LAURA PAUSINI LANÇA “IO CANTO 2” E REVELA …

A icônica cantora italiana Laura Pausini encontrou-se na última terça-feira, 3, com jornalistas brasileiros em uma entrevista coletiva virtual, direto de Milão, marcada por emoção, bom humor e revelações sobre o lançamento, nesta sexta-feira, 6, de seu novo álbum Io Canto 2, que chega ao público nesta sexta-feira, 6, 20 anos após o sucesso do primeiro volume. A artista também confirmou sua participação na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas, realizada hoje, no Estádio San Siro. Já a coapresentação do 76º Festival de Sanremo, ao lado de Carlo Conti, acontece entre os dias 24 e 28 de fevereiro.

Crédito da imagem: Divulgação

Durante a conversa, Laura Pausini compartilhou detalhes do processo criativo e da relação profunda que a música mantém com sua trajetória pessoal e artística.

A escolha do repertório e a emoção em cada idioma

A coletiva foi aberta com uma pergunta de João Carlos Santana, da Rádio Antena 1, que quis saber como Laura escolheu as músicas do novo álbum e de que forma se preparou para cantar em diferentes idiomas sem perder a emoção em cada palavra.

Antes de entrar na resposta, a cantora brincou com o jornalista, perguntou sobre seu signo zodiacal e arrancou risos ao comentar, em tom descontraído: “Gêmeos? Perigosíssimo! Tenho muito medo das suas perguntas”. Em seguida, completou: “Bom, agora estou pronta. Depois eu julgo”.

Ao responder, Laura explicou que o processo criativo de Io Canto 2 seguiu a mesma lógica adotada em 2006, no primeiro Io Canto. Segundo ela, tudo começa de dentro para fora.

“Foi uma busca muito semelhante àquela que eu fiz em 2006. Escutar, lembrar dentro de mim aquelas músicas que me acompanharam nos momentos mais importantes da minha vida”, afirmou. Ela fez questão de ressaltar que esses momentos não foram apenas felizes. “Não são somente momentos belos ou históricos, mas momentos verdadeiros da minha vida pessoal.”

A cantora explicou que o olhar também foi o de uma fã. “Eu canto somente cantores e compositores que eu admiro, que deixaram uma sensação importante durante o tempo”, disse. Laura reforçou ainda que teve liberdade total durante todo o processo. “Ninguém me diz: ‘você precisa cantar essa música porque agora funciona’. Eu fui totalmente livre para escolher as músicas que canto agora.”

Demos, pesquisas e descobertas inesperadas

Ao detalhar os bastidores do álbum, Laura revelou que algumas escolhas iniciais mudaram ao longo do caminho. Durante a fase de demos, ela gravou sua voz sobre versões de karaokê encontradas no YouTube, como forma de experimentar tonalidades e interpretações.

“Existem algumas músicas que eu mudei de opinião quando fiz os demos”, contou. Segundo ela, o processo de gravação despertou uma curiosidade maior sobre os artistas escolhidos. “Enquanto eu cantava, nasceu dentro de mim uma vontade de conhecer mais músicas daquele compositor.”

Laura explicou que, em muitos casos, conhecia apenas dez ou quinze canções de cada artista, mas não o repertório completo. “Foi como estar dentro de uma universidade da música”, definiu. Algumas faixas que ela não conhecia inicialmente acabaram provocando emoções mais fortes do que as escolhas originais. “Algumas músicas que eu não conhecia antes dos demos me deram uma sensação muito mais forte do que eu pensava que era justa para mim. Então eu mudei durante a gravação.”

Além da pesquisa pessoal, Laura contou que pediu ajuda a pessoas próximas. Amigos e familiares foram convidados a listar dez canções favoritas de suas vidas. Entre eles, estava o marido e diretor musical Paolo Carta. Ainda assim, a cantora foi enfática ao explicar que a decisão final foi solitária. “Depois eu ensaiei e, sozinha, dentro de mim, escolhi as músicas finais.”

