A primeira grande manifestação em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde o 8 de janeiro, marcada para às 15h deste domingo, 25 de fevereiro, na Avenida Paulista, em São Paulo, terá dois trios elétricos e custo estimado entre R$ 90 mil e R$ 100 mil. A expectativa dos organizadores é que de 10 a 15 autoridades discursem no evento, que será aberto com uma oração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e não deverá ter mais de 1h30min de duração.
Ao lado, formando um “L”, ficará o trio de apoio, que não tem estrutura de som e pode abrigar até 100 convidados. Ele servirá para acomodar o restante dos deputados presentes, que ficaram de fora da lista VIP, além de fotógrafos e cinegrafistas. Segundo Malafaia, a prioridade para acesso ao trio principal com Bolsonaro foi dada aos políticos que mais se posicionam em defesa do ex-presidente. “Na hora da pancada, colocam a cara para fora. Na hora de estar junto, vai ser escondido? Tem que ser coerente nesse negócio.”
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Foto:
Felipe Rau/Estadão
Já o uso do microfone no trio principal deve ser ainda mais restrito. Além de Michelle, estão confirmados na lista os ex-youtubers e hoje deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), os senadores Magno Malta (PL-ES) e Rogério Marinho (PL-RN) e, por fim, Malafaia e Bolsonaro. Tarcísio e os demais governadores, além do prefeito Ricardo Nunes (MDB), terão direito à fala se assim quiserem. O tempo é de cinco minutos cada, com exceção de Bolsonaro, sem limite, e Malafaia, com dez.
O prefeito não é visto pelo bloco do PL mais fiel ao ex-presidente como alguém alinhado aos seus valores, mas tenta consolidar o apoio de Bolsonaro na disputa pela reeleição em outubro e, contrariando lideranças do MDB, confirmou presença no ato. Nunes dividirá o palco com desafetos públicos, como o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), que até poucas semanas atrás tentava se viabilizar como adversário no pleito.
A manifestação foi convocada por Bolsonaro em 12 de fevereiro, após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga uma suposta trama de golpe de Estado antes e depois das eleições presidenciais de 2022, vencidas pelo opositor Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro precisou entregar o passaporte às autoridades e teve depoimento agendado na última quinta-feira, 22. Assim como integrantes da cúpula das Forças Armadas e ex-ministros, decidiu ficar em silêncio.
Não há como controlar a todos, diz Malafaia
O ex-presidente alega que o ato na Paulista será “pacífico em defesa do Estado Democrático de Direito”, e pediu aos apoiadores nas redes sociais que não levem faixas e cartazes “contra quem quer que seja”. Outros eventos em defesa do ex-presidente tiveram materiais pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), prisão de ministros e intervenção militar, por exemplo.
Malafaia adiantou na conversa que os organizadores não têm como controlar as milhares de pessoas no evento. “O Bolsonaro já falou para não pensarem que é a gente que está promovendo isso”, disse o líder evangélico. A ideia é pedir para baixar qualquer “faixa maldosa” que possa ser encontrada “até onde a visão alcança” em cima dos trios. No restante do fluxo, entende que não há garantia. “Vou contratar gente para ver quem, numa multidão, levanta uma faixa?”, questiona.
O pastor também nega que o tom dos discursos tenha sido combinado previamente, apesar de encontros anteriores entre ele, Bolsonaro e outras lideranças. “A única coisa que eu te garanto é que não estaremos lá para atacar o STF. Mas vamos falar verdades, mostrar fatos, porque contra fatos não há argumentos. Essa coisa de ataque é uma besteira. Bolsonaro vai se defender”, alega Malafaia. Afirma ainda que cada um é responsável pelas suas próprias falas no evento. “Não tenho como controlar a boca de Nikolas, de Magno.”
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Foto:
Reprodução de vídeo de Jair Bolsonaro/Estadão
Malafaia diz ter pago R$ 55 mil no aluguel do trio principal e R$ 19 mil no trio de apoio. As despesas envolvem ainda a montagem de grades, profissionais de segurança e apoio, fornecimento de água, ambulância e uma unidade móvel para transmitir o evento ao vivo na internet. O líder religioso chegou a anunciar que a Associação Vitória em Cristo financiaria a manifestação, mas recuou após críticas nas redes sociais de que o dízimo dos fiéis poderia ser usado com essa finalidade.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) será responsável pelo policiamento na região e deve bloquear a via aproximadamente a partir do meio-dia, segundo os organizadores do ato. O Estadão procurou a pasta verificar os detalhes do plano de ação, mas ainda não houve retorno. A chegada de Bolsonaro a São Paulo está prevista para este sábado. O político ficará hospedado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, a convite de Tarcísio. De lá, desloca para a Paulista no domingo acompanhado de outras autoridades.
Por: Estadão
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