Termo que em português significa ‘desistência silenciosa’ defende trabalhar o mínimo necessário

Pexels/Pixabaybraço de uma pessoa segurando um celular em frente a um notebook
Fenômeno do ‘Quiet Quitting’ viralizou no mundo do trabalho e tem assumido vários sentidos para defender que se trabalhe o mínimo necessário

A geração Z trouxe para o mercado de trabalho um novo movimento, que defende trabalhar o mínimo necessário, o chamado ‘Quiet Quitting’, que traduzido para o português significa desistência silenciosa. O fenômeno viralizou no mundo do trabalho e tem assumido vários sentidos. Alguns têm dito que se trata de fazer apenas atividades básicas do trabalho, ou simplesmente não ir além na função de maneira a empregar menos esforço e utilizar bem menos do potencial necessário para executar determinada função. Outros dizem que se trata de estabelecer limites saudáveis, ou não comprar negligentemente a cultura always on (sempre online). Também existem aqueles que dizem que o conceito se trata de retomar o controle do seu tempo e discutir o fato de que empresas esperam que você faça mais, mas sem pagar mais. Para Emerson Dias, consultor de carreira, a tendência sempre existiu e explica que o quiet quitting é uma evolução natural do modo de se olhar para o mundo do trabalho: “A gente tem uma concepção do trabalho de que ele é igual para todo mundo, significa a mesma coisa para todo mundo. Mas isso não é verdade. As pessoas atribuem significados muitas vezes distintos ao que é de fato o trabalho e o que é de fato a sua carreira”.

O termo ganhou visibilidade devido às redes sociais, quando Zaid Khan, um engenheiro de 24 anos de Nova Iorque, recebeu mais de 3,4 milhões de visualizações em seu vídeo sobre o tema. Emerson Dias dá dicas para quem aderir à essa tendência: “Esteja muito consciente das suas escolhas, se você vai por esse caminho consciente de que essa é a sua construção de carreira, siga em frente e não olhe para trás. Agora, se você adere a esse caminho para aderir a um modismo, sem saber exatamente o porquê de você estar aderindo a ele, ou sem ter certeza dos seus objetivos de carreira e não está muito claro o que você pretende da sua vida profissional, eu recomendo você não seguir, porque as consequências podem não ser as esperadas e muito doloridas. Você tem que pensar o trabalho como objetivo. Qual o objetivo deste trabalho para a sua vida e para a sua carreira?”. Após a pandemia, a linha que separava a carreira e a vida pessoal sumiu, e isso ainda afeta a forma como trabalhamos agora, com esquemas de trabalho remoto. Para a psicóloga Ana Carolina Peuker, o trabalho ganhou uma centralidade enorme na vida do funcionário.

“Não são duas vidas. Não é uma vida pessoal e uma vida profissional, é uma vida só. E as empresas e pessoas, nesse momento pós-pandêmico, precisam ser abeis para distinguir os limites e as fronteiras que dizem respeito a cada um destes contextos, e não a cada uma destas vidas. A vida é uma só. A gente está falando de contextos, e a reflexão profunda que as empresas precisam fazer é ir além da superficialidade quando a gente fala de saúde mental”, explicou a psicóloga. Peuker sinaliza que esse movimento veio para evitar o Burnout, evidenciar a exaustão e resguardar a vida pessoal, mas a especialista afirma também que apenas “tirar o pé do acelerador” não é a solução: “Requer uma modificação nas estruturas de trabalho, no design do trabalho, na organização do trabalho. Não adianta somente uma reação contra o controle, e não uma mudança estrutural. Esse movimento está evidenciando um momento histórico, um momento histórico em que as pessoas estão de fato exauridas. Está todo mundo muito cansado e muito sobrecarregado. O que esse movimento está denunciando é a necessidade de um olhar mais aprofundado para isso”.

*Com informações da repórter Isabela Noleto





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