PDT vive crise de identidade e ameaça de debandada em cenário que se agravou após escândalo do INSS

[Editada por: Marcelo Negreiros]

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O PDT enfrenta uma crise de identidade e encolhimento político às vésperas da reorganização para as eleições de 2026. Sob o comando de Carlos Lupi, a sigla deixou de se apresentar como terceira via e pode depender de uma federação para sobreviver eleitoralmente.

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A legenda conta atualmente com 17 deputados e 3 senadores, mas se prepara para uma debandada. No Ceará, reduto histórico do partido, correligionários avaliam que apenas André Figueiredo deve permanecer. Outros quatro deputados discutem migração para o PSB ou siglas como o União Brasil.

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Com isso, o foco do partido passou a ser montar uma chapa competitiva para deputado federal, a fim de evitar ser barrado pela cláusula de desempenho - que exige pelo menos 13 deputados eleitos ou cerca de 2,5% dos votos válidos distribuídos em nove estados.

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Uma das estratégias para vencer a cláusula seria formar uma federação, mecanismo defendido pelo atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT). “Os partidos grandes que não estão ameaçados com a cláusula de barreira estão fazendo federação. Como é que nós, pequenos, ameaçados pela cláusula de barreira, vamos ignorar?”, afirmou.

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A possibilidade de formar uma federação ainda enfrenta resistência interna, com integrantes rejeitando acordos que, segundo eles, poderiam “apequenar” o partido, dando como exemplo uma federação com o PSB, considerada inviável também devido ao racha entre os irmãos Ciro e Cid Gomes.

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Ao Estadão, o líder do PDT na Câmara, Mário Heringer, reconheceu que o partido deve perder alguns deputados federais no Ceará, mas afirmou que as conversas para atrair novos nomes de outros estados estão adiantadas. Apesar de considerar o cenário desafiador, Heringer projeta um desempenho melhor do que em 2022. “Se lá por outubro ou novembro verificarmos maiores dificuldades poderemos recorrer à federação”, pondera o pedetista.

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Deputados que planejam permanecer no PDT apostam que a formação de federações de outras legendas pode atrair para a sigla parlamentares insatisfeitos com os acordos locais de suas siglas, o que abriria espaço para reforçar a bancada do partido.

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Crise se agravou após o escândalo do INSS

As divergências se espalharam por várias frentes, principalmente após o escândalo da fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que levou Lupi a deixar o Ministério da Previdência Social. Na Câmara, o líder do PDT anunciou o desembarque da bancada da base do governo Lula, enquanto os senadores seguem apoiando a gestão petista.

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O movimento, no entanto, não foi consensual e gerou embate entre Heringer, alinhado a Ciro, e o deputado Dorinaldo Malafaia (AP), que defende a permanência na base, durante reunião no último dia 20, que marcou a volta de Lupi ao comando da legenda.

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Na mesma reunião, o líder do PDT no Senado, Weverton Rocha, criticou a posição de isenção, afirmando que não é possível ficar sem um lado. Sob condição de anonimato, um deputado afirmou que não há como votar diferente do que a sigla já vota. “Vamos votar contra nossos princípios porque a gente quer sinalizar para o PT que nós estamos insatisfeitos? Não tem como. Nossos votos são históricos”, alegou.

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Por mais de três horas, os parlamentares tentaram chegar a um acordo sobre que caminho adotar. Apesar dos embates, integrantes da sigla minimizaram as discussões sobre a retirada da bancada da base, classificando como um “ruído de comunicação” que já foi resolvido.

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A falta de espaço no governo Lula é uma das queixas mais recorrentes. Pedetistas afirmam que, apesar de ter uma bancada que votava de forma alinhada ao governo, o PDT tem pouca representação na Esplanada.

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Atualmente, comanda dois ministérios: Previdência Social, entregue a Wolney Queiroz, uma indicação pessoal de Lula que recebeu críticas de pedetistas, e Integração e Desenvolvimento Regional, com Waldez Góes. Este último, porém, apesar de ser filiado ao PDT, foi indicado pelo União Brasil, por meio de uma costura de Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

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O desconforto cresceu após a saída de Lupi da Previdência, mesmo com a substituição por Wolney Queiroz, seu número 2 até então. A nomeação de Adroaldo da Cunha Portal como secretário-executivo da Pasta, também gerou incômodo, uma escolha que, segundo pedetistas, não representa o partido.

