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No dia 16 de abril, pescadores da região de Cape Cod, no estado de Massachusetts (EUA), tinham um dia de trabalho comum a bordo da embarcação Timothy Michael. Tudo mudou quando capturaram, por acaso, uma lagosta (Homarus americanus) com um visual inusitado: dividida ao meio, com um lado do corpo marrom e o outro laranja.
Eles basicamente ganharam a loteria do mundo marinho, já que a chance de um fenômeno desse tipo ocorrer é de cerca de 1 em 50 milhões.
A explicação científica para essa aparência é ainda mais interessante. No ciclo reprodutivo das lagostas, a fêmea acasala com o macho e armazena o esperma. Depois de dias, ela libera tanto os óvulos quanto o esperma, que são fertilizados fora do corpo. Os ovos permanecem presos ao seu abdômen até a eclosão.
Já a nossa amiga lagosta bicolor surgiu porque, nos estágios iniciais do desenvolvimento, dois óvulos fertilizados entram em contato e se fundiram, um absorvendo o outro. Assim, formam um único indivíduo com dois conjuntos distintos de material genético. Cada metade armazena pigmentos de forma diferente, resultando na aparência de duas lagostas em uma. Esse fenômeno é chamado de quimerismo.

As lagostas vivas não são vermelhas como as que se vê em restaurantes ou supermercados, quando já estão cozidas. A maioria é verde-oliva ou marrom-esverdeado. Algumas apresentam manchas alaranjadas, avermelhadas, verde-escuras ou pretas, além de tons azulados nas articulações dos seus apêndices. A coloração alaranjada vem do pigmento astaxantina. O tom mais escuro, por outro lado, ocorre devido à interação dessa substância com proteínas chamadas crustacianina.
Em outros casos, o animal pode ser metade fêmea e metade macho, em uma condição conhecida como ginandromorfismo.
Além de o próprio nascimento de lagostas assim já ser raro, encontrar um exemplar vivo é ainda mais difícil. Sua coloração incomum a torna um alvo mais visível para predadores. O fato de essa lagosta pesar mais de um quilo indica que conseguiu sobreviver por mais tempo do que o comum, e que se safou de muitos predadores.
A empresa para a qual os pescadores trabalhavam, a Wellfleet Shellfish Company, doou o animal ao Woods Hole Science Aquarium, da NOAA. O aquário, um dos mais antigos dos Estados Unidos, está atualmente fechado para reforma e deve reabrir no próximo ano, agora com a presença confirmada da ilustre lagosta bicolor.
[Por: Superinteressante]
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