A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 11, a terceira fase da Operação Barco de Papel, focada em investigar supostas irregularidades em aportes realizados pelo RioPrevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, no Banco Master. A operação cumpriu dois mandados de busca e apreensão nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema, no litoral de Santa Catarina, com autorização da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
A ação policial teve um momento de grande tensão quando, ao chegarem a um apartamento em Balneário Camboriú, um dos ocupantes tentou se desfazer de uma mala cheia de dinheiro em espécie, jogando-a pela janela. Além da quantia recuperada, a operação resultou na apreensão de dois veículos de luxo e dois smartphones. A PF informou que esta nova fase foi motivada por "indícios de obstrução de investigações e de ocultação de provas".
O RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões no Banco Master, instituição que foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. As suspeitas recaem sobre a operação de créditos considerados "podres", sem qualquer garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que poderia ter gerado prejuízos significativos aos servidores públicos. A operação suspeita que as aplicações foram aprovadas de forma irregular, incompatíveis com a finalidade do instituto de previdência e expuseram os servidores a "risco elevado".
Os crimes investigados incluem crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva. A investigação já atingiu ex-diretores do fundo, como Euchério Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após as suspeitas virem à tona.
Em 3 de fevereiro, o ex-presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso. Ele havia deixado a direção do fundo em 23 de janeiro, logo após a primeira fase da Operação Barco de Papel, e viajou para os Estados Unidos. Ao retornar, ao invés de seguir para o Rio de Janeiro, ele alugou um carro em Guarulhos e seguiu pela Rodovia Dutra, sendo interceptado e preso em Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro. A fuga e a tentativa de se desfazer da mala de dinheiro em Santa Catarina reforçam as suspeitas de que provas estavam sendo ocultadas.
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