Coragem, Joana d’Arc e o desafio de regravar clássicos

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Ao falar sobre o conceito visual e artístico do projeto, Laura explicou por que tem citado a figura histórica de Joana d’Arc como inspiração. Segundo ela, a personagem simboliza coragem — um elemento indispensável para quem decide reinterpretar canções consagradas.

“Quando me perguntam por que eu me inspirei em Joana d’Arc, eu falo sobre coragem”, afirmou. Para Laura, gravar versões exige três atitudes fundamentais. “Primeiro, coragem para respeitar a versão original. Segundo, encontrar a tua própria personalidade dentro de uma música que você não escreveu. E terceiro, coragem porque hoje em dia todos são jornalistas, todos têm opinião, e podem machucar você, julgando sem conhecer ou sem estudar.”

Ela citou como exemplo a escolha de “Detalhes”, de Roberto Carlos. “É uma canção maravilhosa”, disse. “Eu conheci essa música desde sempre em italiano. Mas foi só quando viajei ao Brasil que conheci a verdadeira versão original.”

“Detalhes”, Ornella Vanoni e pontes culturais

Laura antecipou que muitos ouvintes poderiam estranhar a presença de “Detalhes” em versão italiana no repertório. Segundo ela, a escolha está diretamente ligada às suas referências pessoais.

“Como todas as pessoas do mundo, eu tenho meus ídolos”, explicou. “Um dos meus grandes ídolos sempre foi a Ornella Vanoni.” Laura lembrou que, nas décadas de 1960 e 1970, Vanoni gravou muitas canções brasileiras em italiano. “Muita gente na Itália conhece essas melodias, mas acha que são canções dela.”

Para Laura, Io Canto 2 também é um convite à descoberta. “Eu amo a ideia de que os italianos que vão escutar esse disco descubram que ‘Detalhes’ é uma canção do Brasil”, afirmou. Ela acrescentou que o álbum revela outras conexões culturais. “Eles vão descobrir que eu canto em português e que a Marisa Monte tem origem italiana.”

Segundo a cantora, essa mistura de referências resume sua identidade artística. “Tudo isso me permite unir nações, países, idiomas e culturas musicais. Isso resume exatamente quem eu sou.”

Identidade, fronteiras e a mensagem do álbum

Em um dos momentos mais profundos da coletiva, Laura falou sobre identidade e pertencimento. “Eu nasci aqui na Itália e sou feliz de ser italiana”, disse. “Mas desde os 18 anos até hoje, eu cresci viajando pelo mundo.”

Essa vivência moldou sua visão de mundo. “Hoje eu não tenho uma nacionalidade na minha forma de pensar, de julgar, de cantar, de viver”, afirmou. Segundo Laura, isso se reflete diretamente em suas escolhas musicais. “Quando eu escolho uma música da minha vida ou uma música que quero escrever, ela não tem nacionalidade.”

Ela explicou que Io Canto 2 nasce com a intenção clara de unir pessoas. “Esse disco quer unificar as pessoas”, disse, citando a frase que sintetiza o espírito do projeto: “Make music, not war. Fazer música, não fazer guerra.”

Para Laura, a música acompanha todos os momentos da vida. “A música sempre está ao nosso redor, nos momentos bons, nos difíceis, nos cheios de luz.” E concluiu: “Eu espero que a lembrança da minha música seja sempre reconhecida como uma mensagem de amor.”

Ferrugem, Ana Carolina e um trio inédito

Laura também detalhou a parceria com o cantor brasileiro Ferrugem. Ela explicou que costuma buscar novos talentos ativamente. “Eu sempre gosto de buscar novos talentos. Faço isso em vários países do mundo”, contou.

Segundo a cantora, o processo começa de forma simples, com pesquisas na internet e em plataformas de streaming. “Quando cheguei a escutar a voz do Ferrugem, eu parei de buscar”, afirmou. A conexão foi imediata. “Segundo a minha sensação musical, ele tem uma voz privilegiada. É uma coisa muito difícil de encontrar hoje.”

Laura elogiou a versatilidade do cantor. “Ele pode cantar samba, pagode, funk, pop, vários estilos. Mas sempre tem uma característica importante: é ele.” Para ela, essa identidade vocal é rara. “Você lembra da voz, do timbre, da maneira de interpretar. É uma personalidade vocal muito marcante.”

