O Ministério Público do Maranhão apresentou uma denúncia contra o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), sua esposa, a primeira-dama Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas, além de outros familiares, incluindo o pai, irmãos, tio e cunhados do gestor. A acusação central é a de integrarem uma organização criminosa responsável pelo desvio de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município, que possui cerca de 33 mil habitantes.
A investigação, que tramita no âmbito da Operação Tântalo II, revelou um esquema de desvios milionários que teria envolvido servidores do setor de pregões e compras do município. A denúncia oferecida pelo MP foca no núcleo político e familiar do prefeito, que é acusado de “promover, organizar, dirigir e integrar organização criminosa, valendo-se do cargo público para assegurar o funcionamento do esquema”.
Segundo o documento, Paulo Curió teria desviado, “por diversas vezes, em proveito próprio e de terceiros, rendas e valores públicos mediante contratos fraudulentos”. O chefe do Executivo municipal também é apontado por “fraudar processos licitatórios, restringindo a competitividade e frustrando o caráter competitivo dos certames”, além de “ocultar e dissimular a origem, movimentação e titularidade dos valores ilícitos, mediante interpostas pessoas, empresas e bens”.
Além do prefeito e seus familiares, a denúncia inclui a vice-prefeita Tanya Karla Cardoso Mendes Mendonça e a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima. Ambas são acusadas de formação de organização criminosa voltada a fraudes de licitações em Turilândia. Ao todo, dez investigados foram denunciados na Operação Tântalo II.
A operação, deflagrada em 22 de dezembro pelo Gaeco, levou à prisão do prefeito, dos onze vereadores da cidade, de um secretário e de empresários. Segundo as investigações, o esquema teria desviado R$ 56 milhões das áreas de Saúde e Assistência Social por meio de empresas de fachada.
Durante as buscas, os promotores apreenderam uma grande quantidade de dinheiro vivo, estimada inicialmente em R$ 5 milhões. O nome da operação faz referência a Tântalo, personagem da mitologia grega condenado a uma punição eterna, representando o esquema onde recursos públicos não resultaram em benefícios efetivos à população.
Os onze vereadores presos na Operação Tântalo II permanecem em prisão domiciliar, mas continuam despachando da Câmara de Turilândia. Durante audiência, todos os vereadores optaram por permanecer em silêncio, invocando o direito de não se autoincriminar.
O Estadão busca contato com as defesas de todos os dez denunciados. O espaço para manifestação está aberto. O Ministério Público do Maranhão informou que uma segunda denúncia será oferecida no âmbito da Operação Tântalo até o fim desta semana, indicando que novas revelações podem surgir.
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