Fazenda Tamanduá terá safra recorde de manga este ano

A
Fazenda Tamanduá, localizada no município de Sta. Teresinha no Sertão da
Paraíba continua sua colheita de mangas orgânicas e biodinâmicas nas variedades:
Tommy e Keitt e já conta com a expectativa da maior produção do fruto desde a
criação da fazenda.

A
Tommy tem florada mais precoce, com colheita no início de outubro a final de
dezembro. Em novembro, tem início a colheita da Keitt, indo até janeiro. Na
primeira colheita, são tiradas 60% das frutas; depois ocorrem mais duas,
menores. No total, são colhidas de 15 a 20 toneladas de frutas por hectare e a
estimativa para safra deste ano é de 400 toneladas.

A
colheita carece de cuidados, para não danificar as frutas, que poderiam ser
rejeitadas pelo comprador. É preciso cortar com cuidado o pedúnculo e escorrer
o látex, para que não danifique a casca. Além disso, as caixas não podem ficar
muito cheias, para não amassar e machucar as frutas que ficam no fundo. Para
isso, os colhedores são bem treinados.

Uma
vez no packing house, as frutas são lavadas com água potável, secas, polidas,
classificadas e embaladas. As caixas, com 4 a 4,3 kg de fruta, são
acondicionadas em pallets e vão para a câmara fria, onde ficam a 10o C. De lá,
seguem em carreta refrigerada aos portos de Natal/RN ou Pecem/CE, de onde
partem de navio para a Europa.

As frutas que não passam no teste de
qualidade visual para a exportação in natura para o continente europeu viram
polpa, a ser comercializada, pasteurizada e congelada, no mercado
norte-americano.

Neste período a fazenda gera emprego e renda
para mais de 100 pessoas com todos os requisitos e direitos trabalhistas.



A Fazenda e os novos desafios

Encravada no Vale das Espinharas, interior
da Paraíba, em terra seca e águas atravessadas e escassas, a Fazenda Tamanduá
se ergueu entre as fibras longas do algodão mocó e dos rastros de boi. Animada
em fazer parte da corrida pelo ouro branco dos Sertões, em 1977 já possuía uma variedade
deste tipo de algodão arbóreo e perene, com ciclos de 5 a 7 anos, que
preservava o solo e se consorciava ao gado. O cultivo se deu nos tabuleiros de
terra rasa, que alargou a produção local aproximando-se de 500 hectares de plantação.
Foram bons anos que proporcionaram um bem viver tranquilo, especialmente para
os homens e mulheres do lugar que passaram de meeiros e diaristas à trabalhadores
com carteira assinada, uma nova configuração nas relações de trabalho que
conferia dignidade e segurança.

No entanto, a
vida no nordeste semiárido sempre foi um desafio de resiliência e coragem, e a
seca – sempre na espreita, por fim chegou e por seis anos seguidos assolou a
região. A Fazenda Tamanduá resistente, bravamente cuidou de seus algodoeiros
que finalmente só sucumbiram diante de uma praga maior: o besouro bicudo, que
determinou o fim de um ciclo de riqueza. Criava-se por fim, um cenário com duas
opções: o abandono da região ou o caminho para uma nova cultura.

Disposta a
mostrar a viabilidade sertaneja, a Fazenda Tamanduá, acompanhada por sua gente
– mais de trinta famílias de moradores, encarou o desafio de continuar a
travessia e produzir, com seca e tudo. E a brancura dos campos de algodão deu
lugar à criação de um novo tesouro: o áureo leite do gado pardo suíço, raça
escolhida para criação e melhoramento devido sua adaptação ao clima abrasador.
Assim, o leite “dos franceses” inicialmente foi vendido de porta em porta na
cidade e com o aumento da produção – chegando a 1.500 kg diários, junto com o
desejo de agregar mais valor ao produto iniciou-se a sua transformação em
queijos, já dentro dos padrões do Serviço de Inspeção Federal – SIF. Já a
partir do ano 2000, a
Fazenda Tamanduá alcançou a certificação orgânica do IBD, lançando
pioneiramente queijos certificados oriundos do leite produzido na própria
fazenda, com um rebanho também licenciado. O trabalho de qualidade foi também
efetivo nos investimentos, e acompanhando sistematicamente a legislação em
vigor, a queijeira conquistou o conceito A, oferecido pelo SIF em 2008.

Mas,
recentemente com uma infeliz sucessão de secas que desequilibrou a produção
leiteira no que tange a aquisição de ração e pastos bons, aliada a um entorno logístico
complexo que aumentou consideravelmente os custos da fazenda, além de uma
legislação rígida, que não faz distinção entre um produtor artesanal
certificado com 1.500 kg de leite por dia e outro em escala industrial com
150.000 kg/dia, em que impõe injustamente os mesmos investimentos e exigências
para tão diferentes categorias, coube a Fazenda Tamanduá tomar uma difícil
decisão: a suspenção da produção de queijos. E isso não implica de maneira
nenhuma no encerramento das atividades da fazenda, que continuará com a sua
produção, reforçando pesquisas em outros caminhos de um sertão próspero e
digno.

Nesse sentido,
cientes que as pausas devem existir para que novas trilhas sejam abertas, a
Fazenda Tamanduá deixa o seu ouro branco, antes do algodão e agora do leite, para
dedicar-se inteira, forte e entusiasmada à riqueza colorida de seu sistema de
produção orgânico e biodinâmico, a exemplo da Spirulina – a jóia verde
produzida em seus tanques, da manga e sua polpa tipo exportação, do cultivo do arroz
castanho e negro e da parceria com as abelhas e seu precioso mel em três
floradas.

Seguindo
este norte e cumprindo um plano seguro e sustentável, a Fazenda Tamanduá assegura
mais uma vez a sua experiência diante das adversidades e de seu movimento na
conquista de novas aventuras, seguindo com a sua vocação pela inovação.
Portanto, reafirma aqui o compromisso de amizade, responsabilidade e
sustentabilidade, agradecendo a todos os amigos e amigas que confiam em seus
produtos, e anuncia que muito em breve outros produtos, tal como a geleia real,
própolis e seus derivados; e experiências sociais e ambientais com cursos de
técnicas sustentáveis, vivências guiadas e ecoturismo para o conhecimento do
bioma caatinga e sua fauna, estarão à disposição, na continuidade da missão que
é promover a produção e consumo consciente, aliado à sustentabilidade do
ecossistema, numa proposta integrada de desenvolvimento econômico, social,
ambiental e cultural, objetivo maior de todos que fazem a empresa Fazenda
Tamanduá.


Por
Marcelo Negreiros com assessoria da Fazenda Tamanduá

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