A busca por opções de alimentos saudáveis aumentou entre os consumidores brasileiros desde a pandemia. De acordo com uma pesquisa da consultoria Kantar, 70% dos consumidores brasileiros priorizam alimentos com menor teor de açúcar. O consumo excessivo de açúcar está diretamente relacionado a um maior risco de obesidade, diabetes e outras doenças crônicas. Por isso, muitas pessoas buscam alternativas aos produtos açucarados, como refrigerante, iogurte, barrinha de proteína e geleia.
No entanto, a substituição do açúcar por adoçantes se tornou mais complicada após recentes posicionamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS questiona o papel dos adoçantes na perda de peso e sua segurança a longo prazo. Embora os adoçantes sejam uma alternativa óbvia para agradar o paladar sem os perigos do excesso de açúcar, a OMS aponta potenciais efeitos indesejáveis com o uso prolongado, como um maior risco de diabetes e doenças cardiovasculares.
A história dos adoçantes remonta a 1879, quando o primeiro adoçante, a sacarina, foi descoberto por acidente em um laboratório. A popularização dos adoçantes artificiais ocorreu na década de 1960, com o desenvolvimento de outros tipos, como o ciclamato e o aspartame.
No entanto, ao longo dos anos, surgiram dúvidas sobre a segurança dos adoçantes, especialmente após estudos em ratos relacionarem a sacarina ao câncer de bexiga. No entanto, critica-se o fato de que esses estudos usaram doses extremamente altas, que não são equivalentes à quantidade consumida pelos seres humanos.
A OMS recentemente recomendou que a classe de adoçantes não calóricos seja evitada pela população em geral que deseja perder peso. A entidade afirma que esses adoçantes não conferem benefícios na redução de gordura corporal a longo prazo. No entanto, a recomendação da OMS não se baseia em avaliações toxicológicas de segurança, pois os limites seguros de consumo dos adoçantes permanecem os mesmos.
Entretanto, várias sociedades científicas e entidades, como a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (Anad), se posicionaram contra a diretriz da OMS, alegando que ela confunde o público. Alguns especialistas defendem que a culpa não deve recair sobre a OMS, mas sim na interpretação dos dados e na falta de senso crítico ao utilizá-los na prática.
Os estudos sobre os efeitos dos adoçantes têm suas limitações. A maioria das evidências utilizadas pela OMS é baseada em estudos observacionais, que não comprovam uma relação de causa e efeito, e a própria OMS reconhece que várias pesquisas utilizadas em sua avaliação têm baixa qualidade e resultados superficiais.
Em resumo, o debate em torno dos adoçantes continua, e a decisão de consumi-los ou evitá-los deve levar em consideração o contexto individual de cada pessoa. É importante ler com cuidado as recomendações e entender as evidências científicas por trás delas. Além disso, é fundamental manter uma alimentação equilibrada e variada, priorizando alimentos não processados sempre que possível.
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