Brasil deixa de figurar, pela primeira vez, entre os dez países com as maiores taxas de juros reais; desta vez, Copom optou por não fazer nenhuma sinalização sobre a possibilidade de novos cortes na taxa de juros em 2020
BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic, a taxa básica de juros, de 5% para 4,5% ao ano. Este é o quarto corte da taxa no atual ciclo, após período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em um novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.
Com a economia ainda em recuperação e a inflação em níveis controlados, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de que a Selic passasse por um novo corte. De um total de 60 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 59 esperavam por um corte de 0,50 ponto, para 4,50% ao ano. Apenas uma casa – a GO Associados – esperava por corte de 0,25 ponto porcentual, para 4,75% ao ano.
Ao justificar a decisão de hoje, o BC avaliou que a decisão é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021. O Copom reiterou ainda que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado – que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2019 de 3,4% para 4,0%. No caso de 2020, a expectativa passou de 3,6% para 3,5% e, em relação a 2021, foi de 3,5% para 3,4%.
O BC também atualizou seu cenário híbrido com câmbio constante a R$ 4,20 e juros conforme o relatório Focus. Neste caso, a projeção para o IPCA de 2019 passou de 3,4% para 4,0%. Já a inflação projetada para 2020 continuou em 3,7% e, para 2021, de 3,6% para 3,7%.
O centro da meta de inflação perseguida pelo BC este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (2,00 a 5,00%).
Quando a inflação está alta ou indica que ficará acima da meta, o Copom eleva a Selic. Dessa forma, os juros cobrados pelos bancos tendem a subir, encarecendo o crédito e freando o consumo, assim, reduzindo o dinheiro em circulação na economia. Com isso, a inflação tende a cair.
Sem sinalização para 2020
Desta vez, o Copom optou por não fazer nenhuma sinalização sobre a possibilidade de novos cortes na taxa de juros em 2020.
Ao contrário do comunicado da decisão anterior – de outubro -, que adiantava o corte de 0,50 ponto porcentual hoje e falava em cautela sobre “eventuais novos ajustes no grau de estímulo”, dessa vez o BC não fez menção a esses “eventuais” cortes adicionais na Selic.
“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária”, limitou-se a dizer o Copom, no comunicado.
O colegiado manteve ainda a contumaz comunicação de que “seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”.
Ranking do juro real
Com a Selic no menor patamar da história, o Brasil deixa de figurar, pela primeira vez, entre os dez países com as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset mostra que o juro real do Brasil, de 0,64%, é agora o 11º maior entre as 40 economias mais relevantes do planeta.
Em queda

INFOGRÁFICO/ESTADÃO
FONTES: BANCO CENTRAL E MONEYOU/INFINITY ASSET MANAGEMENT
Selic
Juros reais*
EM PORCENTAGEM AO ANO
EM PORCENTAGEM AO ANO
México
Turquia
Índia
Malásia
Indonésia
Rússia
África do Sul
Filipinas
Colômbia
Cingapura
Brasil
3,23
2,85
2,54
2,53
2,52
2,01
1,59
0,93
0,84
0,80
0,64
14,25
11
6,5
7,25
4,50
6
MAR
2013
15
JAN
2014
21
JAN
2015
20
JAN
2016
11
JAN
2017
21
MAR
2018
6
FEV
2019
11
DEZ
No topo do ranking estão o México (3,23%), a Turquia (2,85%) e a Índia (2,54%). A Argentina, que vinha figurando no topo do ranking, caiu para a 37ª posição, com taxa real negativa de 1,95%, após os cortes de juros mais recentes, em meio à corrida eleitoral no país.
Com informações do Estadão Conteúdo
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

