Um **ato inter-religioso** promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba marcou uma etapa significativa no acordo estabelecido em um caso de **intolerância religiosa**. O evento, realizado na última sexta-feira (6) na sede do MPF em João Pessoa, reuniu diversas lideranças religiosas e contou com a participação remota do cantor **Gilberto Gil**. O ato simbolizou um novo momento de paz e reconciliação no estado, com destaque para o pedido de desculpas de um representante da Igreja Católica, um marco inédito na Paraíba.
A procuradora do MPF, Janaína Andrade, ressaltou a importância de desmistificar a associação negativa entre religiões de matriz africana e o mal. Gilberto Gil, pai da cantora Preta Gil, agradeceu o que chamou de "ato de reparação" e expressou o desejo por mais compreensão e menos intolerância na sociedade. "Que sigamos daqui pra frente com mais compreensão, menos intolerância e melhor futuro nas nossas relações múltiplas, amplas de todos nós como indivíduos e sociedade", declarou Gilberto Gil durante sua participação online.
O advogado da família Gil, Vinícius Assumpção, reforçou que a retratação do padre transcende a esfera individual, representando uma **luta coletiva contra o racismo religioso**. "Uma reparação que vai para muito além da família e do individual e que representa também anseios coletivos de que o racismo religioso não seja praticado de forma impune", afirmou Assumpção.
O caso de intolerância religiosa ocorreu em 27 de julho, quando um padre, durante uma homilia transmitida ao vivo, associou a fé de Preta Gil em religiões de matriz afro-indígena à morte. Ele também fez declarações pejorativas sobre fiéis que buscam essas práticas, chamando-as de "coisas ocultas" e desejando que "o diabo levasse" quem as procurasse. As falas foram consideradas preconceituosas, levando à abertura de um boletim de ocorrência por intolerância religiosa.
Em acordo com o MPF, o padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, comprometeu-se a cumprir diversas medidas para evitar a ação penal. Entre elas, estão a realização de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, elaboração de resenhas sobre livros da temática e o pagamento de uma prestação pecuniária de R$ 4.863,00 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes. O acordo foi homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage, e a confissão sobre a conduta de intolerância religiosa poderá ser usada como prova em caso de descumprimento dos termos.
Dom Dulcenio Fontes de Matos, bispo da Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia onde as declarações foram proferidas, enviou uma carta manifestando o "interesse institucional da Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso". Ele reiterou o "compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas", demonstrando o apoio institucional à resolução pacífica do conflito e à promoção da **tolerância religiosa**.
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