[Editado por: Marcelo Negreiros]
Força-tarefa reduz as perdas de carros de motoristas nas enchentes do Rio Grande do Sul
Milhares de carros foram destruídos durante as enchentes no Rio Grande do Sul. Mas uma força-tarefa tem conseguido reduzir as perdas de muitos motoristas.
Em todo o estado, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras, mais de um R$ 1 bilhão já foram solicitados em indenizações de seguro, mas o valor ainda deve aumentar.
Pelo menos 70% da frota do estado não possuía seguro. Os cálculos do mercado são de que 200 mil veículos tenham sido danificados pelas enchentes que começaram em maio.
Os carros começaram a chegar em um depósito de uma empresa duas semanas depois do início das enchentes. Eram tantos que tiveram que ampliar o pátio. Em um único dia, o número de veículos trazidos foi quase dez vezes maior do que o registrado em um dia normal de operação.
“Nós recebemos os veículos. Fizemos a higienização. Para alguns modelos e anos, é retirado o óleo, é feito todo um processo para ser preparado esse veículo para a venda. Pela lei do leilão, os veículos são vendidos no exato estado em que eles estão”, explica a leiloeira Liliamar Pestana
Essa semana, aconteceu o primeiro leilão de carros de enchente do estado, 111 foram vendidos, praticamente tudo que foi ofertado. Bruno Manso de Siqueira, técnico em eletrônica, foi um dos que arrematou um veículo nesse leilão.
“O carro de leilão geralmente, ele passa um pouco dos 50% do valor do bem. Então é um bom negócio”, explica Bruno .
O pregão é transmitido pela internet e interessados de todo o país participam. Rodrigo da Rosa, por exemplo, vive disso: comprar, recuperar e vender. Mas ele não participou desse leilão, justamente porque a oficina, em Porto Alegre, está cheia de carros que já tinham sido reformados quando o Rio Grande do Sul alagou.
“Não sei se eu dou risada, se eu choro. Não sei o que eu faço, os carros estavam todos prontos. todos lavadinhos”, diz.
A oficina do Deivid, em Canoas, também ficou inundada. Mas ele conseguiu salvar os carros que estavam em conserto e já está recuperando o prejuízo que teve com peças e equipamentos. Hoje, a oficina está lotada.
“A gente tem 74 carros lá no pátio, 60 são de alagamento. Que foi da enchente. A fila de espera está bem, está bem longa”, conta Deivid.
O processo para recuperar os carros envolve etapas distribuídas pela equipe: avaliação, parte mecânica, parte elétrico-eletrônica e, por último, a reforma estética.
A estimativa do Sindicato da Indústria da Reparação de Veículos do Rio Grande do Sul é de que mais de 2.400 oficinas tenham sido afetadas pelas enchentes. Pelo menos 800 continuam fechadas.
O Alexandre Ruga é engenheiro mecânico e dirige uma associação de donos de oficina. Ele explica alguns cuidados importantes para recuperar carros que foram inundados.
“Nunca tentar fazer o motor funcionar logo após ser retirado da enchente. E se possível, desligar a bateria, os cabos de bateria, enquanto o carro espera esse trabalho de recuperação”, explica.
Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras, no Brasil mais de 95% dos seguros de carro hoje têm proteção contra enchentes e alagamento. Os carros recolhidos pelas seguradoras ficam em estacionamentos aguardando para serem levados para os depósitos. De lá, eles podem ser direcionados para leilão ou para desmonte.
O motorista de aplicativo Lauro de Santos Cardoso espera que o carro dele também seja recolhido para um depósito. Ele pagava uma mensalidade para um fundo administrado por uma associação de proteção veicular. Lauro conta que primeiro registrou ocorrência conforme as orientações da associação, mas teve o pedido negado. O contrato não tinha cláusula cobrindo eventos extremos.
Mas uma boa notícia para Lauro: a associação reviu a decisão e vai buscar uma solução para ampará- lo e outros associados atingidos pela enchente.
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[Redação]
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