[Editada por: Marcelo Negreiros]
Desde o anúncio do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros em julho, na tentativa de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), outras sanções também foram impostas a autoridades brasileiras, totalizando pelo menos 18 afetados por medidas dos Estados Unidos.
Familiares de ministros da Corte também foram sancionados, mas seus nomes não foram divulgados. Já a lista de parentes que nominalmente sofreram sanções inclui duas mulheres, casadas com dois ministros, e uma criança de dez anos, filha de um deles.
A revogação de vistos tem sido a punição mais comum. Porém, o governo americano incluiu o ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, aplicada contra violadores de direitos humanos, em 30 de julho, mesmo dia em que Trump oficializou a tarifa de 50% a produtos brasileiros.
Nesta segunda-feira, 22, a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, também foi sancionada com base na lei.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi outro alvo do governo americano e teve seu visto cancelado. Segundo a agência americana Reuters, outros sancionados pelo governo Trump são: o ex-procurador-geral José Levi, o ex-juiz eleitoral Benedito Gonçalves, o juiz auxiliar e assessor do Supremo Airton Vieira, o ex-assessor eleitoral Marco Antonio Martin Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, outro assessor de Moraes.
A punição ocorre um dia após milhares de manifestantes irem às ruas em diversas cidades brasileiras protestarem contra a anistia encampada por bolsonaristas para que o ex-presidente não cumpra os 27 anos e 3 meses de prisão aos quais foi condenado neste mês pela Suprema Corte. Os atos também rejeitaram a PEC da Blindagem aprovada pela Câmara.
Antes de Moraes ser alvo da lei, considerada “estrangulamento financeiro”, ele e outros sete ministros já haviam tido seus vistos americanos cancelados. O anúncio foi feito dia 18 de julho, e teve como alvo o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Edson Fachin e ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Só ficaram de fora da lista de sanções impostas pelo governo americano André Mendonça e Nunes Marques, indicações de Bolsonaro, e Luiz Fux, que mais tarde absolveria o ex-presidente de todos os crimes, em um voto de mais de 12 horas.
Quase um mês depois da revogação dos vistos dos ministros, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou dois novos alvos: o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde Mozart Júlio Tabosa Sales, e Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro.
Rubio justificou a medida baseado no programa “Mais Médicos”, política pública criada no governo de Dilma Rousseff para suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil. Para os EUA, os funcionários foram “foram cúmplices do esquema do regime cubano de exportação de trabalho forçado”.
Dois dias depois, em 15 de agosto, os vistos da mulher e da filha de dez anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também foram cancelados. O dele estava vencido desde 2024, portanto, não foi alvo, mas a ofensiva afetou o trabalho do ministro. Na última sexta-feira, 19, Padilha desistiu de viajar para o encontro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington, porque o governo Trump criou limitações para sua circulação no território americano, apesar de ter lhe concedido o visto.
[Por: Estadão Conteúdo]Source link
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