PF diz que advogada recebeu R$ 920 mil por decisão do pai desembargador: ‘acertar nosso ganha pão’

[Editada por: Marcelo Negreiros]

Leia mais

A Polícia Federal afirma que a advogada Renata Pimentel, filha do desembargador Sideni Soncini Pimentel, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, recebeu R$ 920 mil em propinas para o pai.

Leia mais
Estadão Leia mais

O advogado Pierpaolo Bottini, que representa o desembargador Sideni Pimentel, afirma que todas as suas decisões foram fundamentadas, que ele nunca atuou em casos em que seus filhos fossem advogados e que jamais recebeu qualquer vantagem indevida no exercício da jurisdição.

Leia mais

“A defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento”, afirma o criminalista.

Leia mais

Segundo a PF, o dinheiro foi repassado em troca de um voto favorável à venda da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, avaliada em R$ 20 milhões.

Leia mais

A fazenda estava em inventário e a transmissão de propriedade só foi possível graças a uma decisão da 4.ª Câmara Cível. Sideni era o relator do processo. Os desembargadores Vladimir Abreu da Silva e Júlio Roberto Siqueira Cardoso (aposentado) também participaram do julgamento, em maio de 2024.

Leia mais

“Entendemos ser fruto de corrupção dos desembargadores citados”, afirma a Polícia Federal.

Leia mais

Os magistrados estão afastados das funções desde a Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro de 2024. O conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, do Tribunal de Contas do Estado, e os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos e Marcos José de Brito Rodrigues também estão fora dos cargos por ordem judicial.

Leia mais

Os afastamentos foram prorrogados no último dia 22 pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal.

Leia mais

Em representação de 281 páginas enviada ao ministro, o delegado federal Marcos André Araújo Damato, da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor) da PF em Mato Grosso do Sul, detalha um suposto esquema milionário de venda de sentenças no Tribunal de Justiça. O documento transcreve diálogos e revelam como magistrados e advogados articularam nos bastidores decisões relativas a propriedades rurais de grande valor.

Leia mais

Renata não advogou para nenhuma das partes no espólio da Fazenda Santo Antônio. Mensagens encontradas no celular dela, no entanto, revelam diálogos no WhatsApp com o advogado Júlio Greguer Fernandes, que atua no processo, para viabilizar a liberação da propriedade. “Tamo junto nesse inventário, né? (sic)”, escreve a advogada em uma das mensagens.

Leia mais

Em outra conversa, os dois marcam em encontro e Renata pede a Júlio que chegue antes para “acertar nosso ganha pão”.

Leia mais

Outro advogado procura Renata para conversar sobre o espólio. Trata-se de Gabriel Affonso de Barros Marinho, constituído pelo comprador interessado na Fazenda Santo Antônio.

Leia mais

A advogada afirma a Júlio Fernandes que Marinho teria “que se sentir parte”, do contrário poderia “melar” o negócio. Os três acabam acertando o pagamento de R$ 100 mil a Marinho.

Leia mais

“Falei com a cliente do seu cliente. Consegui tirar 100k para mata os seus 50 para cada 1. Assim que ela recebe entrada do Claudio, pode ser?”.

Leia mais

Em outro diálogo, Renata pergunta a Marinho se poderia ligar para ele para falar “sobre $”.

Leia mais

Segundo a Polícia Federal, a advogada recebeu R$ 530 mil repassados via Pix pelo escritório de Júlio Greguer e R$ 390 mil pelo comprador da fazenda. No dia seguinte, ela transfere R$ 200 mil para o sócio, Fábio Pinto de Figueiredo.

Leia mais

Para justificar a transferência, Renata envia o rascunho de um contrato de prestação de serviços jurídicos em nome do sócio para a “finalidade específica de obter a concessão de alvará para venda” da fazenda.

Leia mais

As conversas e pagamentos ocorreram em outubro 2022. O recurso só foi julgado pelos desembargadores em maio de 2024. Segundo a PF, “o lapso temporal entre tais datas (um ano e sete meses) não afasta a conclusão acima pois era necessário o andar do processo de inventário para que a questão fosse novamente submetida à câmara cível de Sideni Pimentel”.

Leia mais

Para a Polícia Federal, há provas suficientes de corrupção dos desembargadores. Cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece ou não denúncia.

Leia mais

COM A PALAVRA, RENATA

A reportagem busca contato com a advogada e os demais citados. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com; fausto.macedo@estadao.com).

Leia mais

[Por: Estadão Conteúdo]

Leia mais

Source link

Leia mais

Gostou deste story?

Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!

Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!

MNegreiros.com