Bruno Meyer

Por que a Amazon comprou uma empresa de robôs por US$ 1,7 bi


A Amazon já vendeu mais de 40 milhões de robôs para residências em seu site. É um número robusto e ajuda a explicar a compra atual da iRobot: o gigante fundado por Jeff Bezos não só vai vender, mas também será a partir de agora a fabricante e dona de uma das empresas pioneiras no desenvolvimento dos robôs domésticos.

A empresa norte-americana comprou a iRobot, fabricante de robôs domésticos que popularizou nos dois últimos anos os robôs-aspiradores a partir do Roomba, um dos primeiros e mais populares robozinhos limpadores do mercado. No ano passado, a Amazon lançou o Astro, um robô que limpa a casa e cuida dela quando os donos estiverem fora. Mas o preço do Astro segue caro, quase US$ 1,5 mil.

A compra da iRobot custou US$ 1,7 bilhão e foi paga em dinheiro, sem participação de ações. Trata-se da quarta maior aquisição da história da empresa. Há poucos dias, a Amazon comprou a One Medical, uma plataforma de saúde que oferece consulta on-line e presencial e atua em todo o território dos Estados Unidos. O negócio foi mais caro: US$ 3,9 bilhões, sendo a terceira maior aquisição da empresa. A maior delas foi a rede de supermercados Whole Foods, feita em 2017, por US$ 13,7 bilhões. Em segundo, o estúdio de cinema MGM, no valor de US$ 8,4 bilhões.

Ou seja, em poucos anos, a Amazon foi de uma rede de supermercados a uma empresa de robô.

A atual aquisição da iRobot tem sido considerada como oportunidade para a Amazon. A dona dos robôs tem enfrentado ventos contrários atualmente. Ela foi uma das empresas sensações no período de pandemia, com os lockdowns no mundo.

Muita gente passou a comprar um robozinho-aspirador para o lar. Agora, a iRobot tem um excesso de estoque em meio a pedidos abaixo do esperado. O valor de mercado dele é 75% menor que o registrado em 2021. A Amazon, portanto, achou que era a hora certa de comprar a empresa — e diversificar os negócios.





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Jô Soares: ‘O Brasil não perdeu a graça’


Entrevistei Jô Soares em dois momentos. O primeiro foi no auge de seu Programa do Jô, depois de uma gravação em sua ampla sala na Globo. O segundo foi às vésperas do seu aniversário de 80 anos, uma entrevista muito mais intimista e reveladora, em seu apartamento em Higienópolis em São Paulo. Falou de humor, política, televisão, planos e o filho Rafael.

Jô era uma joia rara — um artista completo: fez história no humor brasileiro com cerca de 300 personagens e, com inteligência, conseguiu se reinventar na carreira ao trocar de função: virar um entrevistador em que o show era dele e as histórias — de famosos a anônimos — faziam parte do programa. Ficou 28 anos no ar com dois talk-shows no SBT e Globo e realizou 15 mil entrevistas.

Não preciso mais falar dele, porque Jô era um figura tão presente na vida de gerações que cada um vai se lembrar de um personagem, bordão, entrevista, história do Gordo. Até porque muitos realmente não iam para cama sem ele. Por isso, vou deixar o que ele me contou na última entrevista que me concedeu à época para revista Veja, no fim de 2017:

Dos personagens cômicos que o senhor fazia, algum seria rejeitado hoje?

Praticamente todos. A patrulha está um inferno. Qualquer um deles poderia ser patrulhado, porque a patrulha não vê nada. A patrulha é burra, sempre. Mas talvez os mais problemáticos fossem o Pai da Bicha e o Capitão Gay. Se bem que eu sempre fui contra qualquer forma de preconceito. Sou um anarquista.

É mais difícil fazer humor hoje, então?

Tenho 58 anos de profissão, com carteira assinada, e nunca vi uma coisa tão raivosa e medíocre de certas pessoas. Você viu o ódio que as pessoas colocam nos comentários sobre o João Gilberto? E com a Fernanda Montenegro? Mas há de se fazer humor mesmo assim. A grande arma do humor é a anarquia. Falo para os humoristas: façam, mesmo sob risco de serem apedrejados.

O Livro de Jô foi feito a partir de 104 encontros com o jornalista Matinas Suzuki Jr. O que mais o emocionou nessas conversas sobre sua vida?

