Apenas reflita.

Por Marcos Nogueira – Jornalista

Quem acompanha os embates políticos na Paraíba há de convir que as campanhas para governo do Estado sempre foram competitivas, sendo o resultado final quase uma interrogação. “Quem será o vencedor?”

E, salvo a eleição de 1982, quando Wilson Braga superou Antonio Mariz com uma larga diferença de votos, todos os pleitos foram marcados pelo digladiamento, o que equivale a um corpo a corpo sem muito ou nenhum favoritismo. Foi assim, até recentemente, com Cássio Cunha Lima contra Roberto Paulino e depois contra Zé Maranhão e Ricardo Coutinho tendo como adversário Zé Maranhão e, depois, Cássio Cunha Lima. Somente uma ressalva: na campanha contra Cássio Cunha Lima, Ricardo Coutinho usou, já, dinheiro da “máquina” e das propinas agora descobertas.
Como se não bastasse tanta afronta ao eleitorado ou aos paraibanos, Ricardo Coutinho lança como candidato o que era considerado um “poste”, na pessoa de um desconhecido politicamente: João Azevedo!
Pasmem. Azevedo iria ter contra si nada menos que Zé Maranhão e Jucélio Cartaxo. E o panorama fazia crer que tudo eram favas contadas! Engano.
Contra esses dois fortíssimos candidatos algo capaz de destruir muitos “edifícios de moralidade”: dinheiro! E foi o que aconteceu, como ficou provado na Operação Calvário.
E a grana correu frouxa. Dinheiro para comprar adversários e ‘ municiar’ correligionários. Dinheiro para eleger deputados e fazer João Azevedo o candidato a governador mais votado da história política da Paraíba. E caviar, uísque, champagne, faisão, foram comidos e bebidos na granja Santana. E Estela Bezerra pôde dar ênfase a seus instintos sexuais, com gosto de cocaína, segundo declarações de Pâmela Bório e de uma ex-funcionária da referida granja. E tudo eram flores. O reinado iria continuar!
Ricardo Coutinho se achava mais poderoso do que Deus… isso porque é um ateu e na sua egolatria ou narcisismo não via mais do que seu reflexo no espelho. Mas castelos não são feitos para a eternidade e tudo um dia tem seu fim. Chegou o fim de Ricardo Coutinho, o pobre Ricardo!
Agora, não mais o cortejo de bufões e nem o império da chibata. Não dirá mais à Pâmela:”Você sabe do que sou capaz!” Nada mais! Agora é pagar pelo mal praticado, sob o manto de construções ou obras no Estado. Essas serviam para superfaturamento e consequente lavagem de dinheiro. Agora: a sombra das paredes de um cárcere e a água que bebem todos os presos, onde pagará pelos seus crimes e onde certamente se incluirá o de Bruno Ernesto, que renasce das sombras da impunidade para pedir justiça!
Não foi bom conhecer Ricardo Coutinho. Aliás, foi. Foi porque, vendo sua conduta, posso me orgulhar do que sou e também posso mostrar aos meus como é ruim ser mau, como é ruim ser desonesto, como é ruim ser como o foi e continua sendo, Ricardo Coutinho de Lucena!


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