Alta de casos de dengue reacende teorias conspiratórias no debate político das redes sociais

“As mensagens seguem a lógica da pandemia numa divulgação massiva feita de forma muito coesa, organizada e coordenada por esses grupos”, explica Andressa Costa, pesquisadora do Instituto Democracia em Xeque e do Centro de Administração e Políticas Públicas (CAAP) da Universidade de Lisboa. Nesse cenário, as hashtags mais associadas às buscas tem sido #Lulagenocida, #EsquerdaCriminosa, #EsquerdaGenocida, e #ForaLula. “Podemos perceber que são praticamente as mesmas mensagens que eram usadas contra o então presidente Jair Bolsonaro pela esquerda e que agora servem aos grupos de direita”, diz a pesquisadora.

Os movimentos organizados utilizam as hashtags de oposição associando o governo federal com a alta nos casos de dengue por todo o Brasil e mencionando um recorde de mortes pela contaminação que não corresponde à realidade. As mortes, cujos números superestimados só existem nas fake news, servem para criar um movimento também semelhante ao que aconteceu com a covid. Acusa-se o governo de não comprar ou produzir – o Instituto Butantã – vacinas suficientes para atender a população.

Alguns exemplos destacados pela pesquisadora, principalmente no Telegram, mostram o tipo de mensagem que vem ganhando espaço nas redes sobre a vacinação contra a dengue. Uma dessas mensagens, do senador Marcos Pontes (PL-SP), diz: “Você sabia que o Brasil já poderia estar protegido contra a dengue? Alertei em 19 de abril de 2023, quando enfrentamos um surto da doença, que o Brasil já estava apto para adquirir a vacina de um laboratório japonês”, diz um desses posts do senador que foi ministro da Ciência e Tecnologia no governo de Bolsonaro.

Por: Estadão Conteúdo


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