[Editada por: Marcelo Negreiros]
O setor de bebidas alcoólicas é o que mais tem perdas com sonegação de impostos, contrabando e fraudes no País. Em 2024, o segmento teve um prejuízo de R$ 88 bilhões com o mercado ilegal, dois bilhões a mais que no ano anterior. Os dados são do Anuário da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), obtido com exclusividade pela Coluna do Estadão.
De acordo com a ABCF, 36% dos destilados vendidos no País, por exemplo, são falsificados. A associação afirma que os produtos são modificados de forma ilegal com substâncias como metanol, usados em solventes.
No total, as perdas no País com o mercado ilegal, muitas vezes comandado pelo crime organizado, foram de R$ 471 bilhões em 2024. Depois do setor de bebidas, os mais afetados são: vestuário (R$ 51 bilhões); combustíveis (R$ 29 bilhões); material esportivo (R$ 23 bilhões); perfumaria (R$ 21 bilhões); e defensivos agrícolas (R$ 20,5 bilhões).
A ABCF critica a desativação, em 2016, do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), que foi criado em 2008 e registrava em tempo real a produção de bebidas nas fábricas, por meio de sensores instalados nas linhas de produção. Os dados eram cruzados pela Receita Federal com as declarações fiscais das empresas. O caso está em disputa no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Durante seu funcionamento, o Sicobe representou um golpe no crime organizado. O governo não tem mais o controle do volume de bebidas circulando no país, o que impulsionou muito a sonegação”, afirma o diretor da ABCF, Rodolpho Ramazzini.
Como mostrou a Coluna, contudo, o próprio setor de bebidas é contra a retomada do Sicobe. O Tribunal de Contas da União (TCU) havia determinado a reativação do sistema, mas o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, concedeu uma liminar para suspender os efeitos da decisão. O segmento de bebidas, então, lançou um manifesto em apoio à decisão do magistrado.
“O papel do Sicobe ficou no passado, visto que nos últimos anos a própria RFB desenvolveu novos e modernos sistemas de fiscalização. Paralelamente a isso, o setor de bebidas cresceu em tamanho e investiu bilhões em tecnologia e inovação, garantindo mais eficiência, transparência e controle da produção em todas as etapas, do campo ao copo do consumidor”, dizia o manifesto de associações do setor de bebidas.
[Por: Estadão Conteúdo]Source link
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!