Filipe Martins: Quem é o ex-assessor de Bolsonaro com prisão domiciliar decretada?

Ex-assessor de Bolsonaro, Filipe Martins, tem prisão domiciliar decretada pelo STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão domiciliar de Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, anunciada neste sábado (27), surge um dia após a tentativa de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Martins é réu no processo que investiga o chamado “núcleo 2? da trama golpista, acusado de ter “operacionalizado” a tentativa de golpe de Estado. Ele já havia sido condenado pelo STF em dezembro a 21 anos e 6 meses de prisão por cinco crimes.

Trajetória profissional e aproximação com o bolsonarismo

Filipe Martins, 38 anos, é natural de Sorocaba, São Paulo. Formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), cursou Diplomacia e Defesa na Escola Superior de Guerra. Sua carreira política ganhou destaque em 2019, quando assumiu como assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, logo no início do governo Bolsonaro. Antes disso, atuou com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Martins também se descreve como intérprete, tradutor, e já teve passagens como assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e professor em cursos preparatórios.

Sua conexão com a família Bolsonaro se fortaleceu em 2014, após conhecer Eduardo Bolsonaro pela internet. O ex-deputado federal se tornou seu padrinho político. Martins também se declara admirador de Olavo de Carvalho, figura central no ideário do bolsonarismo. Ele foi apontado como integrante do chamado “gabinete do ódio”, grupo investigado por disseminar desinformação em redes sociais contra opositores de Bolsonaro.

Acusações de racismo e envolvimento na trama golpista

Em março de 2021, Filipe Martins foi acusado de fazer um gesto associado a supremacistas brancos dentro do Senado, o que gerou um processo criminal por racismo. O Ministério Público Federal sustentou que o sinal reproduzia o acrônimo “WP”, em referência a “White Power” (Poder Branco). Após ser absolvido em primeira instância, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou a absolvição, e Martins voltou a ser investigado. Em dezembro de 2024, foi condenado pela Justiça Federal em Brasília por racismo a dois anos e quatro meses de reclusão, pena convertida em prestação de serviços comunitários e multas. A defesa alegou, na época, que a decisão se baseava em “conjecturas políticas”.

No contexto da trama golpista, Martins é acusado de ter elaborado uma das versões da chamada “minuta golpista”, documento que previa a imposição de um estado de exceção no país. Sua defesa nega tal participação. Ele passou por um período de prisão preventiva entre fevereiro e agosto de 2024, sendo liberado sob medidas cautelares. A condenação em dezembro pela Primeira Turma do STF, ao lado de outros quatro réus, incluindo Silvinei Vasques, culminou agora na determinação de prisão domiciliar.

Prisão domiciliar de dez condenados

A decisão de Moraes de decretar a prisão domiciliar de Filipe Martins e de outros nove condenados pela trama golpista visa endurecer o cerco contra o núcleo civil envolvido nos atos. Os mandados estão sendo cumpridos em diversos estados brasileiros, com o uso de tornozeleiras eletrônicas, e contam com o apoio do Exército Brasileiro. A confirmação do cumprimento do mandado na residência de Martins foi feita por seu advogado, Jeffrey Chiquini.


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