Mais importante do que nos voltarmos para a educação da criança é nos preocuparmos com a educação dos pais; veja dicas para evitar que os pequenos consumam demais

Markus Distelrath/Pixabaycriança olhando brinquedos
Consumismo infantil exagerado pode gerar consequências comportamentais no futuro

Na última quarta-feira, 12, além das comemorações pelo “Dia de Nossa Senhora Aparecida”, também se comemorou o famoso “Dia das Crianças”. Talvez muitos não saibam, mas o “Dia das Crianças” surgiu com um propósito totalmente diferente do que efetivamente se tornou. Sem qualquer viés consumista, a verdade é que a comemoração foi deturpada em razão dos interesses de um mercado de consumo voltado para o público infantil. A ideia inicial buscava uma comemoração sobre “ser criança”, onde se pretendia lembrar a importância da proteção das crianças. Contudo, ao se perceber que a comemoração desta “nova data” seria mais uma oportunidade comercialmente rentável, infelizmente deixou-se de lado a busca pela conscientização sobre a vulnerabilidade infantil. Diante destas iniciais observações, já sabendo que culturalmente nosso calendário implantou o dia 12 de outubro como sendo o “Dia da Criança”, temos aqui uma oportunidade para comentarmos sobre a vulnerabilidade da criança como consumidora. Nosso CDC, em seu art. 39, IV, prevê a proibição de práticas abusivas por fornecedores contra crianças ao dizer:

“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: 

IV – prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços.”

Nesse sentido, reconhecendo a vulnerabilidade das crianças, mais importante do que nos voltarmos para a educação da criança é nos preocuparmos com a educação dos pais, inclusive como forma de garantir um maior conhecimento sobre os direitos da criança no mercado de consumo. Se por um lado é preciso reconhecer a importância do estímulo à economia para o desenvolvimento do nosso país, é preciso que exista um limite saudável para o consumo infantil. E os pais são os principais filtros capazes de identificar até onde vão os limites do marketing empresarial, evitando o abuso da publicidade infantil. Em razão de fatores como a imaturidade, o desconhecimento sobre o preço das coisas e toda a vontade das nossas crianças de ganhar presentes, sobretudo brinquedos, é preciso que os pais estejam atentos quanto ao consumismo infantil.

Mas esse consumismo infantil surge apenas através das crianças ou também pelos pais? Esse mesmo consumismo, analisado sobre alguns outros aspectos, pode ir além de uma vontade desenfreada de se comprar algo. Sob o aspecto da saúde das crianças, o consumismo pode ser gerador de situações de estresse entre pais e filhos, de baixa autoestima nas crianças, de bullying entre os amigos e até de problemas de obesidade infantil. Por outro lado, precisamos destacar que as recusas por parte dos pais não trazem maiores traumas para os seus filhos. Ao negar um pedido de compra feito pelos pequenos, o máximo que se observa são momentos de chateações, algumas lamentações e até alguma choradeira. E tudo isso passa muito rápido. 

Não se pode achar que um “não” irá abalar a relação entre pais e filhos ou mesmo que isso será capaz de criar traumas insuperáveis em uma criança. Sempre escutei que os pais são obrigados a prover todas as necessidades de subsistência dos filhos, na medida das suas condições econômicas, e nada além disso. É preciso que se busque gerar sentimentos de valores para o crescimento das crianças, algo que não se obtém com presentes ou dinheiro, mas com educação e criação familiar. Por fim, e não menos importante, faço um alerta sobre como a propaganda pode ser prejudicial para o público infantil. Muitas crianças se esquecem do muito que já tem para se apegar ao que ainda não possuem. Aos pais, fica o conselho para que estejam sempre próximos e percebam o comportamento dos filhos. Analisem o que merece ser permitido e o que deve ser cortado. Nossos filhos dependem dos nossos olhos e das nossas orientações. Aos pais, saibam dosar os desejos das crianças e estejam sempre atentos. Um “não” dito hoje pode ser o começo de uma vida realista e promissora.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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