[Editado por: Marcelo Negreiros]
O deputado bolsonarista e pré-candidato a prefeito de Belém Éder Mauro (PL-PA) enfrenta problemas com a documentação da fazenda que ele comprou, em junho de 2020, no município de Bujaru, a 100 quilômetros de Belém.
Documentos obtidos pela coluna com exclusividade revelam que a fazenda Bênção Divinal aumentou 56% de tamanho no papel. No contrato de compra, assinado por Éder Mauro, a área tem 335 hectares, mas aparece com 214 hectares no registro mais antigo do cartório de imóveis.
?Alguns meses após o deputado comprar a fazenda, a Polícia Civil começou a investigar a documentação das terras. A suspeita dos policiais recaía sobre a venda anterior do imóvel, feita pela idosa Francisca Zulmira para o empresário Cléber Ferreira. Essa transação ocorreu em 2018, mas Zulmira tinha morrido de acidente de trânsito, em 2003, 15 anos antes.
?A polícia apontou que houve falsificação na procuração, apresentada no cartório em nome de Zulmira, para realizar o negócio. O neto da mulher disse que a avó nunca teve terras na região. Pela suspeita de fraude, Cléber Ferreira foi preso temporariamente, em 2021. Ele já está em liberdade e o processo segue em segredo de Justiça.
?Até aqui, Éder Mauro não chegou a ser investigado. A fazenda Benção Divinal só apareceu em seu nome em 2020, quando ele a comprou de uma contadora, que, por sua vez, havia adquirido a área numa transação com a mulher de Cléber Ferreira.Apesar de não ter feito negócio diretamente com a falecida Zulmira, o contrato de compra assinado pelo deputado também levanta dúvidas sobre a documentação das terras.
?Toda propriedade deve ter um registro no cartório de imóveis, que atesta a legalidade de sua posse. A Bênção Divinal foi registrada pela primeira vez, em 1973, com área de 364 hectares. Um ano depois, conforme os papéis do cartório, ocorreu a venda de 150 hectares. Com isso, a fazenda ficou reduzida a 214 hectares. Mas, no contrato de compra do deputado, as terras aparecem com 335 hectares. Ou seja, aumentou 56% de tamanho em relação ao que consta legalmente no cartório.
?Esse estica e encolhe aparece também em outros documentos. Logo após comprar a fazenda de Zulmira, a idosa que já tinha morrido, o empresário Cléber Ferreira registrou a área como se tivesse 293 hectares. Após a transferência dos papéis para o cartório de outro município, as terras esticaram para 335 hectares.
?Mesmo com os problemas na documentação, o deputado ergueu cercas, construiu o casarão da sede, uma garagem, barracão e pontes na fazenda. Fez chiqueiro, curral, baias para os animais, cultivou plantação de dendê e cuidou do pasto. Bolsonarista de carteirinha, hasteou a bandeira do Brasil na porteira. Ele garante que bancou os investimentos com seu salário de parlamentar. À Justiça Eleitoral, em 2022, Éder Mauro declarou apenas a “terra nua”, sem mencionar nenhuma benfeitoria no imóvel adquirido em 2020.
?O bolsonarista continua a investir na área, que já tem bois no pasto, como mostram imagens obtidas pela coluna.
O que diz Éder Mauro
Procurado por este espaço desde a semana passada, o parlamentar ignorou as oito perguntas repassadas por WhatsApp. A coluna também procurou o advogado do parlamentar, Jânio Nascimento, mas não obteve resposta. A assessoria de imprensa de Éder Mauro procurou este colunista nesta segunda, 10, mas, informada sobre o deadline, não respondeu até a publicação desta reportagem.
[Redação]
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