Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso pela PF

Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, é preso pela PF em Ponta Grossa

Filipe Martins, que atuou como assessor especial para Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi detido nesta sexta-feira (2) em sua residência, localizada em Ponta Grossa, no Paraná. A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

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Martins é réu no chamado “núcleo 2” da operação, acusado de ter “operacionalizado” o plano golpista. Sua prisão ocorre após uma série de desdobramentos recentes, incluindo uma determinação de Moraes em 29 de dezembro, que exigia que a defesa de Martins esclarecesse, em até 24 horas, uma suposta violação das medidas cautelares impostas. O ministro alegou que Martins acessou seu perfil no LinkedIn no mesmo dia, descumprindo a proibição de acesso a redes sociais.

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Histórico profissional e a ligação com o bolsonarismo

Aos 38 anos, Filipe Martins é natural de Sorocaba (SP) e possui formação em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Ele também frequentou cursos na Escola Superior de Guerra. Sua carreira política teve início em 2019, quando assumiu o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais na Presidência da República, logo no começo do governo Bolsonaro. Anteriormente, trabalhou com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o período de transição.

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Em seu currículo, Martins destaca experiências como intérprete, tradutor, assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e professor preparatório para concursos. Sua aproximação com a família Bolsonaro remonta a 2014, quando conheceu Eduardo Bolsonaro pela internet, que se tornou seu padrinho político. Martins também se declara um entusiasta de Olavo de Carvalho, figura central do pensamento bolsonarista.

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Acusações e condenações

Filipe Martins já enfrentou acusações sérias, incluindo a de fazer um gesto associado a supremacistas brancos dentro do Senado em março de 2021. Na ocasião, ele alegou estar apenas ajeitando a lapela do terno. O Ministério Público Federal (MPF) pediu sua condenação por racismo, argumentando que o sinal remetia ao acrônimo “WP”, em referência a “White Power” (Poder Branco). Após ser absolvido em primeira instância, a decisão foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em novembro de 2023, e ele voltou a ser investigado.

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Em dezembro de 2024, Martins foi condenado pela Justiça Federal em Brasília por racismo, recebendo uma pena de dois anos e quatro meses de reclusão, convertida em prestação de serviços comunitários, além de multas. A defesa de Martins, na época, classificou a decisão como baseada em “conjecturas políticas”.

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A Minuta Golpista e o papel de Martins

No inquérito que apura a tentativa de golpe, Filipe Martins é apontado como integrante do “núcleo 2”, responsável pela “operacionalização” do plano. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), este grupo teria oferecido suporte jurídico, operacional e de inteligência, incluindo a elaboração da chamada “minuta golpista”. Este documento previa a instauração de um estado de exceção no país. A acusação sustenta que Martins participou da elaboração de uma das versões da minuta, o que é veementemente negado por sua defesa, que afirma que ele apenas tomou conhecimento do teor da proposta pela imprensa.

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