Falar do Rafa (Rafael Soares, filho de Jô, morto em 2014). Diziam que eu escondia meu filho. Mentira! As pessoas não entendem que falar de um filho autista é difícil. Eu saía muito com o Rafinha. Ele amava música, era um pianista extraordinário. Ele olhava para você e dizia: “Sua música é tal”, de acordo com seu estado. É uma coisa sobrenatural, meio mágica.

O Brasil ficou mais conservador ou os conservadores, a partir das redes sociais, mostraram suas caras?

As duas coisas. O brasileiro é conservador. Sempre foi, mas disfarçava. “Êêê, tem Carnaval, oba”. Oba? Que oba? Como assim? Você vê que a grande música do Ary Barroso começa dizendo que o brasileiro é um “mulato inzoneiro”. As pessoas pensam que é um elogio. Inzoneiro, quer dizer, vagabundo, preguiçoso. Hoje, talvez ele seria preso por botar mulato numa música.

O Brasil ainda tem graça?

Tem. O humor, para mim, é uma visão de mundo. Perguntei tempos atrás ao cardeal de São Paulo, dom Odilo Scherer: “Padre, pode doar sangue?”. “Claro”, ele respondeu. “E esperma?”. Ele caiu na gargalhada. Tem pessoas que devem ter ficado chocadíssimas de eu fazer uma pergunta dessa para um cardeal. Mas temos de fazer. Gente, é humor. Não há limite. O Brasil não perdeu a graça. Eu só tenho medo que se perca a esperança.

Um beijo, Jô.





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Morto aos 58 anos, João Paulo Diniz tinha uma série de negócios no Brasil


Morto, neste domingo 31, aos 58 anos, o empresário paulistano João Paulo Diniz tinha uma série de negócios nos mais variados setores. Filho de Abílio Diniz, um dos empresários mais importantes e ricos do país, João começou a vida profissional como trainee do Pão de Açúcar, rede de supermercados fundada pelo avô Valentim dos Santos Diniz, nos anos 1980, e que se transformou numa potência nas mãos do pai.

Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, ele passou mais de cinco anos no grupo na área de planejamento e importantes projetos da marca, como a liderança do Pão de Açúcar Delivery, sistema de entrega em domicílio em até 24 horas, com pedidos feitos via telefone ou fax, e no projeto do cartão de crédito Specialcard, do próprio Pão de Açúcar.

Em 2003, saiu da diretoria executiva, com todos os membros da família Diniz, e passou a integrar o conselho de administração da companhia. Eles mantiveram a posição até o grupo francês Casino assumir o controle do Grupo Pão de Açúcar, em junho de 2012.

Fora do Pão de Açúcar, João Paulo abriu um leque de novas vertentes de negócios. Pela empresa de investimentos Componente, ele era sócio de companhias como a rede de academias Bodytech, a incorporadora Idea!Zarvos, de prédios de classe média alta, e o restaurante italiano Forneria San Paolo, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo.

Também trabalhava no conselho da Península Participações, holding de investimentos da família Diniz, e do Instituto Península, organização social fundada em 2011 para projetos relacionados a esporte e educação.

Praticante do triatlo, como o pai, participava de maratonas desde os anos 1980. Fez parte do time brasileiro que competiu na Race Across America, cujo objetivo é cruzar os Estados Unidos de bicicleta, e no Ironman, famosa prova que inclui 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e 41 quilômetros de corrida. A última participação esportiva de João Paulo ocorreu neste fim de semana, em Paraty, no Rio de Janeiro.

A causa da morte ainda não foi confirmada, mas familiares suspeitam de que ele tenha tido um infarto ou um aneurisma. João Paulo Diniz deixa quatro filhos e a mulher, Ana Garcia.





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Grupo polonês vai investir R$ 710 milhões em nova fábrica de latas


O grupo polonês Canpack vai investir R$ 710 milhões para construir sua quarta fábrica no Brasil, onde chegou em 2016. A cidade escolhida foi Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, e marca a entrada da empresa na região Sudeste. Com sede em Cracóvia e com 28 fábricas em 17 países, a Canpack já está presente no Nordeste, no Estado do Ceará, e no Centro-Oeste, no Estado de Goiás.

Somado esse investimento em Minas com um aporte recente de R$ 360 milhões, feito para uma fábrica de tampas em Manaus, a Canpack vai investir quase R$ 1,1 bilhão no Brasil.

O início da operação está previsto para o fim do primeiro trimestre de 2024 e 140 postos de trabalho devem ser abertos. A nova unidade fabril terá uma capacidade de produzir 1,3 milhão de latas ao ano. O Brasil é o terceiro maior mercado de latas de alumínio para bebidas do mundo e líder na reciclagem desta embalagem metálica.

