música pop, instrumentos novos como a cítara e o mellotron. Foi um impacto mundial, não apenas restrito à Inglaterra. Eles foram os primeiros a fazer uma música universal.
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