Museu de Londres vai devolver à Nigéria objetos do século 19

Setenta e dois artefatos saqueados em 1897 durante uma incursão militar britânica ao então reino de Benim serão devolvidos à Nigéria, de acordo com anúncio feito pelo Museu Horniman, de Londres, no domingo 7. Entre as obras, há 12 que integram a coleção de bronzes de Benim, de mais de mil peças. Também há peças em marfim e latão, usadas em rituais, e objetos da vida cotidiana, como leques e cestos, além de uma chave “do palácio do rei” .

O Museu de Horniman aceitou o pedido de restituição das obras feito em janeiro pela Comissão Nacional de Museus e Monumentos da Nigéria, que comemorou a decisão do estabelecimento londrino. A presidente do museu, Eve Salomon, disse que “a evidência foi muito clara de que esses itens foram obtidos à força, e a consulta externa confirmou nossa opinião de que era moral e apropriado devolver sua propriedade à Nigéria”.

Com a decisão, as duas instituições vão definir o processo formal de transferência de propriedade e a possibilidade de alguns objetos permanecerem emprestados, para exibição ou para fins de pesquisa ou ensino. A Nigéria negociou a devolução dos Bronzes de Benim com vários países europeus e planeja construir um museu com essas peças.

Em novembro, a França devolveu ao Benim, país vizinho da Nigéria, 26 obras dos tesouros reais de Abomey, saqueadas em 1892 pelas tropas coloniais francesas. Um galo de bronze e uma cabeça de monarca foram devolvidos pelo Reino Unido à Nigéria no início deste ano. Além disso, a Grécia também pede há décadas ao Reino Unido os frisos do famoso e antigo templo do Partenon em Atenas, exibido no Museu Britânico de Londres. Recentemente, ele disse que estava aberto a um acordo com a Grécia para compartilhá-los.

Leia também: Artigo publicado na edição 92 de Oeste Onde guardar os tesouros históricos? – que discute a propriedade desses objetos recolhidos pelas nações europeias. Eis um trecho: “Se não tivesse sido removida, a maior parte desses objetos desapareceria. As peças estavam enterradas, sob muita lama ou barro. Seriam consumidas como matéria orgânica. Tornaram-se arte apenas porque europeus administradores de museus disseram: ‘Isso é arte’”.

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