Para os executivos da empresa, o uso da lata tem um vínculo direto com o verão, a praia, Carnaval, Copa do Mundo e outros eventos, como Rock in Rio. Por isso, há uma grande expectativa com este segundo semestre.





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Bill Gates perde o posto de 4º homem mais rico do mundo


O bilionário indiano Gautam Adani desbancou Bill Gates e se tornou a quarta pessoa mais rica do mundo. A fortuna de Adani subiu para US$ 112,5 bilhões na quinta-feira 21, superando o cofundador da Microsoft em US$ 230 milhões, de acordo com o índice de bilionários da Bloomberg.

Adani construiu seu império no agronegócio, com carvão e portos e sobe no ranking de riqueza tradicionalmente dominado por empreendedores dos gigantes de tecnologia dos Estados Unidos. Ele se tornou um centibilionário em abril, juntando-se ao clube que inclui Elon Musk e Jeff Bezos.

Adani largou a faculdade depois de criar uma empresa de comércio agrícola, no fim da década de 1980. Nos últimos tempos, ele tem diversificado seus investimentos rapidamente, para energia verde, aeroportos, data centers, serviços digitais e mídia.

Em abril, a Adani Enterprises, maior empresa do grupo, disse que havia estabelecido uma nova subsidiária de mídia, sinalizando suas ambições de explorar o mercado de entretenimento local, em rápido crescimento. Recentemente, ele também explora potenciais parcerias com a Aramco, incluindo a possibilidade de comprar uma participação no gigante petrolífero saudita.

Leia também: “O Brasil, o mundo e as angústias da Europa” artigo de J.R Guzzo para a Edição 121 da Revista Oeste.





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Vendas do Iguatemi batem recorde no segundo trimestre

Quem comanda os shoppings brasileiros de média e alta renda já projetava vendas altas no segundo trimestre de 2022. O CEO do gigante Multiplan, José Isaac Peres, disse há três semanas que o setor estava incrivelmente bem, com estacionamento lotado no Dia dos Namorados e vendas de 30% a 40% maiores que em 2019.

Na noite de quarta-feira 13, os shoppings Iguatemi divulgaram os resultados do segundo trimestre de 2022. As vendas totais da empresa cresceram 30,2% no período, para R$ 4,3 bilhões, um recorde para o período, com oito shoppings crescendo mais do que 30% no trimestre. A comparação é com o mesmo período de 2019, segundo prévia operacional divulgada pela companhia.

Quando avaliados por segmento, o destaque é para moda, calçados e artigos de couro, com um avanço de 51,2%. Artigos diversos, saúde & beleza, joalheria cresceram 31,4%, comparado com o mesmo período de 2019.

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Mercado Livre recebe US$ 233 mi do Goldman Sachs


O Mercado Livre acaba de levantar US$ 233 milhões em financiamento privado com o Goldman Sachs, para acelerar o negócio de sua fintech Mercado Pago. O valor será direcionado para o aumento da concessão de crédito para pequenas e médias empresas parceiras da plataforma no Brasil e no México. Do total levantado, US$ 106 milhões serão ofertados ao Brasil e US$ 127 milhões ao México.

Nascido na Argentina, a empresa tem cerca de 140 milhões de usuários únicos, sendo 74 milhões apenas de brasileiros, ou 53% das vendas da plataforma nos 19 países em operação. Mais de 40% da receita líquida vem do Brasil.

Com os novos recursos, o Mercado Livre deve chegar à marca de US$ 1 bilhão em capital para bancar os negócios de crédito, segundo o diretor de estratégia e operações de crédito do Mercado Crédito, Facundo Cuppi.

“O ecossistema do Mercado Livre é uma plataforma única para melhorar o fluxo de capital para empresas sem acesso a crédito no sistema financeiro tradicional”, disse o diretor-geral e chefe de mídia tecnológica e telecom para América Latina do Goldman Sachs, Santiago Rubin, em nota.

Desde o ano passado, o banco norte-americano já injetou US$ 485 milhões na plataforma. O Mercado Livre conta com 11 milhões de vendedores em sua plataforma e registra uma média de 34 vendas por segundo. Mais de 36 milhões de usuários utilizam alguma solução do Mercado Pago atualmente.