A decisão de convidá-lo também teve um componente afetivo. Laura contou que sua filha Paola, de 12 anos, se encantou pela versão italiana de “Quem de Nós Dois”. “Ela disse que gostava muito da canção e que iria dedicar a alguém”, contou. A cantora brincou: “Isso não é muito normal, porque minha filha não gosta muito da minha música.”

A reação levou Laura a pensar em reunir gerações diferentes. “Eu pensei: por que não chamar um cantor jovem da nova geração para cantar comigo e com a Ana Carolina?”, explicou. A escolha por uma voz masculina foi consciente. “Eu não queria outra mulher. Queria um homem que pudesse me ensinar como se interpreta hoje uma música mais antiga.”

O resultado foi um marco. “É o primeiro trio que faço na minha vida, com três vozes e três carreiras diferentes. Acho que é uma das coisas mais bonitas que já fiz em toda a minha carreira.” Em tom descontraído, Laura ainda fez um pedido direto: “Por favor, Ferrugem, manda pra mim o videoclipe. Te amo.”

O primeiro estádio no Brasil e a data simbólica

A coletiva ganhou contornos ainda mais emocionais quando Laura falou sobre seu primeiro show em estádio no Brasil, marcado para 27 de fevereiro de 2026. “Quando me disseram a data, eu fiquei ainda mais emocionada”, contou.

Segundo ela, o dia tem um significado profundo. “27 de fevereiro é o dia que eu ganhei o Festival de Sanremo, quando eu tinha 18 anos.” Laura destacou o simbolismo. “É incrível que a minha primeira vez em um estádio, fora da Itália, seja na minha terra favorita, no dia mais importante da minha carreira.”

A cantora também refletiu sobre o peso desse momento. “Fazer um estádio, para uma mulher de 52 anos, não é algo muito normal.” Ainda assim, garantiu que está preparando algo especial. “Vou preparar um show muito especial. Meu coração bate forte, porque mal posso esperar para cantar para todos vocês.”

Um álbum inteiro em português e planos futuros

Questionada sobre a possibilidade de um álbum totalmente em português, Laura confirmou que a ideia é concreta. “Eu acredito que sim”, afirmou. “Eu já tenho uma lista”, completou, fazendo um gesto bem-humorado para alguém nos bastidores, como quem percebe que talvez tenha revelado informação demais.

Segundo ela, o desafio vai além do idioma. “É muito mais difícil, não tanto pela língua, mas porque a busca é muito mais profunda.” Laura explicou que gostaria de desenvolver o projeto vivendo no Brasil. “Quero fazer isso no Brasil, com pessoas que conhecem a minha personalidade.”

Ela afirmou que busca canções que representem não apenas sua voz, mas sua visão de mundo. “Não só músicas de amor, mas também coisas sociais, pensamentos mais amplos.”

Um fevereiro simbólico e 33 anos de carreira

Encerrando a coletiva, Laura falou sobre o simbolismo do mês de fevereiro em sua vida. “Fevereiro é um mês muito importante para mim”, disse. Ela relembrou momentos marcantes vividos nesse período, como a maternidade, a conquista de um Grammy e agora o lançamento de Io Canto 2.

Além disso, contou que vive dias intensos de trabalho. “Estou ensaiando com a minha banda para a turnê pela Espanha e pelas Américas”, afirmou. Laura também revelou que prepara uma apresentação inédita para a Cerimônia de Abertura das Olimpíadas. “Vou cantar uma coisa que nunca cantei na minha vida.”

Ela também se prepara para coapresentar o Festival de Sanremo, entre os dias 24 e 28 de fevereiro, ao lado de Carlo Conti. “Sanremo é uma celebração da nova música italiana”, afirmou, expressando o desejo de que novos artistas possam levar sua música para o mundo, como ela fez ao longo de 33 anos de carreira.

Visivelmente emocionada, Laura encerrou a coletiva com uma declaração direta ao público brasileiro:

“Trinta e três anos de carreira são uma bênção. Eu amo o Brasil. Sempre.”

[Antena 1]

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