Apoiadores ignoram pedido de Bolsonaro e manifestam na praça da Liberdade, em BH

Presidente da República disse que seria prudente adiar o ato por causa do avanço do coronavírus no Brasil


Mesmo após desconvocação de Jair Bolsonaro (sem partido), apoiadores do presidente da República se reúnem em um autodenominado movimento nacional pró-governo, na manhã deste domingo em todo Brasil. Em Belo Horizonte, a mobilização é realizada na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul da capital mineira. Milhares de pessoas empunham cartazes e gritam atacando o Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). O chefe do Governo Federal desconvocou a mobilização, na última quinta-feira, por conta do avanço do coronavírus no Brasil.


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Faixas e gritos contra Rodrigo Maia, Dias Toffoli e Rodrigo Maia, presidentes de Câmara dos Deputados, STF e Senado Federal, eram constantes. Além disso, músicas do Exército Brasileiro eram tocadas para os manifestantes, alguns com máscaras de proteção. A intervenção militar também foi requisitada no evento.
O tom dos manifestantes foi o mesmo adotado por apoiadores depois da desconvocação do governo. Algumas mensagens com as #DesculpaJairMasEuVou e #DesculpaJairMasEuVouDia15 foram publicadas nas redes sociais e foram refletidas no ato.
Um dos movimentos direitistas de Minas Gerais, o Direita Minas seguiu a recomendação de Bolsonaro. “Por orientação do presidente Jair Bolsonaro, em respeito à sua posição, não participaremos da organização das manifestações do dia 15. Agradecemos a compreensão de todos”, diz a nota.
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Pedido de Bolsonaro
Na noite da última quinta-feira, em pronunciamento oficial veiculado no rádio e na TV, Bolsonaro pediu aos apoiadores que repensassem a ida às manifestações previstas para este domingo. Pouco antes, durante transmissão ao vivo semanal que faz pelo Facebook, o presidente foi mais direto e sugeriu o adiamento dos protestos.
Após ter dito na última terça-feira que a “questão do coronavírus” não era “isso tudo” e que se tratava muito mais de uma “fantasia” propagada pela mídia no mundo todo, Bolsonaro recuou. Devido ao contato recente com infectados, o presidente realizou exames de rotina, mas testou negativo à doença. Outros testes foram feitos, mas os resultados ainda não foram divulgados.

“O que nós devemos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas, porque os hospitais não dariam vazão a atender os pacientes. Se o governo não tomar providências sobe, e depois de um certo limite, o sistema não suporta. Pode morrer pessoas por outros motivos, vão dizer que é o coronavírus. Como presidente da República, tenho que tomar alguma posição. Se bem que o movimento não é meu, é espontâneo e popular. Uma das ideias é adiar, suspender, adiar, e daqui um mês, dois, fazer a manifestação. Já foi dado um tremendo recado ao Parlamento. O recado foi dado”, disse Bolsonaro na rede social.
Manifestação, em tese, pró-governo
Organizadores e o próprio Governo Federal dizem que a manifestação é em prol do Executivo nacional, e não contra o Legislativo e o Judiciário do país. Na última terça-feira, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma fala de Bolsonaro sobre a mobilização, no qual nega ataques a outros poderes.
“As manifestações do dia 15 de março não são contra o Congresso, nem contra o Judiciário. São a favor do Brasil”, dizia o material. Porém, assim como na divulgação da manifestação pelas redes sociais, os ataques ao Congresso e ao STF foram explícitos durante o ato.
Coronavírus no Brasil e em Minas
No mais recente balanço do Ministério da Saúde, disponibilizado na tarde desse sábado, o número de casos confirmados do coronavírus chegou a 121, com outros 1.496 suspeitos. Duas confirmações estão em Minas Gerais: uma em Divinópolis, e outra em Ipatinga.
A Secretaria de Estado de Saúde divulgou, também na tarde desse sábado, outros dois casos de coronavírus em Minas, ainda não contabilizados nas contas federais. Os pacientes moram nas cidades de Juiz de Fora e Patrocínio.
Com informações do Estado de Minas


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