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O PDT também enfrenta uma crise interna no Ceará, seu principal reduto. A divisão reflete o racha que se acentuou nas eleições de 2022, quando Ciro Gomes impôs a candidatura de Roberto Cláudio (União) ao governo, contrariando o grupo de Cid Gomes, que defendia a reeleição de Izolda Cela e a manutenção da aliança com o PT.

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O episódio levou ao rompimento da aliança histórica e, posteriormente, à saída de Cid e outros 43 prefeitos, que migraram para o PSB, enfraquecendo a sigla no Estado. Para um deputado, os dois devem “superar” a briga, já que o PDT “pagou o preço” por esse racha e Cid Gomes “é quem manda nos votos” da região e, sendo assim, o partido precisará negociar com o pessebista.

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Para estrategistas próximos a Ciro, o PDT passou anos atuando como um “acessório da esquerda” e, com isso, perdeu sua identidade. A avaliação é que Ciro chegou a alimentar anos atrás a expectativa de ser escolhido por Lula como seu sucessor, o que não se concretizou. Eles questionam os motivos que ainda mantêm Ciro no PDT, atribuindo sua permanência principalmente à amizade com Carlos Lupi.

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Uma ala cirista defende que ele dispute novamente a Presidência, mas parlamentares rejeitam a ideia e o responsabilizam por prejudicar a eleição de deputados em 2022, ressaltando ainda que ele “não teria fôlego”.

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Segundo correligionários, Ciro tampouco foi uma terceira via nas últimas eleições, já que terminou a corrida em quarto lugar, com 3,04% dos votos, atrás de Simone Tebet, com 4,16%. Para eles, o pedetista está “deslocado” e “sem voz” dentro da sigla. Ciro tem mantido conversas com Tasso Jereissati, que articula a possível ida do pedetista para o PSDB.

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PDT perdeu espaço nos Estados e municípios

O partido tem perdido espaço não apenas no Congresso, onde viu quase um terço da bancada federal nos últimos dez anos deixar a sigla, mas também nos Estados e nos municípios.

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Atualmente, a legenda ocupa somente o cargo de vice-governador em dois Estados: Amapá (Antônio Teles Júnior) e Sergipe (Zezinho Sobral). No Ceará, o partido elegeu apenas cinco prefeitos em 2024 - 62 a menos que em 2020. Em Fortaleza, ficou em terceiro lugar, com 11,75% dos votos.

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As eleições municipais de 2024 expuseram também o aprofundamento do conflito no Ceará, quando o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio decidiu apoiar o bolsonarista André Fernandes (PL) no segundo turno contra Evandro Leitão (PT).

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No início do mês, Ciro Gomes se reuniu com lideranças bolsonaristas do PL, União Brasil e Progressistas, sinalizando a construção de uma aliança contra o PT nas eleições do próximo ano.

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Ciro chegou a endossar o nome de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes, para o Senado Federal. Para aliados, o pedetista está disposto a se aproximar de setores bolsonaristas em nome de uma oposição mais contundente ao PT no Estado. No mesmo encontro, Ciro havia citado o nome de Roberto Cláudio para o governo. No entanto, Cláudio anunciou que irá para o União Brasil. O ato de filiação deverá ocorrer na primeira quinzena de julho.

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Para pedetistas, o diretório do Ceará deveria definir uma posição e levá-la à executiva nacional para que se analise a decisão de Ciro, já que o PL atua de forma totalmente contrária às bandeiras e aos interesses do partido.

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Apesar do movimento de Ciro, o PDT é um partido historicamente de esquerda, fundado como herdeiro do trabalhismo. A sigla ganhou força na redemocratização, mas entrou em crise nos anos 1990 com a ascensão de PT e PSDB.

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Após a morte de Leonel Brizola, em 2004, Lupi assumiu a presidência e tentou reorganizar a sigla. A chegada de Ciro Gomes, em 2015, foi vista como uma tentativa de reconstrução, mas suas candidaturas à Presidência em 2018 e 2022, somadas às crises no Ceará, acirraram divisões internas.

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[Por: Estadão Conteúdo]Source link

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