[Editado por: Marcelo Negreiros]
São Paulo
O dólar continua em forte alta e caminhava para renovar seu maior valor do ano na manhã desta segunda-feira (15), após novos dados de varejo que mostraram força da economia americana e em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio. Na máxima do dia, a moeda americana atingiu os R$ 5,191.
Após ter começado o dia em leve queda —que operadores haviam associado a movimento de realização de lucros após salto na semana passada—, a moeda americana reverteu as perdas depois que dados mostraram alta bem mais intensa do que o esperado nas vendas no varejo dos Estados Unidos em março, em mais uma evidência de que a economia encerrou o primeiro trimestre em terreno sólido.
As vendas no varejo norte-americano aumentaram 0,7% no mês passado. Economistas consultados pela Reuters previam avanço de 0,3%.
Os novos números desencadearam nova alta dos títulos do Tesouro americano, causando um salto no dólar.
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No Oriente Médio, centenas de drones e mísseis lançados de forma inédita pelo Irã de seu próprio território em direção a Israel avançou mais um passo na disputa maior na região entre Tel Aviv e o autodenominado “Eixo da Resistência” —grupo de atores liderados por Teerã que se opõem ao Estado judeu, entre eles o Hamas na Faixa de Gaza.
Em momentos de conflito, investidores tendem a apostar em ativos de maior segurança, como é o caso do dólar, o que também beneficia a moeda americana.
A expectativa era que o conflito também causasse choques nos preços do petróleo, o que não ocorreu. Nesta manhã, petróleo Brent, referência internacional, caiu 1% para US$ 89,52 por barril. O West Texas Intermediate, referência dos EUA, caiu 1,2% para US$ 84,63 por barril. Os mercados de ações também tiveram reações contidas.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa oscilava, impactado pela subida dos títulos americanos, mas impulsionada por forte alta da Vale.
No cenário interno, a Folha noticiou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai propor uma meta fiscal zero para 2025. O objetivo sinaliza uma flexibilização na trajetória fiscal do país, dado que o compromisso antes era entregar um superávit de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem.
Na prática, o Executivo indica ainda a possibilidade de novo déficit no ano que vem, já que a meta conta com uma margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou menos.
Às 10h45, o dólar subia 0,95%, cotado a R$ 5,170, enquanto o Ibovespa subia 0,22%, aos 126.229 pontos.
Na última sexta (12), o dólar subiu 0,61%, em sua terceira sessão consecutiva de valorização, e fechou o dia cotado a R$ 5,121, renovando seu maior valor desde outubro do ano passado, com as perspectivas de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. No acumulado da semana, o avanço foi de 1,11%, o mais intenso desde janeiro.
O principal motivo para o salto recente da divisa continua sendo os dados recentes de inflação nos Estados Unidos, que enterraram apostas de queda de juros no país neste semestre.
A perspectiva de juros mais altos nos EUA beneficia o dólar pois aumenta a rentabilidade da renda fixa americana, atraindo recursos para o país e penalizando mercados de maior risco, como o Brasil.
A Bolsa brasileira também foi penalizada e passou a registrou queda, pressionada pelo setor financeiro. O Ibovespa recuou 1,13%, terminando o dia aos 125.946 pontos, o nível mais baixo do ano.
Com Reuters
[Redação]
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