Um caso emblemático ocorrido em março de 2011 mostra o quanto o Brasil precisa evoluir no respeito aos portadores de necessidades especiais ou mobilidade reduzida. A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica, passou pelo constrangimento de esperar duas horas para desembarcar de uma aeronave da TAM, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.Funcionários justificaram – ou pelo menos tentaram – que o carrinho elevador,ambulift, que interliga as aeronaves aos terminais de desembarque estava quebrado havia um mês e meio. Daí, a descida ocorreria nos braços, o que não foi aceito por Mara Gabrilli. Horas depois, o equipamento foi disponibilizado, o que a lei obriga.Esse é somente um dos inúmeros problemas que os portadores de necessidades especiais ou mobilidade reduzida enfrentam no dia-a-dia, devido ao não-cumprimento das leis que lhes asseguram tratamento diferenciado e, acima de tudo, da falta de conscientização de gestores públicos e empresários que simplesmente ignoram a questão da acessibilidade, direito garantido pela Lei nº 10.098 , de 19 de dezembro de 2000.Obstáculos no meio do caminhoNo ano passado o Patos em Cena foi às ruas para avaliar como a cidade trata a questão, que é muito mais cultural do que de ordem financeira, conforme comentou Corjesus Paiva, assessor institucional do Crea-PB. O órgão, juntamente com o MPE, tratou do assunto, num seminário realizado na cidade. Foram constadas várias irregularidades em ruas e prédios, inclusive os públicos. Um dos graves problemas é que o material e entulho da construção civil são deixados nas calçadas, o que obriga os transeuntes a dividir espaços nas ruas com veículos. Se já é difícil para qualquer pessoa a locomoção nessas condições, imaginem para quem tem algum tipo de limitação. Voltando agora em 2012 pouca coisa mudou. De acordo com o cadeirante, Jamerson da Silva, transitar pelas ruas de Patos é uma verdadeira maratona. No centro da cidade, por exemplo, há fiteiros, expositores de lojas, jarros, placas de publicidade, mesas e cadeiras. Soma-se isso, o desnivelamento de calçadas; rampas de acesso aos veículos que tomam toda a extensão do espaço e pisos escorregadios. Outra dificuldade relatada por Jamerson, bacharel em Direito, diz respeito ao acesso ao fórum Miguel Sátyro, onde os júris são realizados na parte superior do prédio. “Para acompanhar um julgamento, tenho que ser levado nos braços”.No começo do ano passado, o diretor do Fórum Miguel Sátyro, à época, Juiz Antônio Maroja Limeira Filho, solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado a instalação de um elevador no prédio.
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