Uma pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Travessia com oito eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022 revela um cenário de profunda desilusão com o ex-presidente e uma forte rejeição ao sobrenome Bolsonaro. Apesar de não avaliarem positivamente o governo atual de Lula (PT), esses eleitores descartam a possibilidade de votar em qualquer candidato da família Bolsonaro nas próximas eleições.
As conversas, mediadas pelo cientista político Renato Dorgan, evidenciaram um sentimento unânime de que o Brasil está pior após três anos de governo petista. No entanto, o antipetismo não se traduz em apoio ao bolsonarismo. Quando solicitados a definir Jair Bolsonaro em uma palavra, os participantes usaram termos como “maluco”, “covarde”, “falastrão”, “instável”, “mentiroso” e “pilantra”. Uma das entrevistadas sentiu-se “traída” pelo ex-presidente.
A condução da pandemia, o excesso de declarações polêmicas e a percepção de que Bolsonaro “prometeu demais e, na hora H, se acovardou” foram pontos criticados. A inelegibilidade do ex-presidente e sua detenção passaram sem grandes contestações, mas a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda foi motivo de piada e crítica.
A rejeição ao ex-presidente se estende ao próprio sobrenome. A relação de Jair Bolsonaro com os filhos é vista de forma problemática, e a maioria descarta votar em candidatos da família. A auxiliar administrativa M. compara o ex-presidente aos “pais de hoje em dia, que passam a mão na cabeça dos filhos”, e acredita que “qualquer membro da família Bolsonaro que entrar na política terá Bolsonaro por trás de tudo”.
As impressões sobre Flávio Bolsonaro, pré-candidato, são difusas, variando de uma percepção de sensatez a considerá-lo “o pior dos filhos de Bolsonaro, muito manipulador”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é vista com menos resistência, mas a gerente de logística C. pondera que ela “nunca exerceu um mandato” e que o eleitorado precisa de “político, não de alguém que fique bem nas fotos”.
Os participantes expressaram um forte desejo por uma alternativa fora da polarização. Nesse cenário, Tarcísio de Freitas (Republicanos) surge como uma opção com grande receptividade. Todos afirmaram que votariam no governador, embora a avaliação de sua gestão em São Paulo seja mais matizada, com a maioria considerando-a regular. Apesar disso, Tarcísio é visto como “o candidato ideal para Bolsonaro”, transmitindo segurança e a impressão de falar a verdade.
Outros governadores de direita, como Ratinho Júnior e Romeu Zema, são pouco conhecidos pelo grupo, mas há disposição em conhecê-los e até em votar neles em um eventual confronto com Lula. A pesquisa indica que a família Bolsonaro teria “graves dificuldades de repetir a mesma votação de Bolsonaro em São Paulo em 2022”, pois o sobrenome se tornou um fator de isolamento entre eleitores moderados à direita e de centro.
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