Esperança para adultos que têm pé torto congênito. Um médico ortopedista brasileiro desenvolveu um tratamento que consegue corrigir o problema de adultos sem cirurgia.
Quatro pacientes tratados pelo Dr. Davi Haje conseguiram calçar tênis pela primeira vez na vida.
O tratamento é inédito no mundo e foi publicado no mês passado na revista científica internacional JOCR– Journal Of Othopedic Case Reports.
O Dr. Davi Haje trabalha no Hospital de Base de Brasília e usa o método Ponseti, que consiste no uso de gesso, trocado toda semana, para remodelar os pés.
“Este sucesso terapêutico único em um paciente adulto com pé torto bilateral idiopático negligenciado mostrou que o método de Ponseti é uma boa opção de tratamento”, diz a publicação científica.
Até agora acreditava-se que o método só funcionava em crianças com menos de 1 ano de vida, por isso tantos adultos convivem há anos com o problema.
“Eu fazia esse tratamento em crianças e dava certo, comecei a fazer em crianças com idades mais avançadas e adolescentes, com sucesso. Então, pensei, porque não tentar em um adulto? Tentei e deu certo. Comparando os resultados com pacientes operados, percebi que essa técnica é muito melhor. É sem cicatriz, recuperação mais rápida e corrige uma deformidade intensa. Para mim, é uma satisfação ajudar essas pessoas”, disse Davi Haje ao IGESDF.
Quatro brasileiros que nasceram com pés tortos congênitos já passaram pelo tratamento com o Dr. Haje, tiveram sucesso.
O quarto paciente que teve sucesso é Eugênio Marques de Almeida (foto abaixo), de 27 anos, que mora no Piauí e veio a Brasília para fazer o tratamento.
Na última sexta-feira, 21, após sete meses de tratamento, ele retirou o gesso e pode ver os pés na posição certa e, assim, calçar um tênis pela primeira vez. Os calçados foram dados de presente pelo Dr. Davi Haje.
“Ter esse problema dificulta muito, eu não posso ajudar meu pai. Meu sonho é ajudar meu pai e minha mãe. Sinto muita dor na coluna. Agora, eu vou poder ajudar eles. Eu não pude fazer isso na infância. Quero trabalhar”, disse Eugênio.