Primeiros embarques estão previstos para acontecer semana que vem, informa ministério da Agricultura  

Nicole Pankalla/Pixabayplantação de milho
Associação Nacional dos Exportadores de Cereais diz que o objetivo do Brasil de conseguir embarcar 6 milhões de toneladas em 2023 é meta ambiciosa

O Brasil passará a exportar milho para a China a partir da próxima semana. O evento marca o início de uma nova era na relação comercial entre os países, com efeito direto na pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Depois de quase uma década de negociações, foi possível chegar a um entendimento e acordo fitossanitário entre os países. Segundo o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, a questão está completamente sanada. “A expectativa é grande porque nós levamos quase oito anos para conseguir chegar a um entendimento e acordo fitossanitário que fosse exequível do lado brasileiro”, destaca.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de milho do mundo, mas até agora não tinha a China como um dos seus clientes. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirma que o objetivo do Brasil de conseguir embarcar 6 milhões de toneladas em 2023 é uma meta ambiciosa, já que seria praticamente a metade do que os Estados Unidos levaram para conquistas em uma vida inteira. Fontes de tradings e consultorias me disseram que o volume de milho do Brasil aos chineses pode chegar a 10 milhões já em 2023. Se confirmado, os chineses passarão brevemente a ser um dos principais destinos do nosso milho. A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) acredita que a China vai entrar aos poucos no mercado do grão, assim como fez com a soja anos atrás.

“A China é um mercado que se abre e batalhamos muito por isso, a China é bem-vinda,  mas valorizamos outros compradores. Ao contrário da soja, o mercado do milho brasileiro é pulverizado e continuaremos nos esforçando para continuar assim. No entanto, a China é agressiva e o mercado interno que dorme precisará se precaver e comprar antecipadamente a exemplo das indústrias de etanol”, explica o diretor da Abramilho, Glauber Silveira. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) vê também a necessidade de aumentar a transparência no mercado com a criação de um sistema de informações de vendas antecipadas. “Milho há para todos, inclusive os chineses. Mas voltaremos a insistir no sistema de informações antecipadas dessas vendas para não gerar surpresas ou especulações no mercado”, informou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.

A entrada de um cliente com o apetite chinês tende a favorecer o aumento das exportações de milho do Brasil. Se isso se confirmar, é esperado também que aumente a produção do grão. A Companhia Nacional de Abastecimento prevê recorde de exportação na temporada 22/23 com mais de 43 milhões de toneladas. A produção de milho estimada também é a maior da história, com 126,4 milhões de toneladas. A Agroconsult avalia como positiva a entrada de um novo cliente para o milho brasileiro, mas não vê uma pressão significativa nos preços por conta da entrada da China no mercado doméstico. “Tudo vai depender do tamanho da nossa safra de milho. Se produzirmos bem, podemos até exportar um pouco mais. O tamanho do mercado internacional de milho não irá mudar. Estaremos competindo com os outros players, como EUA, Ucrânia e Argentina”, enfatiza André Debastiani, consultor de mercado da empresa.

Sem confirmação oficial ainda, há expectativa de que a Cofco, companhia chinesa entre as maiores do mundo na cadeia de grãos, seja a primeira a realizar o embarque do milho brasileiro para a China. Se o grão brasileiro ganhar mais espaço no mercado mundial, haverá mais investimentos em produção e desenvolvimento do agro. Esse grão milenar já usado na alimentação humana, ração animal, etanol e tantas outras finalidades está agora iniciando uma nova era de protagonismo na economia brasileira.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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