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Magazine Luiza vai quebrar, diz maior investidor da bolsa brasileira


Passa o semestre e a pergunta para quem consome e se interessa pelo mercado financeiro costuma ser a mesma: qual é a ação que mais se desvalorizou nos seis meses anteriores? Em 2022, a Magazine Luiza foi o papel que mais caiu na bolsa brasileira. A empresa, comandada pela família Trajano, lidera uma tendência de amplo pessimismo com o setor de varejo. A ação do Magalu caiu 67,5% desde janeiro.

Foram seis meses sangrando na B3 e diminuindo o valor de mercado. Não que as outras nacionais estejam bem. As concorrentes Via – dona das Casas Bahia – e Americanas caíram 62% e 57%, respectivamente, no mesmo período.

O cenário sofre impacto, em grande parte, do ciclo de alta de juros no mundo e da inflação acima de dois dígitos. Para piorar, há uma forte concorrência de empresas estrangeiras, como a norte-americana Amazon e a asiática Shopee.

Palpite do maior

Luiz Barsi, o maior investidor individual da bolsa brasileira, afirmou recentemente durante entrevista para o podcast Irmãos Dias que não gosta de ações de varejistas, como Magazine Luiza. “As empresas de varejo, pelo menos umas 40 quebraram, e as próximas quebrarão. Magazine Luiza um dia vai quebrar”, afirma Barsi. “Não sei quando, mais vai quebrar. Eu não sou profeta, estou falando em termos de histórico. Veja, quebrou o Casa Centro, o Mappin, a Ultralar. A Máquina de Vendas e Via também estão penduradas”.





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Flexibilização na China vai ajudar negócios no Brasil


A leva de flexibilizações na China vai impactar positivamente alguns setores da indústria brasileira. Empresas de bens de consumo devem ter estoques repostos, em boa medida, em áreas como tecnologia, calçados e eletroeletrônicos. Mas lideranças de empresas veem com desconfiança um eventual abrandamento do preço do frete nos mares do mundo. No curto prazo, não deve baixar até pelo período em que o calendário vai entrar: o segundo semestre é de alta temporada, com preparação para a Black Friday e Natal.

A falta de contêineres — e o consequente aumento no valor de fretes — chega a ser o maior problema para muitas montadoras. José Luiz Gandini, presidente da Kia no Brasil, traz os dados que exemplificam a alta estratosférica da logística no mundo nos últimos tempos: um contêiner custava US$ 1,8 mil para sair da Coreia e chegar ao Uruguai, onde são produzidos caminhões que o Brasil consome. Recentemente, custa US$ 14 mil no mesmo trajeto, alta de 677%. Com uma diferença atenuante: o dólar subiu de R$ 4,30 para mais de R$ 5,15.

Com a decisão da China de flexibilizar as medidas de restrição sanitária para combater a covid-19, a logística planetária vai ser a primeira a ser impactada — para melhor. No início da semana, o país anunciou que o tempo de quarentena para a entrada de viajantes foi reduzido pela metade — de 14 a 7 dias — e o monitoramento sanitário em casa foi encurtado de 7 para 3 dias. O resort da Disney em Xangai disse que vai reabrir o parque temático da Disneylândia em 30 de junho.





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Chilena Arauco vai investir R$ 15 bilhões em fábrica de celulose em MS


Foi a melhor notícia dos últimos dias na área de negócios: a chilena Arauco, uma das maiores empresas de celulose e madeira do mundo, vai investir US$ 3 bilhões — cerca de R$ 15,4 bilhões — para construir uma fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, com capacidade para 2,5 milhões de toneladas e previsão de início da produção no primeiro trimestre de 2028.

A empresa informou que assinou “acordo para potencial investimento” com o governo sul-mato-grossense. A previsão é começar as obras da fábrica em 2025. A fábrica terá capacidade para produzir sozinha metade do atual potencial instalado global de celulose da Arauco, equivalente a 5,2 milhões de toneladas.

A unidade será erguida próxima a Inocência, município de 7 mil habitantes a 337 quilômetros de Campo Grande. O projeto não é o único de celulose planejado em Mato Grosso do Sul. A Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, anunciou o aporte de R$ 15 bilhões na construção de uma fábrica em Ribas do Rio Pardo, situada a 230 quilômetros de Inocência e com capacidade para 2,3 milhões de toneladas por ano. A unidade deve entrar em operação em 2024.

O projeto deve empregar mais de 12 mil trabalhadores, de acordo com a Arauco. Quando começar a operação, a unidade vai empregar 2,35 mil pessoas.





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